Concurso Osvaldo Lacerda

Concurso Osvaldo Lacerda


foto-Osvaldo1Com o objetivo de manter viva a obra do compositor Osvaldo Lacerda, o Centro de Música Brasileira está promovendo um concurso internacional de interpretação pianística que vai distribuir R$ 60 mil em prêmios. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até 10 de novembro pelo site www.concursoosvaldolacerda.com.br.

O concurso acontecerá de 3 a 6 de dezembro na Academia Paulista de Letras, em São Paulo. Na ocasião, serão distribuídos R$ 30 mil para o primeiro colocado, R$ 20 mil para o segundo e R$ 10 mil para o terceiro. Além da premiação em dinheiro, os laureados terão o direito de apresentar recitais em importantes espaços culturais do país.

Idealizado pela pianista Eudóxia de Barros, viúva de Osvaldo Lacerda, o concurso pretende divulgar mundialmente a obra para piano escrita pelo compositor, que é reconhecido como um dos principais representantes da escola nacionalista no Brasil. Em entrevista à revista Teclas & Afins, a pianista falou sobre o concurso e o compositor.

Como surgiu a ideia do concurso?
Há muitos anos, o Osvaldo estava querendo fazer um concurso de suas obras para piano, porque achava que os professores não indicavam as músicas dele a seus alunos por causa da dificuldade. Posso dizer que algumas obras para piano são geniais, mas mesmo assim ele achava que eram deixadas de lado e se magoava muito com isso. Ele pretendia fazer esse concurso, mas o fim da vida dele foi uma avalanche de doenças e muito dinheiro foi gasto com médicos, cuidadores e tratamentos. E não havia verba sobrando. Após a morte do Osvaldo, certa ocasião, um aluno dele, o Dr. Fernando Cupertino, esteve aqui em casa procurando uma música para tocar e teve acesso a todo o acervo. Ficou encantado e até mesmo comovido de ver a maravilha de acervo de tudo que o Osvaldo havia acumulado em sua vida. Ele achou que aquilo deveria ser exposto ao público. Por ideia e encaminhamento dele, que havia sido Secretário da Saúde do Estado de Goiás há alguns anos e tinha vários contatos políticos, trabalhamos junto à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para que comprasse esse acervo. O Secretário Marcelo Mattos Araújo foi extremamente acessível e gostou muito da ideia. Até pretendíamos que o imóvel também fosse comprado, com todo o acervo dentro, para que se tornasse uma casa de cultura. Minha ideia era a seguinte: na rua paralela à que moro, existe a casa de Guilherme de Almeida, então a região poderia se tornar, em longo prazo, um point cultural, com duas casas de cultura vizinhas. Mas essa parte não foi aceita, apenas o acervo. Foi um processo de quase dois anos, até que finalmente, em outubro do ano passado, a importância estipulada foi liberada e, então, imediatamente, pus mãos à obra para dar início à divulgação do concurso.

Esse acervo ficou sendo propriedade do Governo do Estado de São Paulo?
Sim. E foi para a OSESP. Foram os técnicos da OSESP que fizeram a seleção e levaram tudo o que fosse referente ao Osvaldo em relação a livros, CDs, DVDs, partituras etc. A condição primordial é que cedêssemos integralmente a obra manuscrita dele. Então não tenho mais nada comigo, apenas algumas poucas peças que toco. O acervo todo está digitalizado pela Academia Brasileira de Música. Então, qualquer músico que queira uma partitura de Osvaldo Lacerda pode acessar o site da instituição e solicitá-la.

Qual o principal objetivo do concurso?
Divulgar a obra de Osvaldo Lacerda. Que os músicos conheçam a obra pianística dele, que é de muito boa qualidade, com algumas peças verdadeiramente geniais.

Como está sendo a organização?
Em primeiro lugar tivemos que fazer uma cotação de preços de impressos e demais materiais. Tive muita sorte porque fui encaminhada ao departamento de comunicação do Conservatório de Tatuí que me poupou muito serviço e fez um trabalho brilhante. Todo o material está pronto, cartazes e regulamentos, de muito bom gosto. Então agora,
estamos no processo de divulgação. Todas as informações estão no site. Vai haver também um prêmio da Academia
Brasileira de Música: um concerto no Rio de Janeiro, somente de música brasileira, obviamente, na Sala Cecília Meireles, se o vencedor for brasileiro. Essa cláusula foi ideia da Academia.

Qual a importância da obra de Osvaldo Lacerda?
Osvaldo era muito didático. As “Brasilianas”, por exemplo, tem uma finalidade didática. Cada uma delas apresenta quatro ou cinco peças com um tipo de dança ou estilo brasileiro, como valsa, baião, dobrado, choro, para que o aluno vá pouco a pouco adentrando a música brasileira e conhecendo vários gêneros. Mesmo em obras mais sofisticadas – como os estudos, que ele compôs 12 –, por trás de toda a dificuldade técnica se pode perceber, como fundamento, uma modinha ou outro gênero brasileiro, obviamente trabalhado de forma a apresentar o desafio técnico. É notável isso. Ele sempre pensou em música brasileira.

Como é a aceitação da música de Osvaldo Lacerda fora do Brasil?
Muito boa. Já tive oportunidade de interpretá-las fora do País em várias ocasiões e, inclusive, chegam a me pedir partituras de obras dele. Antes da digitalização, era muito complicado enviar. Atualmente, estando tudo no site da Academia Brasileira de Música, todos Recitais: ênfase para a música brasileira têm acesso.

 

 

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