Controle de sintetizadores analógicos via MIDI - Parte 1

Sintetizadores e Produção Musical

Controle de sintetizadores analógicos via MIDI - Parte 1

Controle de sintetizadores analógicos via MIDI - Parte 1

Os sintetizadores analógicos da era pré-MIDI, e também a maioria dos modulares analógicos modernos, não foram projetados para o protocolo MIDI: o processo de controle nesses instrumentos é outro, bem diferente do padrão que dominou a música eletrônica nos últimos 30 anos.

[caption id="attachment_12720" align="alignright" width="300"] Bob Moog e o sistema modular no início da década de 1970[/caption]

Por que os sintetizadores analógicos voltaram a fazer sucesso?

A redescoberta das sonoridades dos velhos sintetizadores criou uma movimentação significativa no mercado, tanto em direção aos instrumentos antigos quanto na produção de novos modelos baseados na "velha" tecnologia. Pequenas empresas passaram a oferecer sintetizadores analógicos, modulares ou não.

Grandes fabricantes mundiais também desencavaram projetos de mais de trinta anos e os relançaram no mercado. Entre os envolvidos nesse movimento estão:

  • Grandes fabricantes: Korg, Roland e Yamaha, relançando projetos de mais de trinta anos
  • Projetistas das décadas de 1970/80 que voltaram à atividade: Dave Smith, Roger Linn e Tom Oberheim
  • Fabricantes brasileiros de modulares analógicos: Vinícius Brazil (VBrazil Systems, RJ) e Paulo Santos (Electronic Music Works, SP)
  • Instrumentos artesanais de Arthur Joly (SP)

Essa fase nostálgica tem um pouco de cult, mas também tem muito a ver com características que são peculiares aos sintetizadores analógicos.

O que diferencia a síntese analógica da síntese digital?

No sintetizador analógico, todo o processo de síntese, do início ao fim, acontece no domínio analógico, onde o sinal de áudio está na forma de tensão/corrente trafegando pelos circuitos: o sinal é o próprio sinal.

Em um sintetizador digital, por outro lado, o sinal é gerado e processado na forma de representação numérica – aproximada – do que deveria ser, e só se torna de fato um sinal eletrônico no fim do processo, ao ser convertido no circuito do DAC.

Por que dois sintetizadores analógicos do mesmo modelo soam diferente entre si?

Isso acontece por causa da maneira como os sintetizadores analógicos são construídos, com componentes "discretos", isto é, individualizados: um instrumento sempre soa um pouquinho diferente de outro supostamente igual.

Os circuitos são compostos por uma grande quantidade de componentes, cada qual com suas tolerâncias de valores, que podem reagir diferentemente às variações de temperatura, de alimentação elétrica, e ao próprio sinal. É por isto que exemplares de um mesmo modelo soam muito parecidos, mas não rigorosamente iguais. Já em um instrumento digital, em que os circuitos estão integrados em um ou poucos chips, essas diferenças são absolutamente minimizadas.

AspectoSintetizador AnalógicoSintetizador Digital
Domínio do sinalTensão/corrente real, o sinal é o próprio sinalRepresentação numérica aproximada, convertida em sinal só no DAC
Variação entre exemplares do mesmo modeloSim, por causa dos componentes discretosMinimizada, pois os circuitos estão integrados em um ou poucos chips
Custo-benefício e recursosMenor, sem os mesmos recursos de memorizaçãoMelhor: mais barato, com recursos de memorização e maior polifonia

Por que os instrumentos digitais ainda são mais usados?

Muitos músicos não percebem ou não se importam com as diferenças entre analógico e digital, e é por isso que os instrumentos digitais são mais usados — não apenas porque também produzem sonoridades interessantes, mas certamente porque oferecem um custo-benefício melhor.

Os instrumentos digitais oferecem recursos de memorização, maior polifonia, e, principalmente, são mais baratos. De qualquer forma, a realidade é que os analógicos ressurgiram e vêm ocupando um espaço significativo nos setups dos artistas.

