Combinações sonoras – splits e layers

Combinações sonoras – splits e layers


Os teclados multitimbrais possibilitam combinar timbres em layer e splits conforme a necessidade do tecladista

Quando o tecladista seleciona dois ou mais sons, para serem executados simultaneamente, está construindo um “layer”. Utilizando esse método, é possível criar, por exemplo, um timbre composto por piano e cordas ou então sopros e vozes. Sons compostos por camadas são muito úteis na performance de um tecladista.

Um sintetizador pode ser programado, por  exemplo, para reproduzir um conjunto de três timbres (cordas, metais e tímpanos), em layer, quando o tecladista tocar forte, e um único (oboé), quando executar suavemente. Cada um deles pode ser editado antes de fazer parte da camada sonora, possibilitando que sejam executados em uníssono, mas com diferentes regulagens. É possível, portanto, transpor o patch de cordas para que soe uma oitava acima quando for combinado  com o piano. Ou então, pode-se programar um layer para reproduzir os timbres em uníssono, com diferentes regulagens de volume controladas pela intensidade do toque. Camadas sonoras também podem ser utilizadas para construção de instrumentos solo. Nesse caso, existe a possibilidade de combinar dois timbres monofônicos com diferença de um intervalo entre eles (um som de Moog bass, por exemplo, combinado a um
som de synth lead afinado uma quinta justa acima). Após programar esse tipo de layer, o músico poderá realizar um solo, em que cada nota tocada corresponda ao intervalo de quinta entre dois sons combinados.

Camadas sonoras em sintetizadores
O limite para a criação das camadas depende de dois fatores: a polifonia e a multitimbralidade. A primeira  corresponde ao número máximo de vozes simultâneas que podem soar quando o teclado é tocado. Equipamentos antigos, como o Minimoog e o Korg MS-20, eram monofônicos e, portanto, possuíam apenas uma voz de polifonia. Posteriormente, foram criados instrumentos com 4, 6, 8, 16, 32 e 64 vozes, até chegar à polifonia total do teclado.

Na década de 1980, começaram a ser comercializados os primeiros modelos multitimbrais, que ofereciam até dois
sons simultâneos. Com o surgimento das music workstations, sintetizadores e seqüenciadores foram incorporados a um único instrumento, com maior capacidade de memória e processamento. Assim a multitimbralidade passou para oito e depois para dezesseis vozes. Antes de existirem equipamentos multitimbrais, o tecladista precisava ligar dois sintetizadores diferentes por meio de cabos, que emitiam controles de voltagem para disparar ADSRs e gerenciar os osciladores.

Korg Kronos: tela com a programação de uma Combination

Korg Kronos: tela com a programação de uma Combination

Com o surgimento do protocolo MIDI, em 1983, os teclados começaram a ser interconectados, formando
redes de instrumentos eletrônicos. Assim, o músico regulava cada sintetizador com um som diferente e utilizava um teclado mestre para comandar os demais e obter as camadas sonoras desejadas. Atualmente, um sintetizador multitimbral com polifonia de 128 vozes pode substituir um conjunto de vários instrumentos eletrônicos conectados entre si e controlados por um teclado MIDI mestre. Um sintetizador, com multitimbralidade de 16 partes, por exemplo, pode simular o som de até 16 monotimbrais. Em alguns sintetizadores, as camadas sonoras são criadas no modo Perform. Esse modo permite que até 16 patches sejam selecionados para compor o layer. Já em outros, como os Korg, utiliza-se o modo Combi para agrupar 16 Programs. A técnica de “split” pode ser utilizada para dividir camadas sonoras em diferentes regiões do teclado. Para criar um split é preciso especificar em qual região cada timbre irá soar.

Polifonia x quantidade de sons
Quanto mais sons forem agrupados para constituírem um layer, menor será a polifonia. Logo, se um sintetizador possuir capacidade de reprodução de 64 vozes e for programado para executar dois sons em layer, a polifonia diminui para 32. Isso ocorre porque cada som é gerado por um determinado número de osciladores, que vão sendo “ocupados” a cada novo timbre escolhido. Isso significa que, ao misturar dois sons distintos, cada um deles consome uma voz de polifonia por tecla pressionada. Também é possível raciocinar em termos de acordes. Se o músico  executa um acorde pressionando quatro teclas e o layer estiver programado com quatro sons, estarão sendo utilizadas 16 vozes de polifonia.

