Classificação dos sintetizadores

Classificação dos sintetizadores


O músico deve ter em mente certas distinções entre as diversas marcas e modelos de sintetizadores e suas principais características. Isso irá ajudar muito na escolha do som mais apropriado para determinada música

A síntese sonora tem sido utilizada por músicos, compositores e projetistas de instrumentos musicais para produzir e alterar sons. Novos timbres podem ser obtidos por meio de técnicas como síntese subtrativa, aditiva, FM e modelagem física. Atualmente, o músico dispõe de uma grande quantidade de marcas e modelos de sintetizadores.

No século XX a grande maioria dos sintetizadores era baseada em hardware. Com o desenvolvimento da computação musical, os sintetizadores virtuais começaram a ser cada vez mais utilizados. Isso ocorreu, em parte, porque os músicos também se tornaram usuários de computadores – e esse conhecimento na utilização da  informática auxiliou a pilotar os sistemas musicais – e, em parte, porque quanto mais fácil e amigável é o sistema musical no computador mais ele será desejado pelo músico.

Instrumentos que anteriormente apenas podiam ser construídos com placas soldadas e circuitos eletrônicos agora podem ser programados no computador por meio de ambientes próprios para síntese e sound design como o Reaktor. Os sintetizadores também estão disponíveis na forma de plug-ins que podem ser usados junto à estação de áudio digital (DAW). A diversidade e a quantidade de sintetizadores disponíveis no mercado dos instrumentos
musicais proporcionam muitas opções ao usuário. Este, por sua vez, necessita pesquisar e estudar as características  dos instrumentos para descobrir suas particularidades e funcionalidades e a real aplicação na música.

Existe um caminho que o músico precisa percorrer no aprendizado da síntese sonora e na utilização dos instrumentos eletrônicos. Não basta apenas praticar a programação de timbres, é necessário ouvir o repertório para sintetizadores para conhecer como e onde os sons podem ser utilizados. É usual o músico familiarizar-se com o vasto universo dos sintetizadores. Entretanto, cada vez mais, isso não é uma tarefa fácil. Passaram-se mais de quarenta anos desde a criação dos primeiros sintetizadores comerciais Buchla e Moog, e, de lá para cá, muitos sintetizadores foram sendo aprimorados e comercializados. A diversidade de marcas e modelos pode deixar o iniciante perdido em um mar de opções, incluindo aqueles plug-ins VST de síntese gratuitos e os sintetizadores físicos que foram muito procurados na época do lançamento, mas que, agora – com o passar dos anos, já na categoria
dos seminovos – podem ser adquiridos por valor mais acessível.

As diferentes classificações

Os sintetizadores podem ser agrupados em várias categorias. Alguns foram projetados para aplicações específicas no campo da música. Outros, fabricados em diferentes épocas e, por isso, apresentam tecnologias, interfaces e funcionalidades diversas. Certos sintetizadores incorporam vários recursos enquanto outros apresentam painéis repletos de botões que podem desempenhar diferentes funções. Alguns são interativos, outros de difícil programação e configuração. As categorias comentadas a seguir comparam sintetizadores de diferentes épocas, modelos,  qualidades e apresentam algumas das diferenças entre eles.

Legacy_M1_screenshotInterface de uso

É possível classificar os sintetizadores quanto à interface de uso: teclados, módulos ou software. É muito comum encontrar teclados comerciais que incorporam o sintetizador ao seu arsenal de produção sonora. Em geral, um  determinado modelo de teclado possui uma versão em rack e, mais recentemente, em software. Um exemplo típico é o sintetizador sampleplayback clássico KORG M1, que pode ser encontrado nas três categorias.

