Sidinho Leal: referência em tecnologia

Sidinho Leal: referência em tecnologia


_MG_6966Postando vídeotutoriais na internet sobre os recursos de diversos teclados, Sidinho Leal construiu uma sólida reputação e conquistou milhares de seguidores

Tecladista desde os 17 anos, iniciando as atividades com grupos de jovens nas igrejas e tocando teclado arranjador em pequenas festas da cidade de Sabará, em Minas Gerais, Sidinho Leal passou por bandas de axé, pagode e samba até ingressar em uma banda de bailes em 2003. Foi a partir daí que começou a usar os recursos avançados dos workstations. “Nessa época, era preciso ler muito o manual para entender o funcionamento dos produtos. A partir de
2008 passei a pesquisar mais na internet, mas ainda não encontrava tutoriais. Em 2009, postei meu primeiro minitutorial, do Fantom X7”, conta. Esse foi o início de uma carreira voltada à consultoria em tecnologia musical.
Famoso pelos vídeos tutoriais que posta na internet, Sidinho Leal mantém a simplicidade ao falar do trabalho que realiza: “Levo como base da minha criação ‘ajudar para ser ajudado’, sempre com muita simplicidade e sem humilhar ninguém. Independentemente do valor do produto que o músico tem, sempre o tratar com respeito”.
Como é ser reconhecido como profundo conhecedor da tecnologia voltada à música?
Não me considero um grande conhecedor da tecnologia aplicada à música, mas sou um cara que adora pesquisar sobre o assunto e faço isso com muito prazer. Uma coisa de que não abro mão é repassar o que descubro nas novas tecnologias para os tecladistas que me seguem. Hoje, com equipamentos com preços mais acessíveis no mercado, muitas pessoas estão entrando em escolas de música para aprender a tocar, principalmente na área das teclas. Com tantas novidades e a variedade no mercado, surge a dúvida: “Qual teclado devo comprar? “. É aí que eu entro (risos). Tento filtrar uma lista para que o músico possa fazer a compra certa e investir em um instrumento que vai se encaixar no perfil de trabalho dele. Como venho fazendo isso há anos, de forma despretensiosa, com os famosos  “tutoriais”, acabei ajudando muitos com esses vídeos. Com o passar do tempo, tentei caprichar um pouco mais na qualidade e isso foi trazendo visibilidade. Fico extremamente feliz e grato a essa massa tecladística que curte e me motiva a produzir mais vídeos e repassar essas dicas.

Como recebe feedback de suas postagens?
Fico muito sem-graça, pois sou bem tímido. Mas tento responder a todos que me chamam nas redes sociais. Vejo alguns postando fotos com meu material e me deixa muito feliz saber que a pessoa confia no que digo, no que posto
na internet. É sinal de que tenho o dever de ser sempre honesto e sincero. Recebo isso com muito carinho e sempre atento para jamais faltar com a verdade.

Qual foi a de maior sucesso?
Há um vídeo que produzi – e é um dos mais amadores, feito em casa, em um quarto em reforma, com uma máquina fotográfica – que tem mais de 70 mil views no Youtube. É um tutorial sobre sintetizador Roland Juno-Di. É dos mais vistos no meu canal, mas há outros com muitos acessos também, como os novos vídeo-reviews, que venho  produzindo, desde 2013, em parceria com a Roland Brasil.

 

Qual foi seu primeiro teclado?
Esse a gente nunca esquece: foi um Yamaha PSR540, em 1998, comprado com meu próprio dinheiro de shows. Mas o primeiro contato com as teclas foi em um Kawai FS690, em 1995.

E qual foi o primeiro que exigiu de você se aprofundar na programação?
Este me lembro bem: foi um Roland Juno-G. Antes dele eu tinha um Roland JV-1000, mas ao saber do Juno, em 2006, com recursos de leitura de samples, tracks de áudio, sequencer poderoso, adquiri o meu em 2007. Foi então
que comecei a buscar possibilidades que antes nem imaginaria, como programar multisamples, gravar violões, backing vocal e percussão, tudo no próprio teclado, dispensando Notebook ou PC. Achei isso sensacional. Mas para mim, na época, era muito complexo. Foi aí que precisei encarar o manual do proprietário, que quase ninguém lê (risos), e aprender “na marra” a dominar os recursos. Isso foi abrindo caminho para os próximos, como Fantom X, Motif XS, Korg M3, Korg Kronos, Nord Stage, entre vários outros que tive, e fui descobrindo os recursos. Aí fui
aproveitando para postar vídeos sobre eles.

