Reverb

Arquivo Teclacenter

Reverb

Reverb

O reverb é considerado o mais importante e necessário efeito em uma produção de áudio, sendo indispensável em todos os estúdios de gravação e mixagem para recriar eletronicamente um espaço tridimensional e garantir naturalidade à audição de conteúdos musicais.

Por que o reverb é considerado indispensável na mixagem?

Entender o funcionamento do reverb é primordial para técnicos e músicos, e dominar seus parâmetros pode ser o diferencial para a confecção de um trabalho criativo. Dos diversos tipos de efeitos presentes em uma unidade de processamento, o reverb talvez seja o único realmente indispensável à realização de uma mixagem bem-feita, e a reverberação é um dos fenômenos mais relevantes para o áudio, pois é raro ouvir algo sem sua presença.

Gravações geralmente utilizam a técnica de captação próxima (close mic), ou seja, o microfone perto da fonte sonora. Esse método existe porque deficiências no isolamento acústico de muitos estúdios inviabilizam distanciar o captador da origem do som, e quanto mais longe dela, mais exposto a ruídos externos fica o transdutor. Esse tipo de captação também possibilita maior riqueza de detalhes, como presença e brilho, além do efeito de proximidade (proximity effect), que garante que o microfone capte mais frequências graves quanto mais perto estiver.

Na natureza, porém, é costume ouvir o instrumento dentro de um contexto físico como uma sala, um ginásio ou uma igreja. Uma das funções básicas do reverb, portanto, é recriar eletronicamente esse espaço tridimensional para que o ouvinte se situe nele, familiarizando-se com o timbre.

Como as ondas sonoras se comportam dentro de um ambiente fechado?

O ambiente está diretamente ligado à natureza física do som, a acústica — a forma pela qual o som se manifesta. No vácuo, mesmo se uma série de amplificadores de guitarra for ligada ao máximo da potência e o instrumento dedilhado, o resultado será o mais profundo silêncio, pois as ondas sonoras caminham por meio da movimentação das partículas do meio.

Como um efeito dominó, uma partícula recebe uma pressão e se desloca, empurrando outra, e assim sucessivamente — sejam partículas de ar, água ou átomos de qualquer outra substância. O ambiente marca sua estampa nas ondas sonoras à medida que elas são transmitidas: uma vez gerada, a onda é enviada de forma randômica para diversas partes do local, que gera reflexões de algumas, absorve outras e difunde outras. Os ouvidos captam tanto o som direto quanto todas essas variações como um elemento único, o que torna a ideia de "som original" ou "som puro" praticamente utópica.

As ondas sonoras geradas dentro de um local fechado se chocam, em determinado momento, com algum tipo de material ou barreira, como paredes, mesas, tapetes ou pessoas. Todos esses elementos, combinados com a disposição deles, a geometria do recinto e a localização da fonte sonora, determinam o que é chamado de acústica de uma sala.

Qual a diferença entre o som em uma caverna e em um espaço aberto?

Ondas sonoras são pulsos de energia que agem sobre as partículas de ar. Quando incidem sobre outro meio físico, como uma parede, parte dessa energia é devolvida em forma de onda sonora, ocorrendo a reflexão. Um instrumento tocado dentro de uma caverna produz um som pouco definido, porém grandioso, com longo tempo de reverberação; o mesmo instrumento tocado em um parque ao ar livre tem maior definição de notas, mas soa menos potente e envolvente — como o efeito conhecido de cantar dentro de um banheiro.

Após ser gerado, qualquer som leva um tempo para cessar, e é nesse período que a acústica do ambiente exerce influência sobre o som direto. A qualidade acústica de uma sala é determinada pela forma como se recebe o som indireto, proveniente das reflexões, que formam a característica reverberante do ambiente.

Como o tratamento acústico e o posicionamento afetam a gravação?

Para usar uma sala como ambiente de gravação, o som gerado dentro dela não pode sofrer grande coloração — termo usado para a interferência que o ambiente exerce sobre as ondas sonoras. Por isso, combina-se uma série de materiais com propriedades acústicas específicas para criar uma resposta sonora linear, que absorve todas as frequências em um mesmo período de tempo, geralmente inferior a 1 segundo. Essa é a concepção básica de um tratamento acústico.