Roland V-Synth: geração digital

Roland V-Synth: geração digital

Tecnologia

Os sintetizadores podem ser classificados também quanto à sua tecnologia. Podemos encontrar sintetizadores  analógicos que funcionam por meio de controles de voltagem como o Minimoog. Os sintetizadores híbridos podem apresentar unidades analógicas e digitais – como DCO (oscilador controlado digitalente), VCF (filtro controlado por voltagem) e VCA (amplificador controlado por voltagem), memória e controles digitais no painel – como é o caso de modelos da década de 1980, entre eles o Roland Juno-106. Sintetizadores digitais são mais atuais e podem apresentar uma ou mais técnicas de síntese sonora que só podem ser realizadas por meio de processamento de sinais, como é o caso do Roland V-Synth.

Roland Jd-800: arquitetura fixa com módulos interligados

Roland Jd-800: arquitetura fixa com módulos interligados

Flexibilidade

É possível classificar o sintetizador quanto à forma de ligação e a flexibilidade na programação dos patchs. O sintetizador Clavia Nord Modular oferece a possibilidade de o músico utilizar um editor gráfico no computador para selecionar módulos virtuais que podem ser conectados pelo usuário, de maneira flexível e prática, para configurar seu próprio instrumento eletrônico. Assim, podem ser agrupados vários módulos através de cabos virtuais que irão formar a configuração desejada pelo usuário. Por outro lado, o sintetizador Roland JD-800 possui arquitetura fixa
com módulos de síntese já interligados. O usuário pode sintetizar sons e editar parâmetros de síntese, mas não pode
expandir o sistema e nem interligar novos módulos do próprio instrumento para produzir outros sons.

Moog IIIc: sintetizador de grande porte

Moog IIIc: sintetizador de grande porte

Tamanho

Sintetizadores modulares de grande porte como o Moog IIIc costumam ser usados, preferencialmente, em estúdios. Para serem montados e calibrados, é necessário investimento de tempo e conhecimento em síntese sonora. Logo não são os instrumentos mais práticos de serem utilizados no palco. Por outro lado, a maioria dos  sintetizadores modernos são portáteis. Os portáteis como o Roland JP-8000 (versão teclado) ou o Roland JP-8080 (versão rack) podem ser facilmente transportados pelo músico por terem sido projetados para esta finalidade.

Síntese

Existem sintetizadores que utilizam diferentes técnicas de síntese sonora. Por exemplo, grande parte dos sintetizadores comerciais filtram sons complexos para obtenção de novos timbres. Os sintetizadores mais modernos podem oferecer bancos de sons com amostras digitais para serem filtradas e modificadas pelo usuário.

Roland XP-30: sample-playback com síntese subtrativa

Roland XP-30: sample-playback com síntese subtrativa

Os sintetizadores subtrativos sample-playback, como o Roland XP-30, são os mais comuns e fáceis de serem utilizados por músicos. Sintetizadores aditivos são providos de vários osciladores produzindo ondas senóides que, agrupadas, resultam em timbres complexos. O sintetizador Kawai K5000, por exemplo, disponibiliza esse tipo de síntese. Os  sintetizadores FM são programados por meio da seleção de algoritmos que representam a conexão entre operadores FM. São sintetizadores digitais que proporcionam um método de programação de timbres diferente dos subtrativos. Sintetizadores FM como o Yamaha DX-7 produzem sons de pianos elétricos e sinos com grande eficiência, mas seu funcionamento é menos intuitivo que os sintetizadores sample-playback subtrativos comerciais. Sintetizadores de modelagem física como o Yamaha VL-7 possibilitam que o som dos instrumentos acústicos sejam reproduzidos por meio do processamento de fórmulas matemáticas que modelam as características sonoras dos instrumentos reais.

Minimoog Model A: protótipo

Minimoog Model A: protótipo

Público

Outra classificação possível para os sintetizadores é entre comerciais e não comerciais. Os sintetizadores não comerciais são criados para produzir sons não convencionais. São utilizados por compositores eletroacústicos, acadêmicos, experimentalistas e pesquisadores. Em geral, existe apenas um exemplar, e este, por sua vez, não é produzido em série. Alguns protótipos como o Minimoog Model A também podem constar nessa categoria. Os compositores eletroacústicos, geralmente, desenvolvem seus próprios instrumentos e sistemas, que são utilizados na criação de suas composições. E esses sintetizadores virtuais criados por compositores constituem a maior parte dos modelos não comerciais. Essa categoria emprega técnicas de síntese sonora não convencionais, como a granular. Já os sintetizadores comerciais são fabricados em série e vendidos em lojas de instrumentos musicais. Muitos deles são
sample-playback e possuem presets padrões como o banco General MIDI. O Alesis QS7 é o típico sintetizador comercial que dispõe de bons timbres para produções musicais.

