CASIO XW-P1

CASIO XW-P1


0621143542_gadd0O sintetizador XW-P1, da Casio, vem recheado de recursos que a empresa ainda não havia explorado nos instrumentos anteriores. Por exemplo, a marca ainda não havia lançado um modelo que oferecesse tantas ferramentas e controles de ajuste em tempo real como knobs e sliders, bem como Step Sequencer, Phrase Sequencer, Tap Tempo, Arpegiador, modos Solo Synth, Hex Layer e Drawbar Organ em um único instrumento. Isso é um enorme salto. E o mais interessante é a relação custo-benefício. Pelo preço, não há no mercado concorrente que ofereça tanto

Fazia tempo a Casio não lançava um bom sintetizador. Para ser mais exato, por volta de 26 anos, desde o lançamento dos modelos VZ-1 e VZ-10M, belos sintetizadores com síntese muito parecida à FM. Reza a lenda que a tal síntese acabou em uma longa disputa judicial entre Casio e outra empresa. Não sei se é verdade ou coincidência, mas, depois do VZ, a Casio abandonou essa fatia do mercado de sintetizadores – mesmo este lançamento, o XW-P1, apresenta um esquema bem diferente do encontrado nos famosos synths da marca (os CZs e HZs). Nos anos seguintes, investiram nos segmentos entry level (teclados para iniciantes), arranjadores e em pianos digitais (veja a matéria na edição nº 8 da revista digital gratuita Teclas & Afins sobre o PX-5S em www.teclaseafins.com.br). Também são boas fatias de mercado, que vendem bastante. E talvez seja apenas uma divagação essa história de disputa judicial: simplesmente escolheram outro rumo e ponto final.

 

Primeiras impressões

O XW-P1 tem um painel bem completo e intuitivo. Com pouco tempo de prática, se domina o instrumento. Os quatro knobs endereçáveis e os nove sliders oferecem um esquema fácil de acessar várias funções, além de Drawbars do modo Organ. Muitos botões proporcionam atalho rápido a tudo que é preciso na hora de tocar, acessar timbres e bancos, gravar, editar etc. Por ser de material plástico, o instrumento é bem leve. As 61 teclas são fechadas e de
bom tamanho. Dão aparência de serem Hammer Action, mas na verdade são leves. Transmitem boa sensação de toque e ótima dinâmica depois de alguns minutos tocando. O equipamento oferece dois níveis de Touch Response. Os knobs são leves ao toque e os sliders de curso curto, fato com que também se acostuma em pouco tempo. Os botões emborrachados respondem muito bem ao toque.
Sons

O XW-P1 traz o mecanismo de geração de som Hybrid Processing, recém desenvolvido pela CASIO, que se alia à
fonte de som LSI com CPU e DSP de alta performance. Uma coleção de 2.158 formas de onda foi reproduzida a partir das tradicionais, incluindo 311 formas de onda de sintetizador da série CZ e dos principais instrumentos clássicos. Os timbres do WX-P1 são divididos em quatro seções: Solo Synth (100 presets e 100 users), Hex Layer (50 presets e 50 users), Drawbar Organ (50 presets e 50 users) e PCM (420 presets e 110 users). A polifonia máxima é de 64 notas.

blocosA primeira seção, Solo Synth, traz uma coleção de timbres muito boa. São sons leads encorpados, timbres quentes, pesados e cortantes. Foi bom encontrar amostras da linha CZ no ROM. Brincando com os sliders e os knobs, se chega a resultados muito interessantes. Os filtros atuam bem e, alterando valores de Cutoff e Ressonance, por exemplo, é possível explorar sonoridades diversas. O XW-P1 trabalha com PCM e WAVETABLE, porém o Oscilador 1 atua de forma subtrativa, moldando os harmônicos gerados pelos timbres. Seis unidades de osciladores que  compreendem o núcleo do sintetizador apresentam dois blocos Synth OSC e dois blocos PCM OSC, assim como um gerador de ruído e um bloco para entrada para obtenção de fontes (em que ele atua com Pitch Shifter, Filter e AMP), como equipamentos de áudio digitais. E os recursos não param por aí. O gerador de envoltória trabalha com oito níveis, como os clássicos CZ. Um synth mais que completo.

