Os sintetizadores podem ser classificados por diferentes critérios — interface de uso, tecnologia, flexibilidade de programação, tamanho, tipo de síntese sonora, público, arquitetura, geração e faixa de mercado —, cada um revelando características que ajudam o músico a escolher o som mais apropriado para determinada música.
O músico deve ter em mente certas distinções entre as diversas marcas e modelos de sintetizadores e suas principais características. Isso irá ajudar muito na escolha do som mais apropriado para determinada música.
Como a síntese sonora evoluiu do hardware para o software?
A síntese sonora é utilizada por músicos, compositores e projetistas de instrumentos musicais para produzir e alterar sons, com técnicas como síntese subtrativa, aditiva, FM e modelagem física. Atualmente, o músico dispõe de uma grande quantidade de marcas e modelos de sintetizadores.
No século XX a grande maioria dos sintetizadores era baseada em hardware. Com o desenvolvimento da computação musical, os sintetizadores virtuais começaram a ser cada vez mais utilizados, em parte porque os músicos também se tornaram usuários de computadores, e em parte porque quanto mais fácil e amigável é o sistema musical no computador, mais ele será desejado pelo músico.
Instrumentos que antes só podiam ser construídos com placas soldadas e circuitos eletrônicos agora podem ser programados no computador por meio de ambientes próprios para síntese e sound design, como o Reaktor. Os sintetizadores também estão disponíveis na forma de plug-ins que podem ser usados junto à estação de áudio digital (DAW). A diversidade e a quantidade de sintetizadores disponíveis no mercado proporcionam muitas opções ao usuário, que precisa pesquisar e estudar as características dos instrumentos para descobrir suas particularidades, funcionalidades e a real aplicação na música.
Por que a diversidade de sintetizadores pode confundir o iniciante?
Existe um caminho que o músico precisa percorrer no aprendizado da síntese sonora e na utilização dos instrumentos eletrônicos: não basta apenas praticar a programação de timbres, é necessário ouvir o repertório para sintetizadores para conhecer como e onde os sons podem ser utilizados.
É usual o músico familiarizar-se com o vasto universo dos sintetizadores, mas, cada vez mais, isso não é uma tarefa fácil. Passaram-se mais de quarenta anos desde a criação dos primeiros sintetizadores comerciais Buchla e Moog, e, de lá para cá, muitos sintetizadores foram sendo aprimorados e comercializados. A diversidade de marcas e modelos pode deixar o iniciante perdido em um mar de opções, incluindo plug-ins VST de síntese gratuitos e sintetizadores físicos que, já na categoria dos seminovos, podem ser adquiridos por valor mais acessível.
Quais critérios classificam os sintetizadores?
Os sintetizadores podem ser agrupados em várias categorias: alguns foram projetados para aplicações específicas no campo da música, outros foram fabricados em diferentes épocas e por isso apresentam tecnologias, interfaces e funcionalidades diversas. As categorias a seguir comparam sintetizadores de diferentes épocas, modelos e qualidades.
- Interface de uso
- Tecnologia
- Flexibilidade
- Tamanho
- Síntese
- Público
- Softsynths
- Polifonia
- Arquitetura
- Geração
- Mercado
Como os sintetizadores se classificam pela interface de uso?
É possível classificar os sintetizadores quanto à interface de uso: teclados, módulos ou software. É muito comum encontrar teclados comerciais que incorporam o sintetizador ao seu arsenal de produção sonora.
- Teclado
- Módulo (rack)
- Software
Em geral, um determinado modelo de teclado possui uma versão em rack e, mais recentemente, em software. Um exemplo típico é o sintetizador sample-playback clássico KORG M1, que pode ser encontrado nas três categorias.
[caption id="attachment_11538" align="alignright" width="300"] Roland V-Synth: geração digital[/caption]Quais são as classificações por tecnologia?
Os sintetizadores também podem ser classificados quanto à sua tecnologia, que pode ser analógica, híbrida ou digital, cada uma com um modo diferente de gerar e controlar o som.
| Tipo | Exemplo | Característica |
|---|---|---|
| Analógico | Minimoog | Funciona por meio de controles de voltagem |
| Híbrido | Roland Juno-106 | Combina unidades analógicas e digitais, como DCO, VCF e VCA, com memória e controles digitais no painel; modelo típico da década de 1980 |
| Digital | Roland V-Synth | Mais atual; realiza técnicas de síntese sonora por meio de processamento de sinais |
Como a flexibilidade de programação diferencia os sintetizadores?
