O pianista alemão Kai Schumacher rompe as barreiras entre estilos ao fundir música clássica contemporânea, techno, rock, sound bits e jazz com piano acústico, instrumentos de brinquedo e eletrônica.
Rompendo barreiras entre estilos, o pianista Kai Schumacher explora as possibilidades sonoras do piano em projetos inusitados.
Como Kai Schumacher mistura estilos musicais no piano?
Seja na música ou na história, alemães sabem como construir sólidas estruturas. E também como rompê-las. O pianista Kai Schumacher é um exemplo disso. Um dos principais integrantes de uma nova corrente estética que defende derrubar as barreiras entre os diferentes estilos, o pianista alemão funde música clássica contemporânea, techno, rock, sound bits e jazz com piano acústico, instrumentos de brinquedo e eletrônica.
O músico explora elementos do Dadaísmo e da pista de dança, da avant-garde e da cultura pop, processando remixes analógicos em que o piano se transforma ora em instrumento de percussão preparado, ora como objeto de efeitos mecânicos.
Qual é o repertório e os principais projetos de Kai Schumacher?
O repertório de Schumacher dá especial ênfase à música contemporânea americana para piano, mas são indeléveis as marcas deixadas pela formação clássica e a atuação em bandas de rock e trabalhos na noite.
Seu CD de maior sucesso, Transcriptions, homenageia os “heróis de sua infância”, entre eles:
- System of a Down
- Portishead
- Megadeth
- Nirvana
- e outros
Além de inúmeras apresentações e estreias europeias, ele trabalha em estreita colaboração com compositores da nova geração e em projetos, no mínimo inusitados. Em Querida, eu sou realmente inútil para você - 12 Variações sem Amanda Palmer, Schumacher trabalhou com 12 compositores que escreveram, cada um, uma variação sobre um tema composto por ele. Em cooperação com a Duisburg Philharmonic, desenvolve novas formas para a apresentação de concertos, misturando seu repertório de piano clássico e contemporâneo, com eletrônica e rock, também com instalações de luz e vídeo formando uma performance musical e visual que atrai o público mais jovem e críticos mais velhos igualmente.
https://www.youtube.com/watch?v=5VTYMptPzgI
https://www.youtube.com/watch?v=SqZNMvIEHhs
Perguntas e respostas com Kai Schumacher
Qual é o conceito do projeto Insomnia?
Insomnia é o álbum-solo atual de Schumacher, que apresenta música noturna de vários compositores americanos dos séculos 20 e 21. É uma espécie de álbum conceitual, como uma odisséia noturna - calma e pacífica, por um lado, mas também muito perturbadora e misteriosa por outro. Para enfatizar esses estados de espírito noturnos, ele adicionou conteúdo visual às performances ao vivo: um show de vídeo em 4k, produzido especialmente para apresentação em planetários, com um sistema surround 3D que divide a música em até sessenta canais diferentes.
Qual é a concepção de Kai Schumacher sobre o piano?
Para Schumacher, o piano é um instrumento polivalente, que pode ser usado em muitos gêneros diferentes sem nunca se tornar um elemento estranho. Ele é crítico da especialização de pianistas focados em uma única direção. Começou a tocar piano clássico aos cinco anos, mas sempre se interessou por punk rock, música eletrônica e material contemporâneo sofisticado, sem limitações musicais. Ele nunca imaginou o piano como algo que exigisse um respeito “clássico” inadequado, tratando-o sempre como um instrumento, e não como um santuário.
Por que Kai Schumacher se considera intérprete e arranjador, e não compositor?
Schumacher se descreve como pianista e arranjador, cujos arranjos muitas vezes evoluem para longe dos originais. Ele prefere chamar seu trabalho de remix pianístico, e não de transcrição tradicional, mantendo as partes improvisadas de suas performances reduzidas ao mínimo. Quando trabalha com elementos eletrônicos fixos, o computador funciona como um parceiro digital rigoroso de música de câmara, exigindo sincronização precisa. Ele acredita que há muita boa música ainda não descoberta, e que seu papel no palco é recompor essa música para uma dramaturgia convincente.
Por que ele usa o piano em vez de sintetizadores?
Segundo Schumacher, usar um sintetizador é a maneira mais fácil de criar sons diferentes, já que os sintetizadores digitais modernos permitem construir paisagens sonoras de fantasia em poucos minutos. Ele considera mais interessante explorar o piano de cauda para além das 88 teclas, em busca de uma nova qualidade de sonoridade, além de achar que um piano de cauda no palco parece mais elegante e “estiloso” do que um monte de sintetizadores.
| Instrumento | Característica segundo Kai Schumacher |
|---|---|
| Sintetizador | Maneira mais fácil de criar sons diferentes; permite construir paisagens sonoras rapidamente |
| Piano de cauda | Permite explorar sonoridades além das 88 teclas; visualmente mais elegante e “estiloso” no palco |
Como é misturar Mozart e Rage Against The Machine em um mesmo trabalho?
Schumacher não mistura os dois na mesma peça musical, mas no mesmo programa de recital. Ele acredita que há um ponto comum na história da música: a canção, a maneira mais simples de expressar sentimentos, seja em um hino de igreja, uma canção política ou uma melodia de jazz ou rock. Para ele, a canção é a forma de arte que sobreviveu aos séculos e é o menor denominador comum na música, permitindo derrubar os muros entre o clássico, o contemporâneo e a música pop.
https://www.youtube.com/watch?v=AMwRSs--P_A









