Jimmy Smith: “o cara”

Jimmy Smith: “o cara”


Jimmy-Smith-copyFoi pelas mãos e pelos pés de Jimmy Smith que o Hammond B3 alcançou seu apogeu, tanto no timbre quanto na execução

Quem inventa um instrumento e os primeiros que o usam não são responsáveis, muitas vezes, pela sua utilização mais excelente. O órgão Hammond já existia há algum tempo e excelentes organistas e grandes pianistas, como Count Basie, já o haviam usado desde os anos 1930. Contudo, nas mãos e nos pés de Jimmy Smith foi que o Hammond B3 alcançou seu apogeu, tanto no timbre quanto na execução.

Jimmy Smith foi pioneiro na fusão de R&B, gospel e jazz, adicionando um estilo único de tocar. Não à toa, a registração 888000000 com 3º percussivo e Chorus 3 leva seu nome. Nenhum outro organista influenciou o uso do instrumento como ele. Alguns outros ainda acrescentaram algo de novo, como distorção e efeitos, mas a maioria, como acontece até hoje, sabe que chegou à maturidade como organista, imitando o mestre.

Vida e obra
James Oscar Smith nasceu em Norristown, Pensilvânia, no dia 8 de dezembro de 1928 (alguns dizem que foi em 1925). Seu pai era músico e Jimmy, já aos seis anos, fazia com ele um número de canto e dança. Aos doze, já era pianista talentoso, que vencia concursos locais, e também tocava baixo. Essa aptidão de homem-banda o capacitou a extrair do órgão todo o potencial que o instrumento apresentava. Aos quinze anos, Smith foi para a marinha de guerra, e quando voltou para casa estudou nas escolas Hamilton e Ornstein, ambas na Filadélfia. Em 1951, começou a tocar com grupos de R&B, mas, após ouvir o organista Wild Bill Davis, passou a sentir uma predileção especial pelo órgão. Smith comprou um modelo Hammond B-3 e o montou no armazém de seu pai, onde trabalhava durante o dia, passando a refinar os rudimentos de seu estilo, entusiasmado mais com os intérpretes de instrumentos de sopro do que com outros tecladistas, e fazendo uso inovador da pedaleira e dos drawbars.

1503 01Começou a tocar órgão nos clubes de Filadélfia em 1955 e, no início de 1956, estreou em Nova Iorque no famoso clube noturno Small’s Paradise, no Harlem, tocando com o Jazz Messengers de Art Blakey. Ali, foi descoberto por Alfred Lion, empresário da respeitável gravadora de jazz Blue Note Records. Dos primeiros álbuns mais populares – como The Incredible Jimmy Smith, no Club Baby Grand, e The Champ – até as legendárias apresentações no  Birdland de Nova Iorque e no Newport Jazz Festival, Jimmy tornou-se o novato mais famoso do jazz. Entre 1956 e 1963, gravou mais de trinta álbuns pela Blue Note, contando com a participação de Kenny Burrell, Stanley Turrentin e Jackie McLean em muitos deles. Em 1963, começou a trabalhar com a gravadora Verve. Seu primeiro álbum com o novo selo, Bashin’: The Unpredictable Jimmy Smith, tornou-se sucesso de vendas e de críticas. Três anos mais tarde, lançou um álbum gravado com o famoso guitarrista Wes Montgomery.

1503 07Em 1972, encerrado seu contrato com a Verve, abriu com a esposa um clube em San Fernando Valley, na Califórnia. Cansado das turnês, passou a se apresentar no clube, mas retirou-se dos negócios em poucos anos. Apesar de ter  continuado a gravar por vários selos, seus dias de estrela pareciam ter chegado ao fim. No final dos anos 1980, contudo, gravações pelo selo Milestone trouxeram à memória dos fãs de jazz o mestre do Hammond que ele era. A convite do produtor Quincy Jones, Jimmy Smith participou das gravações do álbum Bad de Michael
Jackson, em 1987. Em 1995, voltou à Verve Records e gravou o álbum Damn!. As apresentações com o virtuose  organista Joey DeFrancesco geraram o disco Incredible!, de 1999. Depois, em 2001, gravou Dot Com Blues contando com a participação de megaestrelas do blues e do R&B como Etta James, B.B. King, Keb’ Mo’ e Dr. John. Jimmy Smith encontrou uma nova geração de fãs quando DJs de hip-hop samplearam seus grooves e os Beastie Boys usaram “Root Down (And Get It)” na música “Root Down”. Outras execuções suas tornaram-se base para músicas de Nas, Gang Starr, Kool G Rap e do DJ Shadow. Em 2004, Smith recebeu a honra de Jazz Master pelo National Endowment for the Arts e mudou-se de Los Angeles para Scottsdale, Arizona.

Jimmy Smith foi encontrado morto em sua residência no dia 8 de fevereiro de 2005. Seu último álbum, Legacy, gravado com Joey DeFrancesco, foi lançado algum tempo depois.

Imprescindível
1503 10Se você é um novo admirador querendo adquirir um clássico dos anos 1960 para conhecer melhor Jimmy Smith, Back At The Chicken Shack é uma boa indicação, embora alguns considerem The Sermon (1958) e Crazy! Baby (1960), melhores. O melhor de todos, no entanto, pode ser o álbum duplo Groovin’ At Small’s Paradise (ao vivo, 1957). Uma retrospectiva da carreira do mestre pode ser encontrada no box de quatro discos Retrospective featuring Blue Note highlights from the 1950s and ‘60s. Uma opção também é o álbum duplo Walk On  The Wild Side: The Best Of The Verve Years.

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1 Comentário

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  1. 1
    marcio "osbourne" silva de almeida

    Jimmy Smith, embora o seu DNA de musico estivesse no Jazz, foi um dos responsaveis pelo surgimento do rock progressivo, reverenciado por organistas como Jon Lord (Deep Purple), Keith Emerson (The Nice, ELP), Steve Winwood (Traffic) entre tantos outros dos “Dinossauros do Rock Progressivo”!! – marcio “osbourne” silva de almeida – jlle/sc

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