Os nove drawbars do Hammond controlam nove geradores de tons e permitem cerca de 253 milhões de combinações de timbre; o percussivo, presente nos modelos C3 e B3, acrescenta um ataque semelhante a harpa, xilofone ou marimba.
Um dos grandes prazeres de tocar um órgão com drawbars é puxar e empurrar essas barras e modificar o timbre quando se quer. E os grandes mestres do Hammond fazem isso com muita criatividade
Como funcionam os nove drawbars do Hammond
Nove drawbars (ou tonebars), com nove ajustes — o primeiro zerando e os outros oito aumentando gradativamente o volume de nove geradores de tons — são os recursos que um músico tem nas mãos para criar aproximadamente 253 milhões de timbres diferentes em um órgão Hammond. Mas não é só isso: muitas das possibilidades de expressão do órgão são por conta justamente das imperfeições, dos ruídos causados por seu mecanismo, pelos múltiplos contatos das teclas para disparar as “agulhas” que “pinçam” os tonewheels. Alguns modelos de Hammond (séries H e X) foram lançados com onze drawbars, permitindo adição de tons mais agudos, mas o conjunto de nove foi o que ficou padronizado no célebre modelo B3.
[caption id="attachment_11281" align="aligncenter" width="2903"] A marcação dos drawbars representa o comprimento em polegadas do tubo de um órgão que o gerador de tom simula.[/caption]
Os três grupos de drawbars e suas cores
Os drawbars podem ser divididos em três grupos, que se distinguem também pela cor da barra. Cada grupo cumpre um papel específico na formação do timbre final do Hammond.
- Sub — os dois primeiros, que geram tons inferiores à tônica.
- Fundamentais — os quatro seguintes, que criam o componente principal do som.
- Brilho — os três finais.
Quanto às cores: os marrons estão abaixo da fundamental, os brancos estão no mesmo tom da fundamental, mas uma, duas ou três oitavas acima, e os pretos são os harmônicos.
Por que o Hammond se comporta como instrumento de sopro
Um dos grandes prazeres de tocar um órgão com drawbars é puxar e empurrar essas barras e modificar o timbre quando se quer. E os grandes mestres do Hammond fazem isso com muita criatividade. Nesse aspecto, o órgão funciona muito mais como um instrumento de sopro do que como um instrumento de martelos batendo em cordas. Diferentemente de um piano — em que a variação de timbre se faz somente com o toque dos dedos nas teclas —, no Hammond clássico, que não possui teclas sensíveis ao toque, é a adição e subtração de tons, mais a aceleração dos falantes da caixa Leslie, que cria expressão.
Não se pode esquecer que, a princípio, o objetivo de Laurens Hammond era simular, de maneira mais portátil e barata para as igrejas, um órgão de tubos, uma máquina que gera sons por meio do movimento de ar por tubos com características de instrumentos de sopro, como flautas, clarinetes, oboés etc.
O percussivo dos modelos C3 e B3
O percussivo é um recurso que surgiu nos modelos C3 e B3 e que acrescentou um ataque ao timbre, como de harpa, xilofone ou marimba. Os chamados segundo e terceiro percussivos têm um rápido “decay”, deixando que o tom dos drawbars continue soando enquanto as teclas estiverem pressionadas. O percussivo só é disparado novamente depois que todas as teclas tiverem sido soltas. Desse modo, se pelo menos uma tecla continuar presa, as que forem tocadas depois não gerarão percussivos. Esta é outra característica que imprime à performance do órgão um recurso bem interessante: pode-se separar, tocando com uma mesma mão, linha de melodia de linha de acompanhamento.
Ajustes do percussivo e registrações clássicas
O percussivo pode ser ajustado com volume maior ou menor (“soft”), e em seu “decay”, curto (“short”) ou longo. É muito comum o organista se guiar, na hora de ajustar os drawbars, não pelos números, mas pelo “shape” (forma) das barras quando puxadas. Desse modo, uma registração pode receber o nome de meia lua (“half moon”) quando for ajustada em 004555554, por exemplo. Seguem algumas sugestões de registrações clássicas, com drawbars nos ajustes máximos, mas qualquer variação imprimirá ao timbre a marca pessoal do organista. (José Osório de Souza)
Perguntas frequentes
Quantos timbres diferentes um Hammond pode produzir?
Com nove drawbars e nove ajustes cada — o primeiro zerando e os outros oito aumentando gradativamente o volume dos nove geradores de tons — é possível criar aproximadamente 253 milhões de timbres diferentes em um órgão Hammond.
Existiram Hammonds com mais de nove drawbars?
Sim. Alguns modelos das séries H e X foram lançados com onze drawbars, permitindo a adição de tons mais agudos. Ainda assim, o conjunto de nove foi o que ficou padronizado no célebre modelo B3.
Em quais modelos surgiu o recurso percussivo?
O percussivo surgiu nos modelos C3 e B3. Ele acrescenta um ataque ao timbre, semelhante ao de harpa, xilofone ou marimba, e conta com segundo e terceiro percussivos, ambos com “decay” rápido.
Como o percussivo se comporta ao tocar várias teclas?
O percussivo só é disparado novamente depois que todas as teclas tiverem sido soltas. Se pelo menos uma tecla continuar presa, as que forem tocadas depois não gerarão percussivos, o que permite separar linha de melodia e de acompanhamento com uma mesma mão.
O que significa a registração “half moon” (meia lua)?
É comum o organista se guiar pelo “shape” (forma) das barras puxadas em vez dos números. A registração meia lua (“half moon”) corresponde, por exemplo, ao ajuste 004555554.









