Drawbars e Percussivos

Drawbars e Percussivos


Um dos grandes prazeres de tocar um órgão com drawbars é puxar e empurrar essas barras e modificar o timbre quando se quer. E os grandes mestres do Hammond fazem isso com muita criatividade

Nove drawbars (ou tonebars), com nove ajustes – o primeiro zerando e os outros oito aumentando gradativamente o volume de nove geradores de tons – são os recursos que um músico tem nas mãos para criar aproximadamente 253 milhões de timbres diferentes em um órgão Hammond. Mas não é só isso: muitas das possibilidades de expressão do órgão são por conta justamente das imperfeições, dos ruídos causados por seu mecanismo, pelos múltiplos contatos
das teclas para disparar as “agulhas” que “pinçam” os tonewheels. Alguns modelos de Hammond (séries H e X) foram lançados com onze drawbars, permitindo adição de tons mais agudos, mas o conjunto de nove foi o que ficou padronizado no célebre modelo B3.

 

TABELA

A marcação dos drawbars representa o comprimento em polegadas do tubo de um órgão que o gerador de tom simula.

 

Os drawbars podem ser divididos em três grupos: os sub são os dois primeiros, que geram tons inferiores à tônica;
os fundamentais, os próximos quatro, que criam o componente principal do som; os de brilho são os três finais. Os marrons estão abaixo da fundamental, os brancos estão no mesmo tom da fundamental, mas uma, duas ou três oitavas acima, e os pretos são os harmônicos.

drawbars_explained

Um dos grandes prazeres de tocar um órgão com drawbars é puxar e empurrar essas barras e modificar o timbre quando se quer. E os grandes mestres do Hammond fazem isso com muita criatividade. Nesse aspecto, o órgão funciona muito mais como um instrumento de sopro do que como um instrumento de martelos batendo em cordas. Diferentemente  de um piano – em que a variação de timbre se faz somente com o toque dos dedos nas teclas -, no Hammond clássico, que não possui teclas sensíveis ao toque, é a adição e subtração de tons, mais a aceleração dos
falantes da caixa Leslie, que cria expressão.

Não se pode esquecer que, a princípio, o objetivo de Laurens Hammond era simular, de maneira mais portátil e barata para as igrejas, um órgão de tubos, uma máquina que gera sons por meio do movimento de ar por tubos com características de instrumentos de sopro, como flautas, clarinetes, oboés etc.

 

O percussivo

O percussivo é um recurso que surgiu nos modelos C3 e B3 e que acrescentou um ataque ao timbre, como de harpa, xilofone ou marimba. Os chamados segundo e terceiro percussivos têm um rápido “decay”, deixando que o tom dos drawbars continue soando enquanto as teclas estiverem pressionadas. O percussivo só é disparado novamente depois que todas as teclas tiverem sido soltas. Desse modo, se pelo menos uma tecla continuar presa, as que forem tocadas depois não gerarão percussivos. Esta é outra característica que imprime à performance do
órgão um recurso bem interessante: pode-se separar, tocando com uma mesma mão, linha de melodia de linha de acompanhamento.

O percussivo pode ser ajustado com volume maior ou menor (“soft”), e em seu “decay”, curto (“short”) ou longo. É muito comum o organista se guiar, na hora de ajustar os drawbars, não pelos números, mas pelo “shape” (forma) das barras quando puxadas. Desse modo, uma registração pode receber o nome de meia lua (“half moon”) quando for ajustada em 004555554, por exemplo. Seguem algumas sugestões de registrações clássicas, com drawbars nos ajustes máximos, mas qualquer variação imprimirá ao timbre a marca pessoal do organista. (José Osório de Souza)

 

exemplo 1

exemplo 2

 

exemplo 3

exemplo 4

 

exemplo 5

 

 

 

 

 

 

 

 

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