O rock e a distorção

Músicos e História da Música

O rock e a distorção

O rock e a distorção

Keith Emerson e Jon Lord expandiram os limites do órgão Hammond no rock ao aplicarem distorção de válvulas, múltiplas caixas Leslie e amplificadores de guitarra, técnicas que se tornaram marca registrada do rock progressivo e do hard rock nos anos 60 e 70.

Por que o rock exigiu mais distorção do que o Hammond original oferecia?

A atitude do rock-and-roll solicitou do órgão mais do que a rotação rápida da caixa Leslie podia oferecer. Se na sofisticação harmônica do jazz e do blues isso bastava, tecladistas como Jon Lord e Keith Emerson queriam mais!

Nos anos 80, os álbuns traziam nas capas a lista completa dos equipamentos usados na gravação, incluindo as conexões MIDI, que passaram a ser explicadas minuciosamente depois que esse protocolo surgiu. Músicos e tecladistas estudavam esses detalhes com atenção.

Um exemplo é o álbum "Elektric Band", de Chick Corea, que listava o número de módulos Yamaha TX816 (do célebre Yamaha DX-7) acionados por meio dos controladores MIDI KX-88 e KX-5. Instrumentos de alto custo, como o Fairlight e o Synclavier, eram levados ao palco para expandir os horizontes musicais.

Essa história, porém, começou antes, com os tecladistas de bandas dos anos 60 e 70 como Deep Purple e Emerson, Lake & Palmer, em um tempo em que o piano acústico e o órgão Hammond formavam a base dos arranjos.

Keith Emerson e o ELP: influência direta no desenvolvimento dos sintetizadores Moog

Nas décadas de 1960 e 1970, tecladistas opinavam diretamente aos fabricantes sobre o desenvolvimento de equipamentos. As sugestões de Keith Emerson, por exemplo, direcionaram Robert Moog no projeto de seus sintetizadores.

Emerson começou a usar um órgão Hammond na primeira metade dos anos 60, quando entrou para os T-Bones, intrigado depois de ouvir o organista de jazz Jack McDuff interpretar "Rock Candy". Adquiriu primeiro um Hammond L100 e, depois, um modelo C3, que preferia ao B3 por ter as teclas mais duras.

Já na banda Emerson, Lake & Palmer, nos anos 70, Emerson usou vários amplificadores valvulados e diferentes modelos de Leslie, muitas vezes várias caixas simultaneamente, com ajustes de velocidade distintos soando ao mesmo tempo. Ele também utilizou alto-falantes rotatórios com três velocidades:

  • Slow
  • Mid
  • Fast

Esse recurso substituía as duas velocidades convencionais da Leslie e produzia um efeito ambiental que muitos ainda hoje tentam imitar.

https://www.youtube.com/watch?v=xggFzkyd288

Jon Lord e o Deep Purple: como a distorção virou marca registrada do Hammond

Enquanto Keith Emerson foi pioneiro no uso do sintetizador Moog no rock progressivo, Jon Lord aplicou o estilo hard rock ao Hammond, pois precisava de sonoridade à altura da guitarra de Ritchie Blackmore, no Deep Purple.

Duas abordagens diferentes para o mesmo instrumento

Keith Emerson (ELP)Jon Lord (Deep Purple)
Órgão principalHammond C3 (preferido ao B3)Hammond C3
AmplificaçãoVários amplificadores valvulados e múltiplas caixas LeslieDistorção de válvulas com volume elevado ao máximo
Alto-falantesRotatórios, com três velocidades (slow, mid, fast)Alto-falantes normais, no lugar dos rotatórios da Leslie

Lord geralmente usava distorção de válvulas — o volume dos amplificadores era elevado ao máximo, provocando uma saturação no som — com alto-falantes normais no lugar dos rotatórios da Leslie. Também utilizou o ring modulator Maestro RM-1, considerado por muitos o melhor já feito, cujo projeto contou com a colaboração de Tom Oberheim e Bob Moog em parceria com a Maestro e a ARP. Esse recurso aparece no solo da música "Fireball".

