Rick Wakeman em plena forma

Músicos e História da Música

Rick Wakeman em plena forma

Rick Wakeman em plena forma

Rick Wakeman, tecladista britânico nascido em 1949 e pioneiro do rock progressivo, mantém aos 65 anos a mesma paixão pela música ao vivo, apresentando-se no Brasil com a English Rock Ensemble e concedendo entrevista antes de show no Teatro Bradesco, em São Paulo.

Do alto de seus 66 anos, o tecladista e compositor Rick Wakeman, ídolo de várias gerações de músicos, dá aulas de simplicidade e sensibilidade enquanto continua a impressionar plateias com a técnica irreparável, os solos inspirados e o estilo inconfundível.

Quem é Rick Wakeman e por que ele é referência nos teclados

Ícone das teclas, Rick Wakeman é um pioneiro no uso de teclados eletrônicos, principalmente no rock progressivo. Domina com maestria vários instrumentos de teclas e ficou conhecido pela imagem do músico cercado por pilhas de teclados nos palcos. O Minimoog é o único equipamento que sempre esteve presente em seu set, considerado seu grande parceiro.

Entre os instrumentos que domina estão:

  • Sintetizadores
  • Pianos
  • Órgãos
  • Clavinets
  • Minimoog (companheiro constante)

Da formação clássica ao trampolim com The Strawbs

Nascido no dia 18 de maio de 1949 em Londres, Inglaterra, Wakeman iniciou seus estudos musicais com aulas particulares de piano erudito em 1955. Esse período foi decisivo para a construção de sua linguagem musical e sua técnica, ambas baseadas na música clássica. Em 1968, ingressou na Royal College of Music e, no ano seguinte, iniciou sua carreira.

A primeira banda que integrou foi a de Ronnie Smith e, no mesmo ano, se juntou à banda The Spinning Wheel, além de atuar como músico de estúdio, chegando a gravar ao lado de David Bowie. O grande trampolim em sua carreira aconteceu em 1970, quando ingressou na banda The Strawbs. Foi um concerto do grupo no Queen Elizabeth Hall que chamou a atenção da mídia para Wakeman. O Melody Maker resumiu o que viu e ouviu em sua manchete: “Superstar do Amanhã”.

Estima-se que já tenha participado de mais de 2 mil faixas de diferentes artistas e bandas, como Black Sabbath, Cat Stevens (“Morning Has Broken” é a mais lembrada), Mary Hopkins, Cilla Black, Clive Dunn, Elton John, Edison Lighthouse, David Bowie, Lou Reed, Dana, Des O’Connor, Magna Carta, Al Stewart, Ralph McTell, Butterscotch, Biddu e Harry Nilsson, entre outros.

Entrada no YES e o clássico Fragile

Em 1971, Wakeman participou de um segundo álbum com o The Strawbs, intitulado From The Witchwood. No mês de agosto desse ano, deixou a banda para se juntar ao YES, grupo que deixou e retornou por quatro vezes. Excursionou pela América pela primeira vez e participou do clássico álbum Fragile, considerado por muitos como um compêndio do rock progressivo.

No final do ano, assinou contrato com a A & M Records e gravou “Catherine of Aragon”, a primeira faixa de seu álbum de estreia, no Trident Studios, em Londres. A base de “Catherine of Aragon” foi originalmente escrita por ele para o Fragile com o nome de “Handle With Care”. No ano seguinte, o músico grava com o YES o clássico Close to the Edge e a banda se estabelece no mundo inteiro como líder do rock contemporâneo.

Simultaneamente, Wakeman continua as gravações de seu projeto até que, em 1973, lança o álbum The Six Wives of Henry VIII. Apesar da crítica um tanto quanto indiferente, e muito receio da gravadora em lançar um LP totalmente instrumental, o álbum foi um grande sucesso em todo o mundo. Ao lado do YES, lança Yessongs e, no fim desse mesmo ano, Tales from Topographic Oceans.

1974: o ano de Journey to the Center of the Earth

Provavelmente o ano mais importante na carreira de Wakeman tenha sido 1974, com o lançamento de Journey to the Center of the Earth (Viagem ao Centro da Terra). O álbum foi gravado ao vivo, no segundo de dois concertos realizados no dia 18 de janeiro, no Royal Festival Hall, em Londres. O disco é baseado no romance de ficção científica de Jules Verne.

A London Symphony Orchestra, o English Chamber Choir e uma seleção de músicos que formaram a banda The English Rock Ensemble, além do ator David Hemmings como narrador, acompanham Wakeman na empreitada. O disco todo foi gravado por um estúdio móvel de 16 canais acomodado dentro de um trailer. Wakeman queria que ambas as apresentações fossem gravadas a fim de escolher os melhores trechos, mas a London Symphony Orchestra exigiu pagamento dobrado se isso ocorresse. Wakeman, então, tomou a “assustadora decisão” de gravar apenas a segunda sessão com a esperança de que não houvesse muitos erros.

Como o álbum foi recebido pela crítica

Recepção da épocaRecepção atual
“Pastiche clássico”, “realmente terrível”, “exagero brutal de sintetizadores”“Uma das maiores conquistas do rock progressivo”
“A música surge magnificamente”, “trabalho impressionante que só ocasionalmente cai em pretensão”“Conglomerados interessantes da música orquestral e sintetizadores”
“Divertido, fresco e despretensioso... esta poderia ser a trilha para um musical de Hollywood”—

O disco angariou um disco de ouro, uma nomeação para o Grammy e um total de 14 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. A sequência do trabalho foi excursionar pelo mundo acompanhado de orquestras e corais locais.