Os sintetizadores também podem ser classificados quanto à forma de ligação e à flexibilidade na programação dos patches, variando entre sistemas totalmente configuráveis e sistemas de arquitetura fixa.
| Modelo | Flexibilidade |
|---|---|
| Clavia Nord Modular | Editor gráfico no computador para selecionar e conectar módulos virtuais por meio de cabos virtuais, de maneira flexível |
| Roland JD-800 | Arquitetura fixa com módulos de síntese já interligados; permite editar parâmetros, mas não expandir o sistema nem interligar novos módulos |
Qual a diferença entre sintetizadores por tamanho?
Sintetizadores modulares de grande porte, como o Moog IIIc, costumam ser usados preferencialmente em estúdios, pois exigem tempo e conhecimento em síntese sonora para serem montados e calibrados, o que os torna pouco práticos para uso no palco.
| Porte | Modelo | Uso |
|---|---|---|
| Grande porte | Moog IIIc | Preferencialmente usado em estúdios |
| Portátil | Roland JP-8000 (teclado) e Roland JP-8080 (rack) | Fácil de transportar; projetado para essa finalidade |
Quais são os tipos de síntese sonora?
Existem sintetizadores que utilizam diferentes técnicas de síntese sonora. Grande parte dos sintetizadores comerciais filtra sons complexos para obter novos timbres, enquanto os mais modernos oferecem bancos de sons com amostras digitais para serem filtradas e modificadas pelo usuário.
[caption id="attachment_11535" align="alignright" width="300"] Roland XP-30: sample-playback com síntese subtrativa[/caption]| Técnica | Exemplo | Característica |
|---|---|---|
| Subtrativa sample-playback | Roland XP-30 | A mais comum e fácil de usar pelos músicos |
| Aditiva | Kawai K5000 | Usa vários osciladores produzindo ondas senoidais que, agrupadas, resultam em timbres complexos |
| FM | Yamaha DX-7 | Programada por seleção de algoritmos que representam a conexão entre operadores FM; produz pianos elétricos e sinos com eficiência, mas é menos intuitiva |
| Modelagem física | Yamaha VL-7 | Reproduz o som de instrumentos acústicos por meio do processamento de fórmulas matemáticas que modelam suas características sonoras |
Como se classificam os sintetizadores quanto ao público?
Outra classificação possível é entre sintetizadores comerciais e não comerciais, que se diferenciam pela forma de produção e pelo tipo de usuário a que se destinam.
| Categoria | Características | Exemplo |
|---|---|---|
| Não comercial | Em geral existe apenas um exemplar, não produzido em série; usado por compositores eletroacústicos, acadêmicos, experimentalistas e pesquisadores; emprega técnicas não convencionais, como a síntese granular | Minimoog Model A (protótipo) |
| Comercial | Fabricado em série e vendido em lojas de instrumentos musicais; muitos são sample-playback com presets padrão, como o banco General MIDI | Alesis QS7 |
Os compositores eletroacústicos geralmente desenvolvem seus próprios instrumentos e sistemas para suas composições, e os sintetizadores virtuais criados por eles constituem a maior parte dos modelos não comerciais.
[caption id="attachment_11533" align="alignright" width="300"] Absynth: sintetizador em software[/caption]O que diferencia os softsynths de recriação dos originais?
Os programas sintetizadores (softsynths) podem ser classificados em recriações e novos instrumentos, dependendo se emulam um modelo clássico já existente ou propõem um projeto sonoro original.
| Tipo | Exemplo | Característica |
|---|---|---|
| Recriação | Arturia Moog Modular V | Simula em detalhes o Moog Modular, inclusive as ligações entre módulos por meio de cabos virtuais, com mais recursos graças aos avanços da Computer Music |
| Novo instrumento | Absynth (Native Instruments) | Projeto original que amplia ainda mais os recursos de síntese no computador |
Qual a diferença entre sintetizadores monofônicos e polifônicos?