Os sintetizadores sample playback multitimbrais polifônicos possibilitam que o tecladista realize a simulação de
uma orquestra, envolvendo vários sons de instrumentos combinados. Se a polifonia não for suficiente para executar todas as vozes necessárias para um determinado clímax da orquestração, algumas delas não irão soar. Quando a polifonia de um sintetizador é ultrapassada, o instrumento obedece às regras programadas pelo fabricante para
determinar quais notas permanecerão e quais serão desligadas. Existem três possibilidades:

a) prioridade para a última nota tocada;

b) prioridade para a nota mais aguda; e

c) prioridade para a nota mais grave.

Apesar do fato de os acordes serem ouvidos como notas simultâneas, no sistema MIDI cada uma das notas é separada por uma fração de tempo. Logo, o sintetizador tem como determinar qual a ordem em que  foram tocadas. Mesmo que o músico consiga executá-las simultaneamente, o equipamento irá reconhecer, sempre, uma antes do que a outra, para poder aplicar a regra.

Combinação de sons em sequenciadores e arpejadores
É possível trabalhar com camadas sonoras em um sequenciador. O tecladista pode selecionar todos os 16 instrumentos desejados para uma combinação em um Perform ou uma Combi. Em seguida, executará o trecho musical com o som escolhido para o primeiro patch (preset), gravando na primeira trilha MIDI do sequenciador. Depois, pode escolher outro patch (com outro instrumento) e gravar em outra, ouvindo a reprodução da primeira. Esse método de gravação é chamado “overdub” e pode ser repetido até que o músico tenha completado a orquestração da música. As camadas sonoras serão ouvidas quando o sequenciador for disparado para executar simultaneamente todas as trilhas gravadas. Para orquestrações, em que seja necessário utilizar várias camadas sonoras, o sequenciador deve ser conectado pelo sistema MIDI a diversos módulos sintetizadores. Esses serão
acionados e tocarão a música de acordo com as mensagens enviadas pelo sequenciador. Utilizando esse esquema, o tecladista poderá ter, a seu alcance, uma “orquestra virtual”.

Korg Oasys: tela para edição das funções do sistema Karma na superfície de controle.

Korg Oasys: tela para edição das funções do sistema Karma na superfície de controle.

Camadas sonoras ritmicamente complexas podem ser criadas por meio de arpejadores polifônicos, presentes em sintetizadores atuais. Um exemplo disso são os modelos da linha Korg que oferecem o recurso do sistema Karma. Ao programar dois ou mais arpejadores, o músico pode criar as mais variadas construções rítmicas, caracterizadas
por acúmulo de material musical. Ao disparar vários arpejadores simultaneamente, o músico deverá ter o cuidado de selecionar sons com característica percussiva. Caso contrário, sua experimentação poderá resultar uma massa sonora indefinida, principalmente em andamento acelerado.

Combinação de sons no computador
Programas de computador para a música evoluíram a ponto de disponibilizar recursos semelhantes aos teclados para a criação de layers e splits. O Propellerhead Reason, por exemplo, disponibiliza um rack de instrumentos e processadores virtuais que pode ser usado ao vivo com toda a programação feita previamente pelo músico.

A construção de camadas sonoras em estúdio, por meio do registro de sons por gravadores, é um dos recursos mais utilizados em produções musicais. O tecladista pode gravar cada som sintetizado individualmente, um em cada pista e, depois, executar todos simultaneamente. As combinações entre os timbres devem ser planejadas e depois mixadas, para que produzam o resultado esperado.

Propellerhead Reason

Com o auxílio da tecnologia digital, o computador tornou-se o estúdio preferido dos tecladistas, principalmente por
apresentar vantagens quanto aos recursos de edição do áudio digital. Programas como Pro Tools, Nuendo, Sonar e Logic Audio permitem que o músico realize qualquer combinação entre as camadas sonoras pré-gravadas. O sistema possibilita, também, que as camadas construídas possam ser modificadas, dando origem a outras, de diferentes características. Podem também ser transformadas, pelo emprego de uma série de plug-ins de efeitos. Sintetizadores
virtuais e samplers também são integrados a esses sistemas de gravação, disponibilizando recursos para a criação de camadas sonoras. A praticidade alcançada por essa tecnologia está impulsionando músicos a pesquisarem novas sonoridades e criarem seus próprios timbres, por meio de técnicas de síntese e processamento de áudio digital.


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