Front 242 - Os inventores da EBM

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Front 242 - Os inventores da EBM

Front 242 - Os inventores da EBM

EBM (Electronic Body Music) é um gênero musical resultante da fusão do synthpop dos anos 80 com a música industrial, criando um estilo pesado, agressivo e ao mesmo tempo dançante. O termo foi cunhado pelo grupo belga Front 242, fundado em 1981 nas proximidades de Bruxelas.

Como o Front 242 criou o termo EBM?

O termo EBM foi cunhado pelo grupo Front 242 para explicar o som que a banda fazia, marcado por timbres eletrônicos sintetizados, letras agressivas, batidas distorcidas e instrumentos pouco convencionais, como serras elétricas e furadeiras.

  • Timbres eletrônicos, na maioria das vezes sintetizados
  • Letras agressivas
  • Batidas distorcidas
  • Instrumentos não convencionais, como serras elétricas e furadeiras

O Front 242 foi criado em 1981, nas proximidades de Bruxelas, na Bélgica, por Daniel Bressanutti e Dirk Bergen, interessados em criar um tipo diferente de música e um design gráfico inovador, utilizando ferramentas eletrônicas. Paralelamente, Codenys Patrick e Jean-Luc De Meyer formaram um grupo chamado Under Viewer, na mesma época. Em 1982, as duas bandas se uniram. Bressanutti, Codenys e De Meyer se revezaram nos vocais até que este último se estabeleceu como vocalista e autor da maioria das letras.

Qual foi a trajetória discográfica que consolidou a EBM?

A discografia do Front 242 consolidou o gênero EBM ao longo da década de 1980, evoluindo de um som sintético e frio para produções mais pesadas, com reconhecimento internacional a partir de 1985.

  • Geography - álbum de estreia, que estabeleceu a assinatura sonora fria e sintética da banda, lançado pelo próprio selo criado pelo grupo
  • 1983 - Endless Riddance, seguido dos dois primeiros singles sob o título Two-In-One
  • 1984 - No Comment, álbum que popularizou o termo EBM, com sons reaproveitados da mídia e da televisão
  • 1985 - Politics Of Pressure, gravado em 24 canais, período de participação em grandes festivais europeus
  • Distribuição assinada com a Wax Trax! (Estados Unidos) e a Red Rhino (Europa)
  • Lançamento do single "Interception" e dos álbuns Backcatalogue e Official Version, este último com som ainda mais pesado

Com mais de 30 anos de carreira e abusando da tecnologia em seus shows, o Front 242 esteve no Brasil para uma série de apresentações.

Entrevista: gravação, gravadora e influências

Nesta parte da entrevista, o Front 242 comenta sobre a gravadora Wax Trax!, o processo de gravação em home studio e as influências musicais da banda.

Como foi gravar pela Wax Trax! Records?

Inicialmente a banda não gravou pela Wax Trax!. O selo começou como distribuidor, em 1983, com o LP Endless Riddance. Como o Front 242 já tinha um disco no mercado europeu, a Wax Trax! - que também era uma loja em Chicago - entrou em contato com a banda.

Onde a banda gravava suas músicas?

O Front 242 sempre gravou na Bélgica, em home studio, com equipamento básico para a época: um Tascam de dois canais e um Tascam de quatro canais.

Quais são as influências do Front 242 e como a banda vê sua influência sobre grupos como Ministry, Rammstein e Prodigy?

Cada integrante ouvia e era influenciado por diferentes músicos underground, entre eles Brian Eno, além de muita música industrial. Sobre influenciar outros grupos, a banda comenta apenas o caso do Ministry, mas não acredita tê-lo influenciado diretamente por causa da instrumentação diferente, com guitarras, usada por eles - exceto no primeiro álbum, que tinha muita coisa eletrônica.

Como a Bélgica dos anos 1970 influenciou as letras da banda?

As letras não eram influenciadas pelo que acontecia na Bélgica, mas pelo que ocorria no mundo. Por causa da facilidade de implantação de cabos no país, a banda teve acesso a canais e informações do mundo inteiro antes de outros países. Filmes, suas trilhas sonoras, os primeiros samplers - com trechos de filmes de guerra e ficção científica - e o interesse de Jean pela mente humana também influenciaram as letras.

Entrevista: processo criativo e tecnologia

A banda também detalhou como o processo criativo mudou com a chegada de novas tecnologias, do papel aos primeiros samplers.

Como era o processo criativo das letras?

No início, Jean entregava o texto em papel e a banda o modificava e recortava para ficar mais compreensível, já que o inglês não era a língua nativa dos integrantes. Essas colagens transformavam as frases em sentenças "non sense", mas com significado, em uma técnica também ligada ao interesse por David Lynch. Assim que os primeiros samplers surgiram, Jean gravava tudo e a banda sampleava e remontava no teclado.

Quais equipamentos e samplers a banda usava?

EquipamentoUso
Tascam de dois canais e Tascam de quatro canaisGravação em home studio, no início da carreira
Akai 600 e Akai 1200Primeiros samplers usados pela banda
EmulatorSampler usado posteriormente
CubaseSoftware usado depois dos samplers

A banda afirma que usava essa técnica de colagem apenas em algumas músicas - outras eram cantadas de forma tradicional -, que não são "realmente músicos" no sentido de tocar instrumentos como baixo e guitarra de forma convencional, e que não têm ego, trabalhando pelo resultado final.

Entrevista: fãs e shows atuais

Por fim, o Front 242 comentou sobre a relação com fãs antigos e novos e como funciona o conceito dos shows da banda atualmente.

Como o Front 242 vê seus fãs antigos e novos?

A banda afirma não fazer nada de especial para cativar novos fãs, já que não há produção de material inédito desde 2003. Para o Front 242, existe um círculo de influência entre gerações, somado à presença no YouTube e a menções em entrevistas, semelhante ao que ocorre com outros artistas. A banda acredita que sua identidade sonora é diferente - "ou você gosta ou não" - e lembra que não há problema em ouvir música de 40 anos atrás, citando Johnny Cash, Led Zeppelin e o próprio Front 242 como exemplos.

Como é o conceito do show do Front 242 atualmente?

Os shows são centralizados em computadores, com exceção da bateria, que é uma TD eletrônica, e misturam sucessos do repertório vintage com sons modernos. A banda afirma não ensaiar, tratando cada apresentação como uma plataforma para modificar arranjos e timbres, mantendo a estrutura das músicas sem improvisação.

https://www.youtube.com/watch?v=m1cRGVaJF7Y

Perguntas frequentes sobre o Front 242 e a EBM

O que significa EBM?

EBM significa Electronic Body Music, um gênero musical resultante da fusão do synthpop dos anos 80 com a música industrial, criando um estilo pesado e agressivo, mas propício para as pistas de dança.

Quem fundou o Front 242 e quando?

O Front 242 foi fundado em 1981, nas proximidades de Bruxelas, na Bélgica, por Daniel Bressanutti e Dirk Bergen. Em 1982, o grupo se uniu à banda Under Viewer, formada por Codenys Patrick e Jean-Luc De Meyer.

Quando o termo EBM surgiu?

O termo EBM surgiu com o álbum No Comment, de 1984, para descrever as qualidades sintéticas e fisicamente carregadas da música do Front 242.

O Front 242 já se apresentou no Brasil?

Sim. Com mais de 30 anos de carreira, o Front 242 esteve no Brasil para uma série de apresentações.

Quais selos distribuíam os discos do Front 242?

Os discos do Front 242 eram distribuídos pela Wax Trax! nos Estados Unidos e pela Red Rhino na Europa.

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