Oswaldinho do Acordeon utilizando Roland FR-7 V-Accordion


Oswaldinho do Acordeon
Carioca, filho de Pedro Sertanejo, precursor do forró em São Paulo, Oswaldinho do Acordeon mudou-se para São Paulo aos oito anos onde iniciou-se no piano. Aos doze anos já tocava acordeon profissionalmente com o pai na gravadora Continental e em diversos forrós. Em 1976 conheceu o professor italiano Dante D’Alonzo e começou a estudar para valer. O talento raro lhe rendeu uma bolsa no Conservatório Dante, de Milão. “No exterior as chances de aperfeiçoamento são maiores, pois o instrumento é bastante difundido”, explica.
Seu currículo registra gravações com as principais estrelas da MPB, de Elba Ramalho, Edson Cordeiro, Caetano Veloso, Jackson do Pandeiro, Lobão, Raul Seixas, Ney Matogrosso, Nara Leão e Milton Nascimento, até Paul Simon, Manu Di Bango, Didier Lockwood e Cassiopéia. Teve a oportunidade de abrir o show de All Jarreau, na França e participar de projetos como Pixinguinha, USTOP, Free Jazz Festival, Festival de Montreal, Rock in Rio I e II, Festival de Jazz de Montreux – Suíça, Festival de Jazz de Chateauvallon – França, Juan Les Piñs – França, Blue Note – Nova Iorque, Ball Room – Nova Iorque, Festival de Amiens – França, entre outros.
Oswaldinho tem 23 discos gravados, sendo alguns deles gravados no exterior. Trabalhos que com certeza o inserem no contexto de um dos melhores acordeonistas do mundo.
Em 2004, assim que o V-Accordion chegou ao Brasil, o presidente da Roland, Sr. Takao Shirahata, entrou em contato com você para que você fosse o primeiro músico brasileiro a testar este acordeon. Conte-nos um pouco como foi esse encontro com o V-Accordion pela primeira vez.
Eu recebi um telefonema do Takao pra fazer uma reunião com ele lá em Cotia e conhecer a empresa. Foi quando ele me apresentou pela 1ª vez o instrumento ROLAND FR-7, que tinha acabado de chegar ao Brasil.

Ele queria saber o que eu achava do instrumento e então o meu primeiro contato foi uma surpresa, pois eu não sabia que a Roland já estava neste caminho de lançar acordeon. Foi uma surpresa enorme ver a tecnologia deste instrumento e eu acabei sendo convidado para ser o representante do V-Accordion no Brasil.
Na sua opinião, qual o diferencial que o V-Accordion FR-7 teve em seu som? Comente um pouco sobre o peso e sobre a qualidade de som do equipamento.
A diferença que eu senti logo de cara, comparado ao instrumento que eu tenho (que é um acordeon acústico) e o qual eu mais trabalhei no Brasil, foi o peso do instrumento, a cor e as possibilidades de timbres. Porque antes eu usava dois instrumentos, um MIDI e um acústico, e nesse eu uso os dois em um só . Resolveu muito o meu problema de carregar 2 instrumentos em um show.
Como foi participar do Festival Roland V-Accordion? Você participou da seleção dos finalistas, foi jurado e fez um show incrível com sua banda na noite da grande final.
Foi o primeiro Festival de Acordeon organizado que eu já vi e o fator principal desse Festival foi termos grandes músicos participando. Quem se apresentou ali foram músicos profissionais, músicos de primeiro gabarito, acostumados com estúdio, acostumados com gravações. Eles estavam demonstrando como explorar todos os recursos do instrumento, que era o nosso objetivo. Então eu acho que a idéia da Roland deu certo nesse Festival porque cada um mostrou a sua personalidade no instrumento, contando também pela rápida adaptação ao acordeon digital, pois trabalharam com a performance de 1º mundo.Pra mim foi uma surpresa ser convidado para ser jurado, principalmente para ser jurado de amigos meus de profissão, e foi uma tarefa muito difícil julgar e só escolher uma pessoa, por mim eu escolheria todos os cinco, mas foi muito importante pra mim ter essa responsabilidade de homenageá-los com notas verdadeiras, e também estar junto com outros colegas que estavam no júri. Foi muito gratificante fazer um show entre amigos, foi muito maravilhoso!
Como era sua relação com Sivuca e Mário Zan? Em 2006, você, Mário Zan e Dominguinhos estiveram no auditório da Roland (Pinheiros/SP) gravando um especial sobre o acordeon e logo depois tivermos o falecimento do Mário Zan.
Bom, essa entrevista que nós fizemos ficou como uma entrevista histórica, porque foi o último contato pessoal que tive com Màrio Zan, que foi meu ídolo logo quando eu cheguei em SP. E o Dominguinhos nem se fala, porque é uma pessoa que eu respeito muito, que me ajudou muito na carreira e vice-versa, através da família nordestina comandada pelo meu pai. E a minha relação com o Sivuca foi quase uma relação de pai pra filho, porque foi um homem que me inspirou muito sinfonicamente, foi um homem em que eu me espelhei muito na minha carreira, pra ser um acordeonista e não um simples sanfoneiro, pra ter conhecimento e tocar com orquestra e ter o prazer de estudar o meu instrumento, conhecendo por dentro e por fora. Então o meu contato com essas 3 pessoas (Mário Zan, Dominguinhos e Sivuca) acho que poucos tiveram a oportunidade de ter e essa amizade bonita com esses 3 cavalheiros.
Finalizando, dê uma mensagem aos acordeonistas de todo o Brasil que estão iniciando seus estudos e certamente terão você como referência.
Primeiro: continuar estudando; segundo: droga e música não combinam, o que combina é estudar. Tocar faz bem pra alma, a música é um paliativo, é um remédio pra esse mundo de hoje conturbado e quanto mais tecnológico vocês forem, mais vantagens vocês terão, porque hoje a era da informática chegou ao acordeon e quanto mais vocês se aprimorarem e ficarem mais íntimos da tecnologia digital, mais trabalho vocês terão no campo artístico.
Ouça aqui a música produzida por Oswaldinho e banda usando o V-Accordion FR-7

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