O ensino de música é obrigatório nas escolas brasileiras por lei sancionada em maio de 2016, mas quatro anos depois a maioria das escolas — sobretudo da rede pública — ainda não oferece a disciplina.
O que diz a lei sobre o ensino de música nas escolas
A mais recente legislação sobre o tema, que inclui a música no currículo obrigatório, é de maio de 2016. Além da música, dança, teatro e artes visuais também são matérias obrigatórias nas escolas brasileiras. Ainda assim, muitas escolas país afora não adaptam o currículo para oferecer essas aulas.
Apesar da lei já sancionada, os estados se recusam a oferecer esse tipo de opção para os alunos, principalmente aqueles que estudam em redes públicas. Crianças que têm contato com a música durante a escola, mesmo sem seguir carreira artística, aprendem a ler partitura, desenvolvem coordenação motora e outras habilidades que podem ser benéficas no futuro.
O que poucas pessoas sabem é que a música pode ser muito benéfica para as crianças, independentemente da idade. Muitos pais imaginam que só devem incentivar o filho a ter contato com a música quando ele apresenta interesse ou vocação — mas o estímulo dos pais é fundamental para o desenvolvimento e para despertar um talento que a própria criança ainda desconhece.
Por que a escola deveria oferecer o ensino de música
Existem diversos motivos para a escola e o governo investirem no ensino de música para as crianças, e eles vão muito além de desenvolver um talento. Para uma criança em fase de descoberta de gostos e hobbies, a música traz benefícios que podem ser mantidos pelo resto da vida e ajudam a evoluir como adulto.
- Ensina de forma lúdica e divertida, aumentando o desempenho do aluno tanto na aula de instrumentos quanto nas demais matérias da escola.
- Reflete contextos históricos e insere os alunos dentro da cultura local e regional.
- Favorece a integração e a interação entre os alunos, ensinando a criança a trabalhar com outras pessoas.
- Pesquisas apontam que a música pode melhorar a leitura e a compreensão de textos, além de ajudar em questões de matemática.
- Estimula novas habilidades e formas de expressão, mesmo fora do ramo musical.
- Melhora a coordenação motora da criança após o início do contato com os instrumentos musicais.
Além desses benefícios, existem muitos outros vindos do ensino de música em uma escola. Esse é um dos grandes motivos para que esse estilo de ensino seja levado em consideração.
Quais são as maiores dificuldades das escolas para implementar a lei?
O ensino brasileiro ainda apresenta desvalorização da arte nas escolas, o que acaba levando à exclusão desse tipo de atividade do currículo escolar da criança. A área das artes, onde a música está incluída, ainda é vista como algo supérfluo no sistema educacional brasileiro, que parte do princípio de que ela está próxima à recreação.
Esse tipo de pensamento é comum entre quem ainda não conhece os benefícios que a música pode trazer. Por falta de incentivo dos órgãos públicos, os pais que desejam que os filhos tenham contato com a música acabam optando por aulas em escolas particulares, o que pode custar um valor alto para algumas famílias.
O preconceito com as artes é tanto que, até o século XX, andar com um violão na rua poderia se tornar caso de polícia no Brasil, por ser considerado crime de vadiagem. O desinteresse do governo com o ensino da música nas escolas também resulta em falta de verba, um dos grandes motivos para essa ausência de atividade.
Sem aulas de música, a economia também sofre
A falta de vontade política para investir e aplicar as leis afeta o mercado da música economicamente, apesar de muitos não imaginarem isso. Quando uma criança não tem contato com a música, dificilmente conseguirá aprimorar suas habilidades, o que a levará a nunca ser um artista ou músico de sucesso.
Sem formação musical para empregar músicos, produtores, iluminadores, atores e outros profissionais da arte, a economia do país acaba sendo afetada pela falta de mão de obra. Apesar de terem se passado quatro anos desde o surgimento da lei, hoje quase não encontramos candidatos a cargos políticos interessados em explorar essa área.
A iniciativa privada como alternativa
Já que as escolas acabam não oferecendo aulas de música para as crianças, pessoas que se interessam por essa área e conhecem seus benefícios criam iniciativas privadas para servir de opção. A iniciativa privada nada mais é do que as escolas de música que costumamos encontrar em alguns bairros da cidade.
O lado negativo é que essas escolas não são públicas — ou seja, é preciso que as famílias paguem pelas aulas de canto ou de instrumentos musicais. Nem todos os pais cujos filhos se interessam pela música podem pagar por essas escolas, e esse é o motivo pelo qual o governo estabeleceu a lei do ensino na rede pública.
Perguntas frequentes sobre o ensino de música nas escolas
O ensino de música é obrigatório nas escolas brasileiras?
Sim. A mais recente legislação sobre o tema, que inclui a música no currículo obrigatório, é de maio de 2016. Além da música, dança, teatro e artes visuais também são matérias obrigatórias nas escolas brasileiras.
Quais benefícios a música traz para as crianças na escola?
Crianças que têm contato com a música aprendem a ler partitura e desenvolvem coordenação motora. A música também melhora leitura e compreensão de textos, ajuda em matemática, favorece integração entre alunos, insere a criança na cultura local e regional e estimula novas formas de expressão.
Por que a lei ainda não “pegou” nas escolas públicas?
Porque o ensino brasileiro ainda desvaloriza a arte, vista como algo supérfluo e próximo da recreação. Some-se a isso o desinteresse do governo, que resulta em falta de verba — um dos grandes motivos para que essa atividade não aconteça na prática.
Como os pais podem contornar a ausência de aulas de música na escola?
Podem recorrer à iniciativa privada, ou seja, às escolas de música encontradas em alguns bairros da cidade. O lado negativo é que essas escolas cobram pelas aulas de canto e de instrumentos, o que pode custar um valor alto para algumas famílias.
A falta de ensino de música afeta a economia?
Sim. Sem formação musical para empregar músicos, produtores, iluminadores, atores e outros profissionais da arte, a economia do país acaba sendo afetada pela falta de mão de obra qualificada nesse mercado.









