Quem é Daniel Latorre?
Daniel Latorre é organista e pianista nascido em São Paulo. Desde jovem, estudou piano erudito com professores como Lucia Latorre, Lina Pires de Campos e Flávio Varani, além da pianista Maria Thereza Russo, aluna de Magdalena Tagliaferro.
Começou a carreira na música popular ainda adolescente, tocando em pubs e clubes de São Paulo. Latorre estudou órgão com o organista de blues norte-americano Deacon Jones — aluno de Jimmy Smith e também band leader e organista de John Lee Hooker, Freddie King e outros músicos. Conheceu diversos organistas norte-americanos e recebeu instruções de Jimmy Smith a Reuben Wilson.
Com quais artistas Daniel Latorre já tocou?
Entre gravações, participações e shows, Daniel Latorre já tocou com nomes de diferentes gêneros da música brasileira e internacional. A lista inclui:
- Ian Paice (Deep Purple)
- Andy Summers (Police)
- Deacon Jones
- Eddie C. Campbell
- Paulo Zinner
- Caetano Veloso
- Rita Lee
- Sepultura
- Paralamas do Sucesso
- Marcelo Belloto
- Lee Marcucci
- Luiz Carline (Tutti-Frutti)
- Beto Lee
- Rolando Castello Jr
- André Moraes
- Marcos Ottaviano
- Dany Vincent
- André Matos
- Dada Cirino
- Bina Coquet
- Big Chico
- André Christovam
- Tutti Baê
- Boccato
- Graça Cunha
- Frejat
- Titãs
- Bi Ribeiro
- P.A e Fernando Deluqui (RPM)
- Faíska
De onde vem o nome e o repertório do Hammond Grooves?
O nome Hammond Grooves foi inspirado nos grandes organistas do repertório soul e jazz que mudaram a história da música. Entre eles estão:
- Jimmy Smith
- Jack McDuff
- Dr. Lonnie Smith
- Reuben Wilson
- Big John Patton
- Melvin Rhyne
- Larry Young
- Walter Wanderley
- Jimmy McGriff
Usando essa linguagem musical, o Hammond Grooves cria temas próprios que mesclam jazz com ritmos brasileiros como maracatú, samba, baião e frevo, presentes em composições como Samba na Rede, Funktaztic, Água de Coco, Payperview, Varanda e Chá-com-bolo. Nas apresentações, além das autorais, o trio interpreta músicas conhecidas nesta formação chamada organ trio (órgão Hammond, bateria e guitarra).
O que atraiu Daniel Latorre ao órgão Hammond?
Segundo Daniel Latorre, o interesse pelo Hammond começou pelo rock que já usava o instrumento e foi reforçado por uma descoberta técnica: o sustain infinito, que ele considera surreal para um pianista.
Muita coisa. Eu curtia rock and roll, que já tinha o Hammond presente: Deep Purple, Focus, ELP, todo mundo usava. Era o único teclado disponível, até mesmo antes dos synths. O primeiro disco do Yes tem um dos timbres de Hammond mais bonitos que já ouvi. Aí associei o instrumento à sonoridade. Mas há uma coisa técnica, que eu não sabia na época e só depois fui entender, que me fascinou: o sustain infinito. Para um pianista, o sustain infinito é algo surreal. Você toca uma nota e ela nunca vai acabar. Isso possibilitava outras coisas, uma expressividade maior, um jeito diferente de me expressar. E eu me encontrei e decidi que tinha que aprender a tocar.
Como foi o aprendizado do Hammond?
Daniel Latorre diz que o aprendizado do Hammond nunca parou e que começou de forma autodidata, já que não havia, na época, quem ensinasse o estilo que ele buscava.
É até hoje. Não parei. A cada dia eu aprendo uma coisa com o Hammond, seja uma possibilidade ou uma sonoridade. Me acho muito aluno, sempre. E cada dia descubro um negócio com os caras com quem eu toco, que me mostram possibilidades musicais diferentes. Então, continuo aprendendo. Comecei autodidata, porque não havia realmente quem ensinasse esse estilo de Hammond que toco. Na época, muitos organistas que ficaram famosos na década de 1970 não estavam mais vivos. E os que estavam tocavam em outro estilo, que não era o que eu queria. Então, nem cheguei neles, nem conhecia. Fui conhecer alguns mais tarde, como o Renato (Mendes), mas era outro estilo que não me interessava. Eu ia atrás dos caras que vinham de fora. Eu era moleque e ficava enchendo o saco, até que os caras falavam: vou dar uma chance pra esse cara, vem cá, isso aqui funciona assim, entendeu? Tchau. Eu ficava com aquilo na cabeça e não tinha onde praticar. Descobri que eu tinha que ter um órgão Hammond para poder estudar. E isso levou anos. Não havia os clonewheels, como o SK-1, XK-3 e SK-2. Nem mesmo de outras marcas.
Qual é a história do Hammond B3 de Daniel Latorre?
O órgão de Daniel Latorre é do último ano de fabricação, 1974, e foi encontrado durante um festival de jazz em Asunción, onde ficou parado por 25 anos antes de ser comprado e restaurado.
