A Verdade sobre Pianos Acústicos

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A Verdade sobre Pianos Acústicos

A Verdade sobre Pianos Acústicos

Diferente de vinhos e de instrumentos de corda, um piano acústico não melhora com o passar do tempo — ele se desgasta e exige manutenção constante. Por isso, segundo o texto, não vale a pena investir em pianos com mais de 30 anos: piano bom é piano novo.

“Ao contrário de outros instrumentos de corda, ou mesmo de bons vinhos, um piano não ganha em qualidade com o passar do tempo.”

O autor deste texto afirma ter tido o privilégio de conhecer as principais fábricas de pianos do mundo, bem como boa parte de seus representantes, experiência que embasa as informações apresentadas a seguir sobre história, construção, marcas e manutenção do instrumento.

Qual é a origem do piano acústico?

O primeiro piano com as características que conhecemos hoje foi projetado por Bartolomeu Cristofori, no século XVI. Antes dele, instrumentos de teclas como o harpsichord e o clavichord já existiam, mas funcionavam de forma bem diferente.

Esses instrumentos anteriores “beliscavam” as cordas e produziam um som de intensidade sempre igual, independentemente da força aplicada nas teclas. Cristofori teve a ideia de criar um instrumento em que as teclas fossem “marteladas”, permitindo ação sensível: quanto maior a intensidade sobre as teclas, maior o volume e o corpo do som. É assim até hoje.

O nome original do instrumento era “gravicembalo col piano e forte”, resumido depois para pianoforte. Na Itália, esse nome ainda é utilizado para designar os pianos.

Como é construído um piano acústico?

Existem dois tipos de piano acústico: os de cauda, com a tábua harmônica na horizontal, e os verticais, com a tábua harmônica na vertical. Ambos existem em grande variedade de modelos e tamanhos.

TipoPosição da tábua harmônica
Piano de Cauda (Grand Piano)Horizontal, paralela ao chão
Piano Vertical (Upright)Vertical

O piano possui duas partes principais: a carcaça (frame), que é a estrutura metálica, e o mecanismo de acionamento das teclas. A qualidade, a tecnologia e o conhecimento empregados nessas duas partes são o que distingue um piano de outro.

O som é produzido quando o acionamento da tecla movimenta um complexo de mecanismos que impulsionam um martelo até a corda. O corpo do som, porém, vem da vibração dessa corda sobre a tábua de ressonância, chamada soundboard — a madeira usada nela também determina a qualidade sonora do instrumento.

Um piano acústico possui três vezes mais componentes do que um automóvel, o que explica por que fazer esses componentes funcionarem bem é considerado uma arte.

Quais são as principais marcas de pianos acústicos do mundo?

O texto lista marcas consideradas pelo autor como as verdadeiras representantes do piano acústico, com seus respectivos anos de fundação, fundadores e características citadas na matéria.

MarcaFundaçãoFundadorCaracterísticas citadas
Kawai1927Koichi KawaiTimbragem aveludada; lançou os pianos customizados Shigeru Kawai em 2000
Steinway & Sons1853Henry Engelhard SteinwayConsiderada o piano mais renomado do mundo; filhos Henry Jr., Albert, C. F. Theodore e Charles; também produz as marcas Essex e Boston
Yamaha1900 (primeiro piano)Torakuso Yamaha
Fazioli1981Paulo FazioliProdução limitada; o modelo Grand Piano F 308 tem um quarto pedal que aproxima o martelo das cordas
Schimmel1885Wilhelm SchimmelFundada em Leipzig, atualmente Braunschweig; também produz as marcas Vogel e May
Grotrian1830Friedrich Grotrian
Mason & Hamlin1854Henry Mason e Emmons HamlinFundada em Boston; desenvolveu a tecnologia Tension Resonator e usa madeira White Spruce na tábua de ressonância
Blüthner1853Julius BlüthnerFundada em Leipzig; único piano que usa quatro cordas nas notas agudas, sendo a quarta usada apenas para ressonância
Bösendorfer1828Ignaz BösendorferAtualmente controlada pela Yamaha
Bechstein1º de outubro de 1853Carl BechsteinFundada em Berlin

Quanto custa e como funciona a manutenção de um piano acústico?

Segundo o texto, a manutenção constante é necessária porque o piano não melhora com o tempo. No Brasil, ao contrário de outros países, manter e afinar o instrumento de forma preventiva ainda é exceção, não regra.

  1. O trabalho de um afinador custa, em média, cerca de US$ 100,00 por hora no mundo; no Brasil, esse valor costuma ser cobrado como um serviço fechado de afinação, em torno de R$ 400,00, independentemente do tempo gasto.
  2. A primeira providência é manter o piano afinado em 440 Hz, o padrão de afinação.
  3. A limpeza do interior do piano ajuda na manutenção e na longevidade do instrumento.
  4. É importante observar o ajuste dos pedais e sua lubrificação.
  5. O acionamento das teclas precisa respeitar um peso determinado, com equilíbrio entre elas — o peso do acionamento das teclas graves é maior do que o das teclas agudas.
  6. O ajuste dos martelos é imprescindível: martelos desregulados prejudicam até pianos de ótima qualidade. A ação do martelo envolve peças de madeira, feltro, ferro e couro, que sofrem com temperatura, pressão, umidade e uso contínuo.

Por que é raro encontrar um piano bem cuidado no Brasil?