A grande quantidade de tecnologia embarcada nos teclados não inibe a criatividade do músico? 
Esse é um ponto que considero extremamente importante. Venho falando com vários músicos que não devemos ser reféns da tecnologia. Ela existe para ser usada, mas temos que ter bom-senso e saber dosar isso de forma que o músico esteja sempre ali, presente e atuante. Hoje, com tantos recursos, se deixar a coisa sem freio, o músico “preguiçoso” vai acabar gravando tudo, inclusive as bases (risos), e no show, apenas apertar o play. Isso já é
possível há muito tempo. A tecnologia vem evoluindo tanto, que temos que ficar atentos. Cobro muito isso da galera: se preocupar em programar seu instrumento, mas também valorizar o “tocar” ao vivo. Vou citar meu exemplo: trabalho na Banda Brilhantina, em Belo Horizonte, desde 2008. Meu empresário, Giuliano Kill, me contratou por justamente querer um músico que tivesse mais intimidade com a produção de VS (Virtual Sampler), que são trilhas de apoio para a banda ao vivo. Mas desde nosso primeiro contato, disse a ele: “Giu, vamos usar o VS como apoio. Farei 70 a 80% dos teclados ao vivo no palco. O que vou gravar será apenas o que realmente ficar impossível reproduzir em duas mãos”. E tem sido assim há 7 anos.

Quais as habilidades que um tecladista deve ter hoje, além de tocar bem?
Tenho várias referências na música: Michel Camilo, Cesar Camargo Mariano, Chick Corea, Dream Teather, chorinho em geral, MPB, música erudita e pop internacional, além de vários outros gêneros. Na verdade escuto de tudo um pouco, apesar de ser músico autodidata. Acredito que para um músico se tornar profissional é preciso dominar um
pouco de cada gênero, pois o mercado está muito versátil. Tocar um pouco de cada coisa é importante, ainda mais para tecladistas, pois nosso instrumento “imita” vários outros. É bom conhecer um pouco de tudo para conseguir
expressar nas teclas o máximo de verdade de cada instrumento.

Para quais artistas tem prestado consultoria?
Tenho muitos amigos para quem venho repassando dicas e, inclusive, programando seus instrumentos. Podemos citar Daniel Silveira (Mateus e Kauan), Marciano Santos “Brigs” (Jorge e Mateus), Felipe de Castro (Henrique e Diego) Marcinho Hipólito (Michel Teló), Daniel Pereira (Taeme e Thiago), Duda Mell (Humberto e Ronaldo), Wemerson Pequeno (Cristiano Araújo) e vários outros. A lista é bem grande (risos), pode acreditar.

Quais as dúvidas mais recorrentes?
Geralmente esses músicos não tem tempo para ficar programando seus instrumentos, pois a logística dos shows é bem complicada. Às vezes, no mesmo dia, fazem show em Londrina e a tarde viagem para Cuiabá (risos). Isso gera um problema: o pouco contato que têm com seu instrumento. Então, acabam me chamando para dar essas  consultorias. Geralmente funciona. Eles chegam um pouco antes do show e programam seus instrumentos, ou levam algum arquivo para leitura. São quase sempre dúvidas simples, como inserir novos sons, montar splits, ler
programações em teclados alugados por causa da logística, coisas de tecladistas (risos).

Quais seus projetos atuais?
Atualmente estou trabalhando como tecladista na Banda Brilhantina em Belo Horizonte. Os trabalhos que fiz recentemente foram duas vídeo-aulas de programação em DVD: um do Korg Kronos, em meados de 2014, e um sobre o Yamaha Motif XS/XF, lançado em abril deste ano. Mas já tenho pedidos para preparar mais DVDs para  vários utros teclados do mercado. A aceitação desse material tem sido muito boa, pois isso, até então, não existia. O músico tinha sempre o manual e alguns vídeo-dicas no Youtube, mas estes têm sido os primeiros DVDs específicos dos instrumentos.

 

 

image11

Categorias

+ Sem comentários

Adicionar