Step sequencers são sequenciadores de passos que permitem criar melodias, ritmos e sons exóticos por meio da programação de sequências, recurso presente nos primeiros sintetizadores que deu origem aos arpejadores automáticos dos teclados modernos.
O que é um Step Sequencer?
Os step sequencers, ou sequenciadores de passos, permitem criar melodias, ritmos e sons exóticos por meio da programação de sequências. Presentes nos primeiros sintetizadores, deram origem aos arpejadores automáticos dos teclados modernos e a uma variada gama de softwares musicais, sendo normalmente utilizados em linhas de baixo e bateria eletrônica.
Existem, entretanto, muitas possibilidades não convencionais para seu uso, como a utilização do sequenciador para modificar sinais provindos de diferentes módulos de síntese. É possível, por exemplo, obter sons que têm seu conteúdo harmônico alterado de acordo com o comportamento da sequência registrada pelo compositor.
Como surgiu o sequenciador de passos?
No início da década de 1960, compositores realizaram experimentos de música eletrônica gravando o som gerado por osciladores em fita magnética. Cada altura era gravada e, depois, a fita era cortada e colada em outra parte, ordenando as alturas de acordo com a necessidade do músico.
Em 1963, Don Buchla inventou para o San Francisco Tape Center um instrumento chamado Analog Sequencer (sequenciador analógico). Com esse sistema, os compositores não precisavam mais gravar as alturas fixas em fitas magnéticas, pois o instrumento gerava as alturas eletronicamente, permitindo gravar em fita melodias completas geradas por osciladores.
Alguns anos depois, os sequenciadores analógicos passaram a ser vendidos como parte dos sintetizadores modulares das seguintes marcas:
- Moog
- ARP
- E-mu
- Polyfusion
- Buchla
Morton Subotnick foi um dos compositores pioneiros a utilizar os sequenciadores analógicos Buchla.
https://www.youtube.com/watch?v=5UfHGVwm3-0
Como funciona um sequenciador analógico?
Os sequenciadores atuais dispõem das facilidades do sistema MIDI, mas nos anos 1960 esse sistema digital ainda não existia. Os sequenciadores analógicos enviavam controles de voltagem para mudar a altura gerada pelos osciladores e sinais de disparo para ADSRs, com memória constituída por linhas de potenciômetros reguladas para alterar a altura de uma nota no sintetizador.
Os sequenciadores de passos, em geral, possuem três linhas de potenciômetros que possibilitam gerar uma sequência de alturas com ajuste de tempo para cada nota, e um sequenciador analógico pode dispor de um número limitado de notas, denominadas passos. O sintetizador Moog IIIp, por exemplo, possui uma seção chamada Moog Sequential Controller 960, formada por dois sequenciadores Moog 960. Cada sequenciador possui três linhas, cada uma com oito potenciômetros, podendo gerar até 24 passos.
O módulo sequenciador vintage SQ-10, da Korg, também possui três linhas e 12 passos. O andamento do sequenciador era controlado por um relógio chamado oscilador de baixa frequência. Assim, os compositores regulavam o sequenciador para criar séries de alturas, ritmos regulares, irregulares e sincopados e até alterações no timbre, dependendo de qual módulo de síntese era comandado pelos controles de voltagem enviados pelo sequenciador analógico.
| Sequenciador | Linhas / Canais | Passos |
|---|---|---|
| Moog Sequential Controller 960 (Moog IIIp) | 2 sequenciadores Moog 960, cada um com 3 linhas de 8 potenciômetros | Até 24 passos |
| Korg SQ-10 | 3 linhas | 12 passos |
| Korg SQ-1 (2015) | 2 canais independentes (A e B), cada um com 8 botões | 16 passos |
Em 2015, a Korg lançou um sequenciador portátil inspirado no SQ-10, chamado SQ-1. O instrumento possui dois canais independentes de sequenciamento (A e B), cada um com oito botões, que podem rodar alternadamente, avançar ou voltar em paralelo, compor 16 passos e trabalhar no modo aleatório, entre outras possibilidades.