Absynth: sintetizador em software

Absynth: sintetizador em software

Softsynths

Os programas sintetizadores (softsynths) podem ser classificados em recriações e novos instrumentos. As recriações são simulações de sintetizadores clássicos bem conhecidos dos músicos. Emulam, em todos os detalhes, seus antecessores e ainda oferecem mais recursos por conta dos avanços da Computer Music. Por exemplo, o Arturia Moog Modular V é uma recriação, em software, do Moog Modular. Nele, é possível simular até mesmo as ligações entre os módulos através de cabos virtuais. Por outro lado, novos instrumentos, como o Absynth, da Native Instruments, são projetos originais e possibilitam ampliar, ainda mais, os recursos de síntese no computador.

Virus: típico sintetizador polifônico

Virus: típico sintetizador polifônico

Polifonia

Outra classificação possível de ser realizada é quanto à polifonia. Os sintetizadores podem ser monofônicos ou polifônicos. O Korg Prophecy é um exemplo de sintetizador monofônico ao passo que o Virus é um exemplo de  sintetizador polifônico. Em geral, sintetizadores polifônicos possuem uma função chamada “solo” ou “mono” para sons que necessitam ser monofônicos, como Synth Leads.

Arquitetura

Outra classificação mais recente é quanto à arquitetura aberta – que possibilita a utilização de plug-ins em teclados sintetizadores – como o Neko 64, da Open Labs, ou fechada, como o Yamaha CS6X. As tarefas e os recursos  disponibilizados no Neko 64 podem ser realizadas por meio de um sistema composto por notebook, software sintetizador, placa de áudio e controlador MIDI, porém essas funções estão integradas em um único instrumento, facilitando a utilização simultânea de tarefas destinadas à produção musical.

Korg MS2000B: modelagem analógica

Korg MS2000B: modelagem analógica

Geração

Dentro da categoria dos sintetizadores digitais podemos encontrar os sintetizadores de modelagem analógica como o Korg MS2000B e os sintetizadores sample-playback como o Korg Triton LE. Sintetizadores de modelagem analógica simulam os sintetizadores analógicos vintage da década de 1970 possibilitando uma recriação dos sons de época por meio de recursos modernos e apresentam algumas poucas formas de onda básicas, como triangular, dente de serra e quadrada, que podem ser esculpidas por um filtro. Essa categoria apresenta um painel repleto de potenciômetros e sliders para o usuário modificar o som em tempo real. Alguns modelos mais modernos incorporam sequenciador de passos e Vocoder. Por outro lado, os sintetizadores sample-playback possuem amostras digitais gravadas em  memória para que sejam modificadas e reproduzidas. Essa categoria de sintetizadores possibilita carregar para a memória interna novas amostras por meio de cartões de expansão, disquetes, CDs e conexão USB. Alguns sintetizadores sample-playback modernos podem ser expandidos com placas que incorporam funções de sampler.

korg-kronos-X

Korg Kronos-X: tecnologia de ponta

Mercado

É possível classificar sintetizadores também, em pelo menos três níveis, de acordo com valor de mercado e suas características. Considerando-se um fabricante como a Korg, por exemplo: os sintetizadores com menos recursos, painéis e funcionalidade mais simples, como o Korg Kross, possuem preço acessível; sintetizadores de um nível intermediário, como o Korg Krome, atendem a usuários que necessitam de recursos mais avançados; no topo estão supersintetizadores como o Korg Kronos-X, que incorporam tecnologias de ponta e recursos não disponíveis  nos modelos mais baratos.

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