Do último ano de fabricação, 1974. Este órgão me achou. Fui fazer um festival de jazz em Asunción, e lá os Hammonds praticamente morreram. Só importavam órgãos para igrejas. Manoel Bernardes, locutor, celebridade da mídia, que nos levou para fazer o show lá, trabalhava em uma rádio. E havia, encostado numa parede do estúdio, este B3. Não estava funcionando há 25 anos. Um tempo depois, voltei e fiz uma proposta para o dono. Comprei o instrumento e fiquei cinco anos restaurando, porque estava em péssimo estado. Demorou bastante, gastei bastante, mas hoje ele está aqui e faz o que foi feito pra fazer.
Como é a manutenção de um Hammond B3?
Para Daniel Latorre, a manutenção de um Hammond em perfeito estado é baixa, mas chegar a esse estado por meio de restauração é que é caro e trabalhoso.
O grande lance não é a manutenção. A manutenção é baixa, mas a restauração é cara. Ele em condição de concerto, ou seja, em perfeito estado, requer manutenção baixíssima, apesar de ele ser valvulado. O difícil é chegar no perfeito estado. Se for carregado de um lado para outro, requer cuidado maior. Mas se for colocado em uma casa ou estúdio, pode deixar ele lá, porque é pau-pra-toda-obra. Isso não estraga. Existem Hammonds fabricados em 1940 que funcionam até hoje, com pouca manutenção. É uma máquina maravilhosa. Foi feito para durar, coisa que não existe mais em instrumentos musicais. Era outra época.
https://www.youtube.com/watch?v=O1oqexaGXFY
Por que o interesse pelo Hammond cresceu nos últimos anos?
Segundo Daniel Latorre, o Hammond nunca deixou de ser usado na música, mas o que mudou foi a dificuldade prática de levar um instrumento pesado para a estrada, o que abriu espaço para os sintetizadores e, mais tarde, para uma busca por identidade sonora.
Sim, mas o Hammond, na verdade, nunca morreu. Se pegarmos a indústria da música, não de instrumentos musicais, ele sempre esteve presente, ora mais, ora menos, mas nunca saiu de cena. O que saiu de cena foi, na prática, ter que levar um instrumento de 350 quilos. Isso realmente é um problema, se você pensar que um guitarrista leva um pequeno amplificador e o organista tem que levar uma Leslie de 90 quilos. Então, começou a ficar desinteressante para levar um Hammond para a estrada, a não ser que haja uma boa estrutura para isso. O mesmo aconteceu com os sintetizadores. O retorno disso se deu à exaustão nos workstations. Tem som de tudo, até de avião. É legal pra caramba, mas, conforme você vai tocando, descobre que não há identidade sonora. Todo mundo soa igual. Por mais que o músico toque bem, vai ser apenas a técnica mecânica que vai sobressair. Aí, ele começa a sentir necessidades. Senta em um piano e fala: nossa, como soa diferente. Senta em um Rhodes: putz! Ao mesmo tempo, alguns teclados são eternos, como, por exemplo, o DX7, o Prophet, o Moog. Não há como fugir deles em termos de sonoridade. Há variações sobre elas. E o Hammond está entre eles. Imagine que loucura era criar esses instrumentos e, hoje, tudo estar condensado em bits e bytes com tecnologia insuficiente para reproduzir aquilo tudo. Chegou à exaustão. Não acredito que deva ser radical: uma coisa é referência e outra coisa é a tecnologia. Se o músico souber trabalhar com os dois, ele tem o melhor dos mundos. O que discuto muito é que a galera perdeu a referência. E isso é muito triste, porque quem não tem referência aceita qualquer coisa. Tendo referência, o público que ouve fica mais exigente, assim como quem toca. E a tecnologia está aí a nosso serviço, então tem que abraçar essa exigência. Essa volta é fantástica porque exige que os fabricantes de instrumentos sejam mais exigentes.
Perguntas frequentes sobre Daniel Latorre e o Hammond Grooves
Quem faz parte do Hammond Grooves?
O Hammond Grooves é formado por Daniel Latorre no órgão, Wagner Vasconcelos na bateria e Filipe Galadri na guitarra, na formação conhecida como organ trio.
De que ano é o órgão Hammond de Daniel Latorre?
É do último ano de fabricação da Hammond, 1974. O instrumento foi encontrado em um estúdio de rádio em Asunción, onde estava parado havia 25 anos, e depois comprado e restaurado ao longo de cinco anos.
Com quais organistas Daniel Latorre estudou ou teve contato?
Ele estudou órgão com Deacon Jones e recebeu instruções de Jimmy Smith a Reuben Wilson. Também conheceu outros organistas norte-americanos ao longo da carreira e cita Renato (Mendes) como um organista que conheceu mais tarde.
Quais ritmos brasileiros o Hammond Grooves incorpora ao repertório?
O grupo mescla o jazz com ritmos brasileiros como maracatú, samba, baião e frevo, presentes em composições próprias como Samba na Rede, Funktaztic, Água de Coco, Payperview, Varanda e Chá-com-bolo.
A manutenção de um Hammond B3 é cara?
Segundo Daniel Latorre, a manutenção em si é baixa quando o órgão está em perfeito estado de concerto, mas chegar a esse estado por meio de restauração costuma ser caro e demorado.
Por que ficou mais difícil levar um Hammond para tocar ao vivo?
Porque o instrumento pesa 350 quilos e a caixa Leslie que o acompanha pesa 90 quilos, o que torna o transporte para shows fora de uma estrutura fixa mais complicado, segundo Daniel Latorre.