O SQ-1 permite configurar a saída de voltagem nas opções 1V, 2V, 5V V/Oitava ou 8V Hz/V para controlar diferentes equipamentos, e trabalha com conversão MIDI para controle de voltagem. Assim, é possível enviar notas MIDI da DAW para a entrada USB, que converte a entrada MIDI em dados de controle de voltagem para um sintetizador analógico. O equipamento permite conectar e endereçar independentemente dois instrumentos ou dois osciladores de um sintetizador.
https://www.youtube.com/watch?v=9TluIQWFs6k
Como os sequenciadores foram utilizados na música eletrônica?
Na década de 1970, os sequenciadores começaram a ser utilizados para produzir padrões rítmicos e melódicos repetitivos, gerando um ritmo considerado "mecânico" pela exatidão dos tempos executados eletronicamente. Essa repetição incessante de padrões programados tornou-se um recurso valorizado por compositores ligados à vertente minimalista.
Alguns grupos de música eletrônica pop, como Kraftwerk e Tangerine Dream, utilizaram os sequenciadores como base rítmica para grande parte de suas músicas.
O sistema Synthi 100, de grandes dimensões, foi criado por Peter Zinovieff e David Cockerell, da SEM, em 1971, e fazia parte dele o primeiro sequenciador digital. Logo outras empresas, como a E-mu, desenvolveram modelos digitais. A era pré-MIDI dos sequenciadores chegou ao auge com o sistema Buchla 400, que disponibilizava funções avançadas de edição musical e visualização das informações.
O sequenciador pré-MIDI polifônico mais popular foi o Roland MC-8 MicroComposer, lançado em 1977. Esse instrumento parecia mais com uma calculadora, em que as notas eram digitadas no teclado para serem armazenadas e enviadas, através de controles de voltagem, para comandar os sintetizadores analógicos.
Isao Tomita foi o primeiro músico eletrônico a utilizar o MC-8, no Japão, sequenciando versões eletrônicas para composições de Prokofiev, Sibelius e Williams no álbum The Bermuda Triangle. Outros músicos famosos que utilizaram o MC-8 foram:
- Steve Porcaro, tecladista e compositor da banda Toto
- Suzanne Ciani, que utilizou o recurso para compor o álbum Digital Waves
Como o MIDI mudou os sequenciadores de passos?
O sistema MIDI foi introduzido em 1983 e, no início de 1984, a Passport lançou no mercado o primeiro software sequenciador, chamado MIDI/4. A partir de então, os sequenciadores tornaram-se estúdios digitais com recursos e utilização diferentes do modelo analógico de passos.
Os descendentes MIDI do Roland MC-8 proliferaram, e vários modelos ainda são muito utilizados, como:
- Roland MC-50mkII
- Roland MC-80
- Yamaha QX5FD
- AKAI ASQ10
Perguntas frequentes
O que é um Step Sequencer?
É um sequenciador de passos que permite criar melodias, ritmos e sons exóticos por meio da programação de sequências. O recurso está presente nos primeiros sintetizadores e deu origem aos arpejadores automáticos dos teclados modernos e a diversos softwares musicais.
Quem inventou o sequenciador analógico?
Don Buchla inventou o Analog Sequencer em 1963 para o San Francisco Tape Center. Morton Subotnick foi um dos compositores pioneiros a utilizar os sequenciadores analógicos Buchla.
Quantos passos o sequenciador do Moog IIIp podia gerar?
O Moog IIIp possui a seção Moog Sequential Controller 960, formada por dois sequenciadores Moog 960. Cada um tem três linhas com oito potenciômetros, podendo gerar até 24 passos.
Qual foi o sequenciador pré-MIDI polifônico mais popular?
Foi o Roland MC-8 MicroComposer, lançado em 1977. Isao Tomita foi o primeiro músico eletrônico a utilizá-lo, no Japão, e Steve Porcaro e Suzanne Ciani também usaram o equipamento.
O que é o Korg SQ-1?
É um sequenciador portátil lançado pela Korg em 2015, inspirado no SQ-10. Possui dois canais independentes (A e B), cada um com oito botões, compõe 16 passos e permite conversão de MIDI para controle de voltagem.
Quando o sistema MIDI foi introduzido nos sequenciadores?
O sistema MIDI foi introduzido em 1983. No início de 1984, a Passport lançou o primeiro software sequenciador, chamado MIDI/4.









