O Vox Continental é um órgão combo lançado em 1962 pela JMI, criado para substituir os pesados órgãos Hammond nos palcos de rock. Tornou-se o órgão combo de maior sucesso de todos os tempos, associado a nomes como Ray Manzarek (The Doors) e Alan Price (The Animals).
Por que os órgãos Hammond eram inviáveis para tocar rock ao vivo nos anos 60?
Até a década de 1960, muitos artistas e bandas de rock usavam pianos acústicos e órgãos Hammond em estúdio. No palco, porém, esses instrumentos eram pesados, desafinavam com facilidade e eram difíceis de amplificar corretamente em meio às guitarras elétricas e baterias das apresentações ao vivo.
O Hammond B3 era a opção mais respeitada, mas caro e pesado demais para viajar em turnê. Já existiam modelos "semi-portáteis" como o Hammond M-3, mais leves que o B3, mas ainda assim volumosos, pois a Hammond mantinha a tecnologia de tonewheels — um conjunto de cerca de 96 rodas metálicas giratórias, uma para cada nota, associadas a captadores eletromagnéticos e um motor, o que tornava o instrumento extremamente pesado. Foi o surgimento do transistor que começou a mudar esse cenário.
Como a JMI criou o Vox Continental em 1962?
Os primeiros órgãos transistorizados foram criados para entretenimento doméstico, mas roqueiros logo se interessaram em levá-los ao palco. Ainda não preparados para a vida na estrada, esses modelos pareciam brinquedos perto das guitarras e baterias da época.
No início da década de 1960, a empresa inglesa JMI, que já fazia sucesso com os amplificadores Vox, viu uma oportunidade e voltou às suas origens como fabricante de órgãos, desenvolvendo um novo modelo transistorizado para substituir os pesados órgãos tonewheel nas turnês de bandas de pop e rock.
A Vox começou como "The Jennings Organ Company", fabricando órgãos para uso doméstico e em igrejas. Em 1957, a empresa foi incorporada como "Jennings Musical Industries" (JMI). O nome "Vox" passou a ser usado nos amplificadores em 1958, e em 1962 foi lançado o Vox Continental, o órgão combo de maior sucesso de todos os tempos.
Quais são as características técnicas do Vox Continental?
O Vox Continental tinha interface parecida com a de um órgão Hammond, incluindo drawbars e sets de vibrato, mas usava uma tecnologia completamente distinta. Isso resultou em um instrumento mais leve, relativamente acessível, elegante, robusto, fácil de amplificar e parcialmente desmontável para transporte em sua própria caixa.
Conhecido pelo timbre rouco e brilhante mesmo nas regiões mais agudas, o Vox era ideal para solos rápidos e destacados. O instrumento original possui seis drawbars, divididos em dois grupos:
- Quatro drawbars laranja: funcionam como controles de tom, semelhantes aos de um Hammond, aumentando o volume do tom correspondente em passos graduais de 0 (sem som) a 8 (volume máximo).
- Dois drawbars vermelhos, à direita: fazem um corte geral de graves e agudos no timbre final, permitindo um som mais estridente nos solos ou mais "gordo" nas harmonias.
Quais versões do Vox Continental existiam e qual era o seu design?
Havia duas versões do instrumento:
- Vox Continental original, com quatro oitavas.
- Vox Super Continental, o topo de linha, com dual-manual (dois teclados).
O teclado com cores invertidas, a estante cromada de design futurístico e o acabamento impecável em vermelho combinavam com os televisores coloridos da época. O Vox Continental é vermelho, e não por acaso os Farfisas também eram vermelhos e, hoje, os Nords são vermelhos — o Vox é o vermelho original.
Quem tornou o Vox Continental famoso nos anos 60?
O Vox Continental tornou-se, de imediato, um enorme sucesso e parte do som dos anos 60. Ray Manzarek, tecladista do The Doors, é um dos usuários mais famosos do instrumento: é impossível imaginar o som do grupo sem o Vox Continental.
No final da década de 1960, Manzarek trocou seu Vox original, usado nos primeiros álbuns, por um Gibson G-101, já que o instrumento não aguentava mais a vida dura da estrada e quebrava com frequência. Ainda assim, ele voltava a usar o Vox periodicamente em concertos especiais.