O texto observa que é raro tocar um piano realmente bom no país e questiona a quantidade de pessoas que se dizem especialistas em som de piano sem ter uma referência real de qualidade para comparar.

  • “Baixei um ‘sample’ de piano que é ‘matador’! Nunca ouvi coisa igual!”
  • “Olha, desta vez consegui tocar num piano excepcional!”
  • “O piano ‘daquela’ marca não é bom!”
  • “Acabei de reformar um Piano Bentley! Ficou ‘novinho em folha’!”

Diante desses comentários, o texto questiona qual referência essas pessoas têm para avaliar o que é um bom ou mau som de piano, e como um piano reformado poderia ficar como novo. Para o autor, o universo de pianos no Brasil, incluindo fabricantes, é fraco.

Vale a pena reformar um piano antigo?

Segundo o texto, piano tem prazo de validade: não vale a pena investir em pianos com mais de 30 anos nem reformar piano velho. Um piano de marca conhecida, mas antigo, não é necessariamente bom só por causa da marca.

O texto recomenda recuperar um piano antigo apenas em dois casos: se ele tiver valor sentimental ou se tiver sido tocado por algum grande e nobre pianista. Fora essas exceções, a orientação do texto é trocar por um piano novo, já que, para o autor, piano bom é piano novo.

Luiz Carlos Rigo Uhlik

Perguntas frequentes sobre pianos acústicos

Quem inventou o piano acústico?

Segundo o texto, o primeiro piano com as características atuais foi projetado por Bartolomeu Cristofori, no século XVI, a partir de instrumentos de teclas anteriores como o harpsichord e o clavichord.

Qual é a diferença entre piano de cauda e piano vertical?

O piano de cauda (Grand Piano) tem a tábua harmônica na posição horizontal, paralela ao chão. O piano vertical (Upright) tem a tábua harmônica na posição vertical. Ambos existem em diversos modelos e tamanhos.

Qual era o nome original do piano?

O nome original era “gravicembalo col piano e forte”, depois resumido para pianoforte. Na Itália, esse termo ainda é usado para designar os pianos.

Quanto custa afinar um piano?

Segundo o texto, o trabalho de um afinador custa em média US$ 100,00 por hora. No Brasil, esse valor costuma ser cobrado como um serviço fechado de afinação, em torno de R$ 400,00, independentemente do tempo de execução.

Em que frequência um piano deve ser afinado?

O padrão de afinação citado no texto é 440 Hz, e mantê-lo é apontado como a primeira providência de manutenção do instrumento.

Vale a pena reformar um piano com mais de 30 anos?

De acordo com o texto, não — a orientação é não investir em pianos com mais de 30 anos nem reformar pianos velhos, exceto quando o instrumento tem valor sentimental ou foi tocado por algum grande pianista.

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Leonardo Ruyz
5 de dezembro de 2019
Meu maior sonho. Estou tentando de todas formas encontrar o piano melhor de meus sonhos de cauda. Precisava muito desse artigo e claro, condições.
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AC
10 de dezembro de 2019
Excelente matéria. Sou pianista há mais de 40 anos e tive vários pianos, dentre eles um Steinway & Sons e um Grotrian, ambos de armário. Normalmente a gente compra pela marca, pelo som e pelo aparente estado de conservação. Todavia, um piano, como tudo na vida, envelhece e morre. Me divirto quando vejo pessoas anunciando pianos de mais de 100 anos de fabricação, como se tivessem um verdadeiro tesouro nas mãos. Ledo engano. Ele pode estar na família há muito tempo e ter um valor sentimental, entretanto, com certeza a tia ou bisavó que tocava, já morreu e o neto que não sabe nada de música, acha que vai resolver todos os problemas financeiros dele, vendendo a "raridade". E o pior é que tem gente que compra. Pena. Piano bom é piano novo ou com poucos anos de fabricação. É fato. Não se engane por ser de uma marca famosa. Parabéns ao autor do artigo. Muito esclarecedor e verdadeiro.
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Eduardo
27 de dezembro de 2019
Gostei muito da matéria, muitas informações para um post bem resumido, didático. Estou me ingressando nesse mundo musical e nada melhor que começar ao lado das virtuosidades que ainda sobrevivem ao mar revolto. Uma lástima o brasil não disseminar essa cultura, afinal, no quesito musical enterramos nossos talentos do passado e ainda por cima jogamos todo tipo de lixo tóxico com essas tais musiquinhas da atualidade que inebriam as mentes das massas falidas de nosso brasil empobrecido de intelecto que tanto amamos.
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Confira os principais tipos de pianos e as suas características - Blog TeclaCenter
15 de março de 2022
[…] piano acústico é o que não depende de mecanismos eletrônicos de amplificação sonora. Não precisa estar […]
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Johann
6 de dezembro de 2022
Pianos antigos com certeza podem ter mecanismos que foram feitos de uma forma menos performante que os modernos mas isso não retira o valor histórico que o tempo agrega sobre o instrumento, como agrega sobre qualquer objeto. Ou seja, um instrumentista deve preferir um piano moderno mas um colecionador prefere, é claro, um piano antigo que tenha sido preservado e existe um mercado para isso. Não podemos esquecer o valor histórico. Em Paris vendem-se pianos com 100 anos ou mais por mais de 30 mil euros e o preço não é alto porque o instrumento soa bem mas, sim, porque é um objeto histórico. Não vendam antiguidades a preço de banana, isso acontece muito no Brasil.
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