Qual é a principal dificuldade de trazer os sintetizadores analógicos de volta?

A sonoridade analógica é muito legal, mas o retorno ao passado pode trazer algumas dificuldades, principalmente quando algumas coisas já avançaram e se consolidaram. Um dos aspectos que mais evoluíram com a tecnologia digital é a capacidade de controlar coisas a distância.

No caso dos instrumentos musicais, isso foi resolvido há muitos anos com a criação do padrão de comunicação MIDI (Musical Instrument Digital Interface).

O que é o protocolo MIDI e como ele surgiu?

O MIDI foi desenvolvido em conjunto por alguns engenheiros de empresas fabricantes de instrumentos, dentre eles Dave Smith, da Sequential Circuits, e surgiu oficialmente no evento NAMM de 1983, quando um Sequential Prophet 600 e um Roland Jupiter 6 foram interligados e funcionaram juntos via MIDI.

A partir de então, uma nova onda atingiu o cenário musical. O controle por meio do protocolo MIDI viabilizou o uso dos computadores na música, trazendo grandes mudanças nos processos de composição, arranjo e performance. Sua eficiência é inegável, já que, depois de mais de 30 anos, ainda está aí em pleno uso, apesar de ser um protocolo baseado em 8 bits e trafegar a uma velocidade "ridícula" de 31.25 kbps.

A indústria musical, hoje, continua assentada nessa tecnologia, com bilhões de equipamentos no mundo inteiro se comunicando via MIDI. Há mais de três décadas, portanto, nos acostumamos a usar o MIDI em nossos sistemas musicais. De lá para cá, surgiram os equipamentos controladores, com teclado ou não, que permitem ao músico acionar seus instrumentos musicais, equipamentos de áudio e softwares. Há alguns anos, o MIDI também foi incorporado ao protocolo USB, que passou a ser o tipo de conexão principal em vários equipamentos, facilitando a interligação com os computadores.

Qual é o problema de controlar sintetizadores analógicos via MIDI?

O problema é que os sintetizadores analógicos da era pré-MIDI, e também a maioria dos modulares analógicos modernos, não foram projetados para isso. Na verdade, o processo de controle nos synths analógicos é outro, bem diferente. (Miguel Ratton)

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Perguntas frequentes

Por que os sintetizadores analógicos voltaram a fazer sucesso?

Porque houve uma redescoberta das sonoridades dos velhos sintetizadores, o que criou movimentação no mercado tanto na busca por instrumentos antigos quanto na produção de novos modelos baseados na tecnologia analógica, com grandes fabricantes relançando projetos antigos e projetistas históricos voltando à atividade.

Qual é a diferença entre a síntese analógica e a digital?

No sintetizador analógico, o sinal de áudio existe fisicamente como tensão ou corrente durante todo o processo. No sintetizador digital, o sinal é gerado como representação numérica aproximada e só se torna um sinal eletrônico real ao ser convertido no DAC, no final do processo.

Por que dois sintetizadores analógicos do mesmo modelo soam diferente?

Porque são construídos com componentes discretos, individualizados, cada um com suas próprias tolerâncias de valores, que reagem de forma diferente à temperatura e à alimentação elétrica. Em instrumentos digitais, com circuitos integrados em poucos chips, essa variação é minimizada.

O que é o MIDI e quando ele surgiu?

MIDI é a sigla de Musical Instrument Digital Interface, um protocolo desenvolvido por engenheiros de várias empresas, incluindo Dave Smith, da Sequential Circuits. Ele surgiu oficialmente no evento NAMM de 1983, quando um Sequential Prophet 600 e um Roland Jupiter 6 foram interligados via MIDI.

Qual é o problema de usar MIDI com sintetizadores analógicos?

Os sintetizadores analógicos da era pré-MIDI, e a maioria dos modulares analógicos modernos, não foram projetados para funcionar com esse protocolo. O processo de controle nesses instrumentos é diferente do padrão MIDI que se consolidou na indústria musical.

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