King Arthur, altos e baixos após o auge progressivo

Durante a turnê, já em 1975, Wakeman passou mal ao final de um show e foi internado após uma suspeita de um pequeno ataque cardíaco. No hospital por algumas semanas, escreveu o The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table (Mitos e Lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda), completando sua trilogia de grandes sucessos.

No ano seguinte, lançou No Earthly Connection, também com o English Rock Ensemble, e a música para o filme White Rock. Ao auge do rock progressivo seguiu-se um período turbulento. Wakeman continuou realizando álbuns ainda de certa repercussão como Rick Wakeman’s Criminal Record, Rhapsodies e MAYBE ‘80. Mas o progressivo não chamava mais a atenção. Apesar da enorme produção fonográfica, os tempos de glória se foram e Rick Wakeman é cultuado como “gênio” e “detentor das mãos mais ágeis do cenário musical”.

Encontro no Teatro Bradesco: a entrevista

Aos 65 anos, muito simpático e exercendo seu típico humor britânico, Rick Wakeman concedeu esta entrevista em sua mais recente passagem pelo Brasil, em que percorreu diversas cidades e apresentou seus grandes sucessos, com e sem orquestra. Conversamos com ele pouco antes de uma de suas apresentações no Teatro Bradesco, em São Paulo.

Nessa noite, no final de outubro, o mago dos teclados apresentou um show irretocável, com aproximadamente duas horas de duração, com a Rock English Ensemble, banda que o acompanha desde o auge de sua carreira, na década de 1970. Exemplo de profissionalismo e amor ao ofício, o músico fez questão de convidar a plateia à entrada dos camarins para autógrafos, fotos ou apenas um aperto de mãos, e não se ausentou até que todos fossem atendidos, o que demorou mais de uma hora. Longe do estereótipo do gênio musical introspectivo e arrogante, Wakeman fala com naturalidade e tem o riso fácil.

Você tem a noção de que qualquer pessoa que estudou piano, órgão ou teclado nos últimos 35 anos, independentemente do estilo, tem você como grande ídolo, senão o maior?
Me sinto lisonjeado quando as pessoas dizem coisas assim. Gosto de pensar que a música que fiz e as coisas que tenho feito tenham ajudado outras pessoas, jovens músicos, a construir o estilo delas e a acreditar que podem tocar. Me esforcei de forma que o que faço, o jeito que toco, ensina que não há barreiras e que tudo é possível. É muito bom saber que em algum ponto ajudei tecladistas e músicos em geral. É muito bom também fazer parte, de alguma maneira, dessa nova geração.

Quem é o Wakeman aos 65 anos?
Quem é o Wakeman aos 65 (risos)? Não há diferença de quando eu tinha 25, fora que estou mais velho. Continuo apaixonado, acreditando na música que faço, e que ainda há muita música nova e novas fronteiras a percorrer. Com essa vastidão, que ainda penso ser possível, continuo sempre tocando. E ao vivo, que é o que gosto de fazer! E todo tipo de música, sempre procurando novas aventuras, pois acredito que todo músico está sempre buscando por coisas diferentes.

Leia a integral desta entrevista na revista digital gratuita Teclas & Afins em www.teclaseafins.com.br

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Perguntas frequentes sobre Rick Wakeman

Quando e onde Rick Wakeman nasceu?

Rick Wakeman nasceu no dia 18 de maio de 1949 em Londres, Inglaterra. Iniciou seus estudos musicais com aulas particulares de piano erudito em 1955 e ingressou na Royal College of Music em 1968.

Qual é o teclado mais icônico usado por Rick Wakeman?

O Minimoog é o único equipamento que sempre esteve presente no seu set e é considerado seu grande parceiro. Além dele, Wakeman domina sintetizadores, pianos, órgãos e clavinets, e ficou famoso pela imagem cercado por pilhas de teclados nos palcos.

Quantas cópias vendeu o álbum Journey to the Center of the Earth?

O álbum, lançado em 1974 e gravado ao vivo no Royal Festival Hall em Londres, angariou um disco de ouro, uma nomeação para o Grammy e um total de 14 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Qual foi a relação de Wakeman com a banda YES?

Wakeman se juntou ao YES em agosto de 1971, grupo que deixou e retornou por quatro vezes. Participou de álbuns clássicos como Fragile, Close to the Edge, Yessongs e Tales from Topographic Oceans.

Com quais artistas famosos Rick Wakeman já gravou?

Estima-se que ele tenha participado de mais de 2 mil faixas de diferentes artistas, entre eles Black Sabbath, Cat Stevens (em “Morning Has Broken”), David Bowie, Elton John, Lou Reed, Cilla Black, Al Stewart e Harry Nilsson, entre outros.

Como foi criado o álbum sobre o Rei Arthur?

Em 1975, durante uma turnê, Wakeman passou mal ao final de um show e foi internado após suspeita de um pequeno ataque cardíaco. No hospital, escreveu The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table, completando sua trilogia de grandes sucessos.

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