Dentro de uma sala, mesmo tratada acusticamente, há uma amplificação de frequências baixas próxima aos cantos, causada pelo fenômeno das ondas estacionárias. Por isso, posicionar um instrumento nesse local gera melhor resposta nessas faixas, o que é indicado para amplificadores de guitarra com pouca potência ou para baixo e bateria sem o "peso" desejado. Já instrumentos posicionados ao centro da sala sofrem menor influência das ondas estacionárias, porém maior influência das reflexões.

O posicionamento do microfone também determina como se vai "ouvir" o instrumento na captação: quanto mais próximo, maior a sensação de presença e proximidade, mantendo melhor as características sonoras originais; quanto mais distante, maior a integração do instrumento com o ambiente, muitas vezes trazendo um resultado mais realista.

Qual a relação entre reverb e mixagem?

Uma mixagem bem-feita é, entre outros processos, a criação de um ambiente acústico, com cada instrumento ocupando uma posição definida e nítida. Pode-se imaginar um espaço hipotético em forma de cubo: o controle de panorama estéreo (pan) posiciona o instrumento à esquerda, centro ou direita, simbolizando a largura; o fader da mesa de mixagem regula a intensidade, representando a altura; e cabe ao reverb recriar o parâmetro de profundidade, afastando ou aproximando o instrumento do ouvinte.

Assim como no mundo natural, em que todos os sons ouvidos são acrescidos de reflexões, é importante criar esses elementos nas produções, seja para amalgamar os instrumentos, seja para realizar experimentos impossíveis de alcançar apenas com alterações no posicionamento de microfones.

O que é delay e como seu tempo afeta o som?

Delay (atraso, em inglês) é um equipamento que recebe um sinal e aguarda alguns instantes para reproduzi-lo, gerando a audição com demora em relação ao som original. Esse intervalo costuma variar entre um e mil milissegundos. Delays simples também podem atuar em loop, criando feedback — repetições das repetições —, e o excesso de feedback pode tornar o som indefinido e "opaco".

O delay cria o efeito de ampliação do espaço sonoro, pois as reflexões iniciais dão ao cérebro uma noção do tamanho do local: quanto maior o delay, maior o ambiente percebido. Diferentes valores de tempo causam consequências diversas:

  • Até 10 ms: podem ocorrer cancelamentos de sinal e o som ficar mais "magro";
  • Entre 10 ms e 35 ms: ocorre a chamada dobra (duplicação do sinal, de modo que o som original seja mais facilmente percebido em relação ao sinal atrasado);
  • Entre 35 ms e 100 ms: o efeito pode "encorpar" vocais prolongados ou instrumentos como guitarras e sintetizadores, e criar o efeito de chorus; em vozes faladas, porém, provoca perda de inteligibilidade, já que fonemas como b, d, m, n, q e t têm duração entre 10 ms e 35 ms e ficam indefinidos quando "dobrados";
  • Acima de 100 ms: permite um "alargamento" ou "expansão" do som, especialmente entre 150 ms e 300 ms.

Como o reverb é formado a partir de várias reflexões?

O efeito de reverb é, basicamente, o resultado da somatória de vários sinais com tempos de delay diferentes (reflexões difusas) com o som original. Em um ambiente, as ondas sonoras atingem todas as superfícies, e suas reflexões, assim como o som direto, chegam aos ouvidos ou aos microfones — como se cada reflexão fosse um sinal com delay gerado em um processador de efeitos.

Como o som original chega mais rápido aos ouvidos do que as reflexões, e estas têm tempos de delay diferentes entre si, o resultado é a percepção de um prolongamento do som. Para que haja reverberação, o número de reflexões deve ser elevado o suficiente para que não seja possível distinguir ecos ou repetições isoladas. Essa somatória também determina a característica tonal de um ambiente, permitindo inferir tamanho, tipos de materiais das superfícies e forma geométrica do local.

Um reverb digital pode reproduzir o comportamento do som em locais como salas de concerto, ginásios, espaços para convenções e banheiros, mas também pode produzir sonoridades que jamais ocorreriam acusticamente, como ambientes amplos com tempos de reverb extremamente curtos e grande incidência de frequências altas.

O que são pré-delay e early reflections?