Lord foi o primeiro a amplificar um Hammond por um cabeçote de guitarra, a princípio um modelo Marshall, e depois também amplificadores Hiwatt. Essa timbragem pesada e industrial foi sua marca registrada, e tanto Keith Emerson quanto Rick Wakeman expressaram publicamente admiração pelo seu trabalho inovador.

No início da carreira, Lord usava um Hammond L100. Em 1968, comprou seu primeiro Hammond C3 e, cinco anos depois, trocou por outro C3, no qual seu técnico embutiu um piano RMI, permitindo misturar os timbres. Lord também fez interações físicas do órgão com o sintetizador Moog. O instrumento permaneceu com ele até 2002, quando passou para Don Airey, seu sucessor no Deep Purple — que, pouco depois, parou de usá-lo no palco por considerá-lo velho.

https://www.youtube.com/watch?v=ncK-y3A7Yso

Como organistas atuais mantêm viva a herança do Hammond distorcido?

Organistas mais recentes, como Barbara Dennerlein, instalam o recurso MIDI em seus tonewheels para acessar, por meio dos teclados e da pedaleira do Hammond, outros timbres, como vibrafone nos manuais e contrabaixo acústico nos pés.

Outros, como Mike Mangan, da banda Big Organ Trio, seguem o estilo teatral dos músicos dos anos 60 e 70, tocando o Hammond ao contrário ou colocando fogo no instrumento, além de usar pedais de guitarra como:

  • Distorção
  • Drive
  • Wah-wah

Os puristas de estilo mais jazzístico podem torcer o nariz para esse Hammond distorcido, preferindo a sonoridade mais acústica e amadeirada do velho tonewheel. Mas uma nova geração de organistas tem descoberto as possibilidades timbrísticas do órgão Hammond conectado a toda espécie de equipamento, mantendo-o vivo e ativo na música universal.

https://www.youtube.com/watch?v=nXya5AvdAnU

Perguntas frequentes sobre a distorção do Hammond no rock

Por que Jon Lord usava distorção no órgão Hammond?

Porque precisava de sonoridade e performance à altura da guitarra de Ritchie Blackmore no Deep Purple. Ele elevava o volume dos amplificadores valvulados ao máximo, provocando saturação no som, e usava alto-falantes normais em vez dos rotatórios da Leslie.

Que recurso Keith Emerson usava para diferenciar o som do Hammond no ELP?

Emerson usava várias caixas Leslie simultaneamente, com velocidades diferentes soando ao mesmo tempo, além de alto-falantes rotatórios com três velocidades (slow, mid e fast) no lugar das duas convencionais da Leslie.

O que é o ring modulator Maestro RM-1 usado por Jon Lord?

É considerado por muitos o melhor e mais importante ring modulator já feito. Seu projeto contou com a colaboração de Tom Oberheim e Bob Moog, em parceria com a Maestro e a ARP, e o recurso aparece no solo da música "Fireball".

O que aconteceu com o Hammond C3 de Jon Lord depois de 2002?

O instrumento, que Lord usava desde os anos 70 com modificações como um piano RMI embutido, passou para Don Airey, seu sucessor no Deep Purple. Pouco depois, Airey parou de usá-lo no palco alegando que estava velho.

Como organistas atuais mantêm viva a tradição do Hammond distorcido?

Barbara Dennerlein instala o recurso MIDI em seus tonewheels para acessar outros timbres, como vibrafone e contrabaixo acústico. Mike Mangan, do Big Organ Trio, distorce o som do Hammond ao máximo, com estilo teatral e pedais de guitarra como distorção, drive e wah-wah.

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fjr
6 de novembro de 2015
É uma pena ,ninguém escreveu,mas é assim mesmo,o pessoal tem pressa e olha várias páginas velozmente,ferozmente.Infeliizmente um mundo veloz nçao espera por meros comentários,com esse meu.Bela matéria.Bom gosto.
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marcio silva de almeida
7 de março de 2019
Eu acho que sem Keith Emerson, Rick Wakerman e Jon Lord; jamais teriam se consagrado como os tecladistas mais barulhentos da historia da musica!! - marcio "osbourne" silva de almeida - jouinville/sc
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6 guitarras que ficaram famosas no mundo da música - Blog TeclaCenter
11 de dezembro de 2020
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