O multifacetado Richard Galliano

O multifacetado Richard Galliano


Galliano6c_Vincent_CatalaDono de técnica ímpar e um dos mais cultuados músicos de jazz de todos os tempos, Richard Galliano transita com naturalidade entre muitos estilos, do forró ao erudito

A carreira dedicada ao jazz não impediu o acordeonista Richard Galliano de buscar outras formas de se expressar e
levar música de qualidade a seu público. Visitando e revisitando os mais diversos estilos em que o acordeon é protagonista, o músico extrapolou os limites do popular e do folclórico, das tradições nacionais e da música de improviso e embarcou em uma viagem, aparentemente sem volta, pelo mundo erudito.

Richard é filho de Lucien Galliano, professor de acordeão de origem italiana, e começou a tocar o instrumento com a idade de quatro anos. Ao mesmo tempo, estudava harmonia, contraponto e trombone no Conservatório de Nice. Quando tinha 14, a música de Clifford Brown o levou ao jazz e, daí, a uma exploração pelos grandes nomes do  instrumento, como Sivuca e Dominguinhos e os “experts” norte-americanos Tommy Gumina, Ernie Felice e Art Van Damme, além de alguns  dos melhores músicos italianos como Felice Fugazza, Volpi e Fancelli. Isso o fez abandonar completamente o estilo tradicional francês de tocar o instrumento.

Em 1973, mudou-se para Paris, passando três anos como arranjador, maestro e compositor em um verdadeiro grupo de jazz. Participou de inúmeras gravações de artistas franceses populares como Barbara, Serge Reggiani, Charles Aznavour e Juliette Gréco, e de trilhas sonoras de filmes. A partir da década de 1980, Galliano teve a oportunidade de tocar com diversos músicos de jazz de todos os estilos, como Chet Baker (no repertório brasileiro), Steve Potts, Jimmy Gourley, Toots Thielemanns, o violoncelista Jean-Charles Capon (com quem gravou seu primeiro disco), e Ron Carter, com quem dividiu um disco, em 1990.

Em 1991, seguindo o conselho de Astor Piazzolla (a quem conheceu em 1983, enquanto trabalhava com música incidental para a Comédie Française), voltou às suas raízes e ao repertório tradicional das valsas-musette, javas, complaintes e tangos, que há muito havia abandonado. Essa abordagem foi apresentada no CD New Musette, gravado com Aldo Romano, Pierre Michelot e Philip Catherine, com o qual conquistou o Prêmio Reinhardt Django da Académie du Jazz como Músico Francês do Ano, em 1993.

Três anos mais tarde, cruzou o Atlântico para gravar seu New York Tango com George Mraz, Al Foster e Biréli Lagrène, disco que lhe rendeu o prêmio Victoire de la Musique. Começou a ganhar uma reputação internacional, passando a colaborar com artistas como Enrico Rava, Charlie Haden e Michel Portal. Com este último, em 1997, gravou Blow Up, enorme sucesso comercial que vendeu mais de 100 mil cópias.

Em 1999, apresentou suas próprias composições, com acompanhamento de orquestra de câmara, juntamente com peças de Astor Piazzolla, o que o levou à gravar a homenagem Piazzolla Forever, de 2003. Durante anos tocou em trio com Daniel Humair e Jean-François Jenny-Clarke e voltou a esse formato em 2004, com Clarence Penn e Larry Grenadier, além de realizar colaborações pontuais com Jan Garbarek, Martial Solal, Hermeto Pascoal, Anouar Brahem, Paolo Fresu e Jan Lundgren, e Gary Burton, entre outros.

bresil_cdcoverCom o intuito de repassar sua vasta experiência, criou, junto com seu pai Lucien, um método de acordeão que ganhou o prêmio SACEM de Melhor Trabalho Pedagógico em 2009. Entre seus trabalhos mais significativos está o álbum Richard Galliano au Bresil, em que visitou nosso País para gravar com ícones do acordeon como Dominguinhos, Aleijadinho de Pombal, os Três Do Nordeste e Pinto Do Acordeon, além do músico e compositor Chico César. Em uma nova guinada na carreira, tem se dedicado à gravação de música erudita. Em 2010, seu álbum  dedicado a Johann Sebastian Bach foi o mais vendido do ano, com a marca de 40 mil cópias. O encontro de “As  Quatros Estações”, de Vivaldi, e do acordeão de Galliano une uma das maiores e mais reproduzidas peças da música clássica com um dos instrumentistas mais populares da história. Esse repertório foi apresentado na mais recente visita do músico ao Brasil, no fim do ano passado, em concertos patrocinados pelo TUCCA. Na ocasião, Teclas
& Afins conversou com o acordeonista, que falou sobre esses projetos e deixou um conselho às novas gerações.

 

 

O jazz consolidou sua carreira, mas você tem se dedicado à música erudita, como em Bach e Vivaldi. Foram projetos isolados ou uma tendência que pretende seguir? 

Nunca é tarde demais para mudar de direcionamento musical. Estou começando a explorar como interpretar os mestres clássicos no acordeon quase aos 60 anos, após 40 de gravações de jazz e música popular. Mas também foi
um caminho natural: para tocar Astor Piazzolla, eu estava acompanhado por músicos clássicos que tocaram Vivaldi
ou Bach mais de cem vezes. E a tentação também foi grande para confrontar as Estações de Vivaldi com as de Piazzolla…

Como Galliano encara seu instrumento?

É como um bicho de estimação, um melhor amigo. Está sempre na mesma sala que eu. Eu também preciso me preocupar com o meu acordeão, tratar dele. Uma vez por mês, o desmonto totalmente para fazer alguns pequenos reparos. E, então, eu coloco todas as peças juntas novamente.

Para ler a entrevista completa e saber mais sobre Richard Galliano, acesse a revista digital gratuita Teclas & Afins em www.teclaseafins.com.br

 

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