Os sintetizadores também podem ser classificados quanto à polifonia, ou seja, à quantidade de notas que podem soar simultaneamente.
| Tipo | Exemplo |
|---|---|
| Monofônico | Korg Prophecy |
| Polifônico | Virus |
Em geral, sintetizadores polifônicos possuem uma função chamada "solo" ou "mono" para sons que precisam ser monofônicos, como Synth Leads.
O que é arquitetura aberta e fechada em sintetizadores?
Outra classificação mais recente é quanto à arquitetura: aberta, que possibilita a utilização de plug-ins em teclados sintetizadores, ou fechada, sem essa possibilidade de expansão.
| Arquitetura | Exemplo | Característica |
|---|---|---|
| Aberta | Neko 64 (Open Labs) | As tarefas de um sistema composto por notebook, software sintetizador, placa de áudio e controlador MIDI ficam integradas em um único instrumento, facilitando o uso simultâneo de funções de produção musical |
| Fechada | Yamaha CS6X | Não oferece essa integração de plug-ins |
Como se classificam os sintetizadores por geração?
Dentro da categoria dos sintetizadores digitais é possível encontrar os de modelagem analógica e os de sample-playback, que se diferenciam pela forma como geram e armazenam o som.
| Tipo | Exemplo | Característica |
|---|---|---|
| Modelagem analógica | Korg MS2000B | Simula os sintetizadores analógicos vintage da década de 1970, com poucas formas de onda básicas (triangular, dente de serra e quadrada) esculpidas por um filtro; painel com potenciômetros e sliders; modelos mais modernos incorporam sequenciador de passos e Vocoder |
| Sample-playback | Korg Triton LE | Possui amostras digitais gravadas em memória, que podem ser expandidas por cartões de expansão, disquetes, CDs e conexão USB; alguns modelos podem ser ampliados com placas que incorporam funções de sampler |
Como o mercado classifica os sintetizadores por valor?
É possível classificar os sintetizadores também em pelo menos três níveis de acordo com o valor de mercado e suas características, tomando como exemplo os modelos de um mesmo fabricante, a Korg.
| Nível | Modelo | Característica |
|---|---|---|
| Básico | Korg Kross | Menos recursos, painel e funcionalidade mais simples; preço mais acessível |
| Intermediário | Korg Krome | Atende usuários que necessitam de recursos mais avançados |
| Topo de linha | Korg Kronos-X | Incorpora tecnologias de ponta e recursos não disponíveis nos modelos mais baratos |
Quais são os principais critérios para classificar um sintetizador?
Os sintetizadores podem ser classificados quanto à interface de uso (teclado, módulo ou software), tecnologia (analógica, híbrida ou digital), flexibilidade de programação, tamanho, tipo de síntese sonora, público, arquitetura, geração e faixa de mercado.
Qual a diferença entre sintetizador analógico, híbrido e digital?
O analógico, como o Minimoog, funciona por meio de controles de voltagem. O híbrido, como o Roland Juno-106, combina unidades analógicas e digitais. Já o digital, como o Roland V-Synth, realiza a síntese por processamento de sinais.
O que diferencia um sintetizador monofônico de um polifônico?
O monofônico, como o Korg Prophecy, permite apenas uma nota por vez, enquanto o polifônico, como o Virus, permite várias notas simultâneas. Sintetizadores polifônicos costumam ter uma função "solo" ou "mono" para sons como Synth Leads.
Qual a diferença entre sintetizadores comerciais e não comerciais?
Os não comerciais, como protótipos do tipo Minimoog Model A, são produzidos em exemplar único e usados por compositores eletroacústicos, acadêmicos e pesquisadores. Os comerciais, como o Alesis QS7, são fabricados em série e vendidos em lojas de instrumentos musicais.
Quais são as principais técnicas de síntese sonora?
As principais técnicas são a subtrativa sample-playback (Roland XP-30), a aditiva (Kawai K5000), a FM (Yamaha DX-7) e a modelagem física (Yamaha VL-7), cada uma com um método diferente de gerar e programar timbres.
O que é arquitetura aberta e fechada em um sintetizador?
A arquitetura aberta, como no Neko 64, integra notebook, software sintetizador, placa de áudio e controlador MIDI em um único instrumento e permite o uso de plug-ins. A fechada, como no Yamaha CS6X, não oferece essa possibilidade de expansão.