Além do Solo Synth, há a seção Hex Layer, o modo multitimbral da Casio. Nela, é possível combinar até seis timbres PCM em layers e splits para criar pads, sons orquestrais, naipes de sopros, timbres cheios de texturas, pianos em split com contrabaixos, leads em split com pads etc. É um recurso bem interessante. E, novamente, é possível
endereçar ajustes aos knobs e layers, tornando todas essas combinações ainda mais interativas e flexíveis, com inúmeras possibilidades de ajustes em tempo real.

p1drawbars1A terceira seção é a Drawbar Organ, na qual os nove sliders simulam os Drawbars de um órgão eletromecânico tipo Hammond e que ainda oferece botões para controlar o Rotary e o Perc. É possível ajustar o efeito simulador de Leslie para que se adeque  ao gosto e às referências do músico. A geração do timbre é algorítmica, portanto soa mais natural que um Rompler. Nota-se que não é uma wave em looping. A seção oferece muitas configurações de órgão legais, das mais limpas e suaves até as mais full e distorcidas. Diversão garantida, e muito útil na vida de um tecladista.

A quarta seção é a PCM que vem com cinco bancos variados. É onde se encontram os acústicos e demais timbres. Foram utilizados vários pianos – acústicos e elétricos -, cordas e sopros solo e em naipe, contrabaixos – elétricos, acústicos e eletrônicos -, guitarras etc. Enfim, o XW-P1 tem tudo de que um tecladista pode precisar.

Em um contexto geral, nota-se que o equipamento apresenta forte vocação a timbres mais eletrônicos. Apesar de ter um bom banco PCM com amostras de timbres acústicos, ele se sai melhor como synth. Fica a impressão de que o WX-P1 e o piano digital Privia Pro PX-5S foram projetados para um completar o outro. De fato, os dois
formam um belo set: o Privia também tem seus timbres eletrônicos, mas, pelo projeto em si, o WX-P1 se apresenta melhor nesse quesito, ao passo que a parte Stage do PX é mais que recomendável. O Phrase Seq é divertido e fácil de usar para gravar frases ou levadas com baterias ou percussões. O Step Sequencer também é de uso intuitivo. O Arpegio vem com 100 padrões, e é possível criar outros 100.

Edit_casio-xw-p1-399755O XW-P1 possui entrada para cartão SD para armazenamento dos timbres criados na seção Synthesizer, além de reprodução de arquivos de áudio ou SMF. No painel traseiro, estão presentes entrada para microfone com ajuste de volume, entrada P2 de áudio para conexão de um equipamento de áudio, como um CD player, por exemplo, e entrada de instrumento. O pedal Sustain é endereçável a outras funções como, Wah-wah, Rotary etc. E o teclado funciona também com pilhas.

 

edit_casio-xw-p1-399756Conclusão

A Casio acerta bem investindo em um instrumento com tantas possibilidades, em uma faixa de preço que o coloca acima da média da concorrência na relação custo-benefício. E este teclado pode frequentar grandes palcos, haja vista os endorsers de renome que vem representando a marca. O que falta é vencer a barreira criada pelos anos em que a marca ficou afastada das linhas profissionais. Infelizmente a Casio foi rotulada como fabricante de instrumentos entry level, mas a empresa tem capacidade e tecnologia para fabricar equipamentos de nível profissional, e de qualidade, como o XW-P1 comprova. Isso favorece os músicos pela simples lei de oferta e procura: temos um mercado mais estimulado a lançamentos de bom conteúdo a preços mais competitivos. Só por esse fator já devemos olhar com bons olhos os últimos lançamentos Casio. E o XW-P1 vai te surpreender. (Por Cristiano Ribeiro para a revista digital Teclas & Afins)

 

 

 

 

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