O MIDI é um protocolo de comunicação digital entre instrumentos musicais, criado em 1983 após um encontro entre Roland, Yamaha, Korg, Kawai e Sequential, que substituiu os antigos sistemas analógicos por tensão elétrica e permitiu a troca de comandos — não de áudio — entre equipamentos e computadores.
Conheça o protocolo que mudou radicalmente o mundo musical e contribuiu para a descoberta de novas formas de fazer música e se relacionar com elaComo os instrumentos se comunicavam antes do MIDI?
Nos anos 60 e 70, época de tecnologia essencialmente analógica, já existia um padrão que permitia a comunicação entre dois equipamentos por meio de tensão elétrica. Ao pressionar uma tecla, a tensão gerada acionava a mesma nota em outro instrumento, tornando possível misturar sons.
Cada nota (tecla) possuía sua tensão correspondente e o aumento da tensão em 1 volt fazia o instrumento responder uma oitava acima. Um bom exemplo é o famoso Moog com seus sistemas modulares, em que vários osciladores (geradores de onda) podiam ser controlados ao mesmo tempo por uma única tecla.
Esse sistema, porém, só funcionava com instrumentos monofônicos (que reproduzem apenas uma nota por vez). Se fosse preciso transmitir várias notas ao mesmo tempo, seria necessário um cabo para cada nota, o que era inviável.
Quando e como o MIDI foi criado?
Com o surgimento dos sintetizadores polifônicos no final dos anos 70, que já incorporavam microprocessadores digitais para a geração de sons, surgiu a ideia de criar algum tipo de transferência digital de dados entre os instrumentos e, até mesmo, com o computador.
O primeiro instrumento musical com interface MIDI comercializado foi o Prophet-600, lançado em dezembro de 1982 pela Sequential Circuits. Isso ocorreu antes mesmo da publicação da MIDI specification 1.0, a especificação dos comandos do padrão MIDI definida após um encontro no Japão, em 1983, entre membros da Roland, Yamaha, Korg, Kawai e Sequential.
Essa especificação vem sendo ampliada até hoje, com a inclusão de novos comandos, servindo de base tecnológica para novos protocolos como o XMIDI e os padrões DLS e NIFF.
Como funciona a conexão MIDI entre dois teclados?
A aplicação mais simples do MIDI se dá quando se conecta um teclado controlador (mestre) a outro (receptor ou escravo), a fim de obter a soma dos sons dos dois instrumentos para criar um terceiro timbre.
Muitas pessoas se confundem e acham que o som do teclado controlador, quando tocado, sairá pelos outputs (saídas) do receptor — o que, na verdade, não acontece. Cada instrumento envia seu som separadamente por suas respectivas saídas, sendo necessário utilizar um mixer para ouvir ambos os teclados.
O sistema MIDI não envia áudio, mas comandos digitais. Todos os eventos que o músico executa no teclado controlador são enviados pelo conector MIDI OUT para a entrada do teclado escravo MIDI IN, que decodifica as informações e as transmite ao instrumento.
O teclado receptor recebe os comandos e os executa como se tivessem sido tocados no próprio instrumento. Alguns comandos não existentes no equipamento, como a alavanca de pitch bend em um piano digital, não podem ser executados ali fisicamente, mas o instrumento recebe essa informação e a executa quando vinda de um teclado controlador. Com a padronização dos comandos, o MIDI expande sua aplicação para muito além da conexão entre dois teclados.
Onde o MIDI é utilizado atualmente?
Atualmente, esse padrão está implantado em quase todos os equipamentos musicais. Ele é utilizado para troca de timbres, presets, regulagens de parâmetros específicos de cada equipamento, controle de volume, efeitos e sincronismo.
- Teclados e pianos
- Módulos de som
- Baterias
- Guitarras e contrabaixos
- Mesas de som analógicas e digitais
- Periféricos como reverbs e delays
- Gravadores digitais
- Interfaces e softwares para computador
- Equipamentos de vídeo
- Acordeão
Todo um estúdio pode ser interligado via MIDI, pois esse é um sistema muito estável. A produção musical ganhou um forte aliado graças à praticidade de uso, ao pouco espaço que uma música gravada em MIDI ocupa e à facilidade de utilizar um sequencer, seja em um teclado equipado com esse recurso ou por meio de um programa específico no computador (Cakewalk, Sonar, Logic, Cubase etc).
[caption id="attachment_11641" align="alignright" width="300"] Interface MIDI USB Roland UM-ONE mk2[/caption]É possível também confeccionar partituras rapidamente e com muita perfeição, simplesmente tocando a melodia, em lugar de ter que escrever uma música nota a nota. O MIDI contribuiu para o surgimento da era dos samplers (amostras de sons gravadas a partir do instrumento original, como bateria, piano e violinos, e disparadas pelo teclado controlador), imprimindo mais realismo nas produções e substituindo, muitas vezes, o instrumento original.
O que é o SMF (Standard MIDI File)?
Quando se fala em música MIDI, refere-se a um conjunto de comandos gravados num sequenciador que, ao serem executados e transmitidos a uma fonte geradora de som (teclado, módulo ou sintetizador virtual), utilizam os timbres dela para reproduzir a sequência musical.
Esses arquivos se chamam SMF (Standard MIDI File) e foram padronizados de acordo com o sistema MIDI, que possui 16 canais (tracks) de transmissão de dados, um instrumento para cada canal. Desse modo, pode-se executar até 16 timbres diferentes em cada música MIDI.
Dentro do SMF existem ainda:
- Controles de mixagem de volumes
- Efeitos como chorus, reverb e delay
- Posicionamento estéreo (PAN)
- Troca de timbres
- Letra da música
- Fórmula de compasso
- Andamento (tempo)
- Controles específicos para cada equipamento por meio das mensagens exclusivas (SysEx)
Uma das grandes vantagens dos arquivos MIDI é que se pode gravar um SMF utilizando um teclado com sons simples e, depois, reproduzi-lo em um teclado com timbres profissionais, em um sintetizador virtual ou em um sampler. É possível gravar passo a passo ou em tempo real, editar até obter uma execução perfeita, utilizar várias fontes sonoras e compartilhar essa música rapidamente, pois esses arquivos geralmente são muito pequenos.
O que é o General MIDI (GM)?
Para garantir a compatibilidade de instrumentos entre os arquivos SMF, foi criado o General MIDI. O modo GM consiste na padronização de uma lista básica de timbres presente nos instrumentos com essa especificação, com 128 sons listados e pré-configurados.
Cada som ocupa uma posição que não se altera nos equipamentos compatíveis, de modo que o MIDI File (SMF) pode ser reproduzido sem problemas de troca de patches (timbres). Sem essa padronização, poderia ocorrer, por exemplo, de gravar uma guitarra jazz no canal 5 e outro instrumento reproduzir uma flauta, pois o número dos timbres não corresponderia.
A lista foi atualizada com o General MIDI Level 2 (GM2), que atualmente conta com 256 instrumentos e nove kits de bateria. Essa é uma forma de padronizar arquivos MIDI para que sejam tocados em qualquer instrumento compatível, como os MIDI Files da revista Teclado e Áudio. Quando o músico utiliza um teclado próprio e vai reproduzir a sequência no mesmo equipamento, porém, ele pode usar e abusar dos melhores timbres que tiver nos instrumentos.