A inserção de ambiência em um conteúdo sonoro parte da manipulação digital das reflexões, de modo que sejam definidos planos diferentes de proximidade. Quanto maior o nível das reflexões em relação ao volume direto da fonte, mais intensa é a sensação de que ela está se distanciando do ouvinte — por isso é necessário conhecer alguns parâmetros fundamentais antes de ajustar os controles de um processador.

Pré-delay é o tempo que antecede o início da reverberação e é o parâmetro principal responsável pela percepção do tamanho do ambiente. Quanto maior o pré-delay (até um ou dois segundos, por exemplo), maior será o ambiente percebido, pois o som leva mais tempo para refletir em todas as superfícies. Um pré-delay maior dá a sensação de que a fonte está mais perto do ouvinte, o que costuma ser usado na linha do vocalista; um pré-delay menor faz as reflexões chegarem quase junto com o som direto, útil quando se deseja situar a fonte no fim de um corredor.

Early reflections são as primeiras reflexões do som direto que chegam aos ouvidos, com volume maior que as reflexões secundárias (reflexões das reflexões). A intensidade e o distanciamento entre elas dão a sensação de tamanho do espaço: quanto maior a distância entre as reflexões primárias e o som direto, mais distante das paredes está a fonte sonora e maior parece o ambiente.

O que são decay, difusão e HF damping?

Decay, ou tempo de reverberação, é o tempo que as reflexões levam para perder intensidade até o silêncio — tradicionalmente definido como o tempo para o som cair a uma milionésima parte da pressão sonora original. Esse tempo pode ser ajustado entre um décimo de segundo e noventa e nove segundos, e varia entre frequências por causa dos diferentes níveis de absorção do ambiente. Espaços pequenos têm decay curto; grandes teatros têm valores elevados, entre 1,5 e 2 segundos; cavernas, silos e caixas de escadaria têm os maiores decays.

Difusão é a qualidade das reflexões, ajustada pelo controle dos espaços entre elas, e está associada à percepção das superfícies refletoras: reflexões claras e agudas sugerem uma superfície polida, enquanto maior difusão sugere um acabamento mais irregular. Difusão baixa é como uma imagem granulada, com repetições sutis perceptíveis; difusão alta é como uma imagem de alta definição, com som mais homogêneo, suave e "cheio".

HF Damping (filtro de esmaecimento das altas frequências) emula a absorção das altas frequências pelo ar e pelo material das superfícies refletoras, especialmente em ambientes amplos. Sem esse filtro, os espaços grandes criados soam vazios e cercados de paredes lisas.

Quais são os tipos de reverb disponíveis em teclados e softwares?

A maioria dos teclados e softwares apresenta alguns tipos de reverb pré-configurados (presets), cada um simulando um comportamento acústico diferente, como mostra a tabela abaixo.

TipoCaracterística
HallSugere a sonoridade de uma sala de concertos; é o tipo mais "rico" e suave.
PlateTipo mais "brilhante", com maior incidência de frequências médias e altas; originalmente gerado por uma lâmina de metal que vibra suspensa em uma caixa.
RoomSimula ambientes menores que um hall, de um quarto pequeno a uma grande sala de conferências; materiais macios reduzem a incidência nas frequências altas, e superfícies rígidas aumentam a resposta nas médias e altas.
ReverseReverb reproduzido de "trás para frente": depois do som original, o reverb cresce progressivamente e para.
Gated ReverbO reverb é intenso por um período determinado e depois sofre um corte de gate, destacando o som de um instrumento sem "embolar" a mixagem.

Dentro desses tipos existem variações, como bright hall, rich plates, dark plates, large rooms, small rooms ou bright phone booth. Alguns processadores permitem ainda simular características do ambiente, como pré-delay, índice de difusão, tempo de decay e densidade.

Como ajustar corretamente o nível de entrada do reverb?

O primeiro cuidado no uso do reverb é a relação sinal-ruído: o nível de entrada deve ser o mais alto possível, respeitando a recomendação do fabricante, para evitar distorções ou danos ao equipamento e adicionar o mínimo de ruído gerado pelo equipamento externo à mixagem.

É interessante ligar a saída do reverb em dois canais da mesa, e não em entradas auxiliares, com o controle de mix do sinal a 100%. A vantagem é ter disponíveis os equalizadores, solos, pans, mutes e outros recursos do canal, incluindo automação, aplicados à reverberação.