Outro solo célebre em um Vox Continental é o de Alan Price, tecladista do The Animals, em "House of the Rising Sun", de 1964.
https://www.youtube.com/watch?v=hRXb7K7k7bQ
Vox Continental x Farfisa: qual o papel do órgão nas bandas de rock dos anos 60?
Por ser um teclado razoavelmente acessível, o Vox chegou às mãos de inúmeras bandas de garagem e foi usado em muitos singles de sucesso durante a década de 1960, tornando-se provavelmente o órgão combo mais popular dos grandes concertos históricos do rock e do pop.
Muitas bandas das décadas de 1960 e 1970, sobretudo no Brasil, pareciam usar um Vox, mas na verdade tocavam outro teclado vermelho vintage popular na época: o italiano Farfisa. A tabela abaixo resume as diferenças descritas entre os dois instrumentos:
| Característica | Vox Continental | Farfisa |
|---|---|---|
| Origem | Inglaterra (JMI) | Itália |
| Ano de lançamento | 1962 | 1965 |
| Preço e tamanho | Relativamente acessível | Ainda mais barato e mais compacto que o Vox |
| Cor característica | Vermelho | Vermelho |
Os primeiros modelos do Vox pretendiam imitar o som de um Hammond, mas o timbre metálico e estridente acabou resultando em um som próprio, que se tornou identificável como genuíno dos anos 60. Com o tempo, o inverso passou a acontecer: músicos sem acesso ao Vox tentavam simular seu som usando o velho Hammond.
Durante a década de 1960, praticamente todas as bandas de rock — do pop ao progressivo, do soul ao hard rock, e a jovem guarda no Brasil — tinham um organista, que muitas vezes assumia papel de destaque em canções e álbuns inteiros. Havia quase tantos grandes solos de órgão quanto de guitarra, a maioria executada em um Vox, um Farfisa ou um Hammond.
O que aconteceu com o Vox Continental depois dos anos 60?
No início da década de 1970, com a chegada de teclados e sintetizadores mais sofisticados, portáteis e acessíveis, como o Moog, os órgãos Vox caíram em desuso e foram abandonados nos porões de vários estúdios.
Abandonados, mas não esquecidos: mesmo eliminado da produção no início dos anos 1970, o Vox Continental continua presente em palcos internacionais até hoje e permanece entre os órgãos combo mais procurados e desejados do mercado.
Nas décadas de 1980 e 1990, o instrumento foi resgatado para criar o som "retrô" de grupos como Stereolab, The Fleshtones e The Soup Dragons.
https://www.youtube.com/watch?v=IH3aQJj119Y
Perguntas frequentes sobre o Vox Continental
Quando o Vox Continental foi lançado?
Foi lançado em 1962 pela JMI (Jennings Musical Industries), tornando-se o órgão combo de maior sucesso de todos os tempos.
Quantos drawbars tem o Vox Continental?
O Vox Continental original possui seis drawbars: quatro laranja, que funcionam como controles de tom, e dois vermelhos, que fazem um corte geral de graves e agudos no timbre final.
Qual a diferença entre o Vox Continental e o Vox Super Continental?
O Vox Continental original tem quatro oitavas, enquanto o Vox Super Continental é o modelo topo de linha, com dual-manual (dois teclados).
Quem tocou Vox Continental na banda The Doors?
Ray Manzarek, tecladista do The Doors, usou o Vox Continental nos primeiros álbuns da banda. No final dos anos 1960 trocou-o por um Gibson G-101, mas voltava a usá-lo periodicamente em concertos especiais.
Qual a diferença entre o Vox Continental e o Farfisa?
O Farfisa é um órgão italiano introduzido em 1965, ainda mais barato e mais compacto que o Vox Continental. Ambos eram vermelhos e frequentemente confundidos, especialmente no Brasil.
Por que o Vox Continental caiu em desuso nos anos 1970?
Com a chegada de teclados e sintetizadores mais sofisticados, portáteis e acessíveis, como o Moog, os órgãos Vox foram abandonados nos porões de estúdios, embora tenham permanecido desejados no mercado de órgãos combo.









