Fabio Torres: improvisação à brasileira

Músicos e História da Música

Fabio Torres: improvisação à brasileira

Fabio Torres: improvisação à brasileira

O Trio Corrente, formado por Fábio Torres, Paulo Paulelli e Edu Ribeiro, prioriza um repertório brasileiro em vez de standards de jazz americano, mesmo após vencer dois Grammys em 2014 e lançar o álbum Trio Corrente – Volume 3.

Quem forma o Trio Corrente e qual sua trajetória?

Formado pelo pianista Fábio Torres, pelo baixista Paulo Paulelli e pelo baterista Edu Ribeiro, o Trio Corrente honra a linhagem já tradicional do samba-jazz na música brasileira. Com uma carreira de mais de 12 anos, o trio é um encontro de três músicos que pensam e sentem a música da mesma maneira, reunindo a síntese da canção brasileira com a prolixidade benigna do jazz e do choro.

Depois de conquistar dois Grammys no ano de 2014, o desafio de gravar um novo trabalho se impôs e o Trio Corrente – Volume 3 foi lançado com shows por várias capitais brasileiras. As categorias premiadas foram:

  • Melhor Álbum de Jazz Latino
  • Melhor Álbum Latino de Jazz

Conversamos com o pianista Fabio Torres sobre esse novo trabalho e sua carreira, desde os estudos de piano erudito à formação do trio, e fomos presenteados por uma aula de como deve ser uma gravação.

https://www.youtube.com/watch?v=kdpXOERZkGk

Como é gravar um novo álbum depois de ganhar um Grammy?

Para Fábio Torres, gravar continua sendo motivo de prazer, independentemente do reconhecimento já conquistado. Segundo ele, o prêmio pode ampliar o número de pessoas que ouvem o trabalho, mas o processo em si — gravação e mixagem — já é gratificante por si só.

Gravar é algo que dá muito prazer, independentemente de qualquer coisa. Toda vez que chego do estúdio com algum material gravado, fico ouvindo por horas, porque depois vamos mixar aquilo. É um prazer em si: a gravação, a mixagem, ver aquele trabalho sendo registrado daquela maneira... Tudo que vai acontecer depois está dentro do imponderável. Sempre penso assim: a gente faz música, que é uma coisa etérea, como é que se vai precificar? Quando se grava um CD, o que vai acontecer com aquilo? Quantas pessoas vão ouvir? Tudo isso vem à mente quando gravo. Quando acontece algo como o Song for Maura, que a gente gravou com o Paquito D'Rivera, e, de repente, ganhou dois Grammys — o americano e o latino —, você fala: essa recompensa pode surgir e isso faz diferença no número de pessoas que vão ouvir o seu trabalho. E isso é bom.

Por que o Trio Corrente evita os standards de jazz americano?

Para Fábio Torres, o trio prefere uma linguagem mais brasileira, ainda que já tenha gravado temas conhecidos como "Maracangalha" e "Mambembe". Segundo ele, o repertório de jazz americano já é um território muito explorado por outros músicos.

O trio não segue a seta, como diria Tom Jobim. Claro que gravamos "Garota de Ipanema" e, agora, "Maracangalha". Mas, qual a relação? Quando gravamos um tema muito conhecido, geralmente o arranjo vai ser musicalmente mais ousado. Ou a gente grava um tema Lado B, menos conhecido, como é o caso de "Red Blouse", do Tom Jobim. Sempre gostei de tocar músicas de um repertório menos conhecido. E no Trio Corrente isso também existe. Por que não tocamos standards americanos? Porque esse é um território superexplorado pelos músicos. Já se gravou muito. Neste CD, tocamos um tema de Bud Powell, "Celia", mas é uma exceção. É muito difícil abordarmos o repertório de jazz americano simplesmente porque a gente nasceu aqui e isso tem significado. Meu primeiro trabalho foi com a Amelinha, aquela cantora nordestina. Quando eu tinha 18 anos de idade, fui para o Nordeste tocando, no teclado, frevos, forrós etc. Então, vivemos o ritmo brasileiro. Ele está muito perto da gente. É algo natural. Embora, é claro, quando a gente vai fazer um show com o Paquito, há horas em que a gente toca um standard. É normal e a gente tem que estar preparado para isso. Mas, na hora de escolher o nosso repertório, ele é brasileiro. Com certeza, o Trio Corrente é um trio de jazz brasileiro.

Músicas citadas nesta entrevista:

  • Song for Maura
  • Garota de Ipanema
  • Maracangalha
  • Mambembe
  • Red Blouse (Tom Jobim)
  • Celia (Bud Powell)

Como o Trio Corrente funciona em termos de arranjo e repertório?

Segundo Fábio Torres, o Trio Corrente é um grupo democrático em que raramente um músico interfere no som do outro. Quando alguém faz algo inesperado durante uma apresentação ao vivo, os demais se adaptam sem confronto direto.

O Trio Corrente é um grupo bem democrático. Raramente um "apita" no som do outro. Isso é muito raro. Pode acontecer, por exemplo, de a gente estar tocando ao vivo, improvisando, e o Edu fazer uma coisa que não fique bem clara para mim ou o Paulelli dar uma quebrada... Mas a gente nunca vai chegar e falar "por favor, não faça isso, porque me atrapalhou!". Não! Vamos nos adaptando, um vai escutando o outro.

https://www.youtube.com/watch?v=m0psI8LEUSk

Leia a entrevista na íntegra nas páginas da revista digital gratuita Teclas & Afins. Acesse: www.teclaseafins.com.br.

Perguntas frequentes sobre Fábio Torres e o Trio Corrente

Quem faz parte do Trio Corrente?

O Trio Corrente é formado pelo pianista Fábio Torres, pelo baixista Paulo Paulelli e pelo baterista Edu Ribeiro. O grupo tem mais de 12 anos de carreira.

Quantos Grammys o Trio Corrente ganhou e em que categorias?

O trio venceu dois Grammys em 2014: Melhor Álbum de Jazz Latino e Melhor Álbum Latino de Jazz. O reconhecimento veio após a faixa "Song for Maura", gravada com Paquito D'Rivera.

Qual é o nome do terceiro álbum do Trio Corrente?

O álbum se chama Trio Corrente – Volume 3 e foi lançado com shows em várias capitais brasileiras.

Por que o Trio Corrente evita os standards de jazz americano?

Segundo Fábio Torres, o repertório de jazz americano já é muito explorado por outros músicos. O trio prefere um repertório brasileiro, ligado à sua formação, incluindo a experiência de tocar frevo e forró no Nordeste aos 18 anos, no início da carreira com a cantora Amelinha.

Como o Trio Corrente lida com divergências durante a improvisação ao vivo?

De acordo com Fábio Torres, o grupo é democrático e raramente um músico interfere no som do outro. Quando alguém faz algo inesperado, os demais se adaptam ouvindo uns aos outros, sem confronto direto.

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