Quando o reverb deve ser sutil e onde ele funciona melhor?

A sugestão mais fundamental sobre o uso do reverb é que ele não pode ser explícito: a reverberação deve, a princípio, apenas situar os instrumentos na mixagem, pois, quando "escancarada", pode soar piegas ou "brega" — embora essa seja uma escolha estética válida em alguns casos. É preciso cuidado especial com os "esses" sibilantes, o que pode ser atenuado com valores maiores de HFC do preset, principalmente em processadores mais baratos, cujos agudos soam mais artificiais.

O uso de reverb em bumbos de bateria e contrabaixos merece atenção especial, pois a frequência grave não é das mais fáceis de ser assimilada pelo ouvido humano, e o reverb pode realçar essa falta de transparência. Como a reverberação afasta a fonte do ouvinte, é bem-vinda em backing vocals, solos de guitarra, caixas e tons de bateria. A voz, especialmente em canções pop, exige um ajuste superfino de tipo e quantidade de reverb, sendo recomendável ouvir o resultado final em diversas caixas acústicas para confirmar que o efeito não está sobrando.

Não é recomendável gravar instrumentos já com o efeito aplicado, pois na mixagem esse reverb registrado pode não ser compatível com o do processador, e não será possível retirá-lo depois. Em música erudita, aconselha-se usar o mesmo tipo de reverb para todos os instrumentos; em estilo pop, é comum usar vários processadores, até de marcas diferentes, na mesma canção.

Como calcular o delay ideal em relação ao BPM de uma música?

O delay simples costuma estar associado ao tempo de uma música, frequentemente no tempo da colcheia ou da semicolcheia, mas também pode estar no tempo da semínima ou de alguma tercina, valorizando a expressão musical. Um tempo de atraso na colcheia permite suavizar o groove de uma canção, e variações de delay com tempos diferentes podem deixar o groove mais suave ou mais agressivo.

É fácil descobrir o atraso, em milissegundos, para a semínima, especialmente quando o valor do tempo em BPM está disponível na tela, como ocorre em sequências: basta dividir 60.000 pelo tempo da música.

Perguntas frequentes sobre reverb

O que é reverb?

O reverb é considerado o mais importante e necessário efeito em uma produção de áudio. É o resultado da somatória de vários sinais com tempos de delay diferentes (reflexões difusas) com o som original, recriando eletronicamente um espaço tridimensional.

Qual a diferença entre delay e reverb?

O delay é um equipamento que recebe um sinal e o reproduz após um intervalo de tempo, geralmente entre um e mil milissegundos. O reverb é a somatória de vários sinais com tempos de delay diferentes com o som original, formando reflexões difusas que simulam um ambiente.

Como calcular o delay em relação ao BPM de uma música?

Basta dividir 60.000 pelo tempo da música em BPM para descobrir o atraso, em milissegundos, correspondente à semínima.

Quais são os principais tipos de reverb?

Os principais tipos são Hall (sonoridade de sala de concertos), Plate (mais brilhante), Room (ambientes menores), Reverse (reproduzido de trás para frente) e Gated Reverb (intenso por um período e depois cortado).

É recomendável gravar instrumentos já com reverb aplicado?

Não. No processo de mixagem, o reverb já registrado pode não ser compatível com o do processador, e uma vez gravado não será possível retirá-lo.

Em quais instrumentos o reverb é mais bem-vindo?

Como a reverberação afasta a fonte do ouvinte na mixagem, é bem-vinda em backing vocals, solos de guitarra, caixas e tons de bateria. Já em bumbos de bateria e contrabaixos merece atenção especial, pois pode realçar a falta de transparência das frequências graves.

Este conteúdo foi útil?
Leia também
Korg B1 Korg B1
11 de maio de 2016
Sintetizadores virtuais Sintetizadores virtuais
6 de maio de 2016
Front 242 - Os inventores da EBM Front 242 - Os inventores da EBM
3 de maio de 2016
Síntese FM: poderosa e versátil Síntese FM: poderosa e versátil
20 de abril de 2016

Instrumentos relacionados a este conteúdo

Deixe seu comentário
Seu e-mail não será publicado
Deixe seu comentário
Amarildo Grotto
29 de abril de 2016
Excelente artigo! A Teclacenter está de parabéns!
Reply
Receba nossas novidades chevron-down