Giorgio Moroder – o pai da Disco Music

Giorgio Moroder – o pai da Disco Music


EDIT_GiorgioMoroder_5Giorgio Moroder é considerado o maior responsável pelo uso massivo de sintetizadores na Disco Music e seu trabalho ainda é modelo para o uso desses instrumentos nos mais variados estilos musicais dançantes

Não se pode falar de Disco Music sem citar Giorgio Moroder. Durante a carreira que começou no final dos anos 60, o italiano produziu trabalhos de alguns dos mais respeitados e bem sucedidos artistas da música pop, como Donna Summer, Barbra Streisand, David Bowie, Chaka Khan, Freddie Mercury, Elton John, Blondie, e Janet Jackson, entre muitos outros. Apesar de ser mais conhecido como um dos pioneiros da música eletrônica e como figura fundamental para o desenvolvimento da Disco Music dos anos 70, Moroder também se dedicou à trilha sonora de cinema, conquistando quatro Globos de Ouro e três Oscars – para a Melhor Trilha Sonora Original por Midnight Express (1979), Melhor Canção Original (1984) por Flashdance com “Flashdance … What A Feeling” e melhor
Canção Original para “Take My Breath Away”, do filme Top Gun.

Trajetória
Natural de Ortisei, no norte da Itália, Moroder iniciou a carreira como guitarrista, excursionando pela Europa com bandas cover. Em 1967, fixou residência em Berlim para se concentrar em composição e gravações demo. Fundou o estúdio Musicland Studios, onde posteriormente gravaram vários artistas de peso como Electric Light Orchestra , Led Zeppelin, Rolling Stones, Queen e Elton John. Suas primeiras gravações foram com Michael Holm e Ricky Shayne e seu single de estreia foi “Looky, Looky”, de 1969. Naquela época, Moroder formava uma equipe de produção com Pete Bellotte. Creditado como Giorgio, o primeiro álbum-solo, Son Of My Father, foi lançado em 1972, embalado pela canção-título que se tornou um enorme sucesso na América e deu a Moroder sua primeira pitada de fama internacional. Durante o período seguinte, a dupla compunha constantemente, muitas vezes gravando demos para os artistas na esperança de vender uma música. Para uma dessas sessões, contrataram uma garota americana para cantar em uma demo que estavam produzindo para o grupo Three Dog Night. A canção não vendeu, mas o vínculo com a cantora iria mudar a história da música para sempre.


DS 1975 loveto frontDonna Summer

Se não se pode falar de Disco Music sem citar Giorgio Moroder, muito menos conhecer o produtor sem olhar para Donna Summer. Moroder e Bellote passaram a utilizar Donna para sessões de trabalho assim como gravá-la como artista. Percebendo em sua voz e na aparência impactante elementos mais que promissores, produziram dois singles: “The Hostage” e “Lady Of The Night”. O sucesso levou ao álbum Lady Of The Night, de 1974,inicialmente divulgado na Europa, que se tornou um grande sucesso e somente depois foi distribuído pela Casablanca Records (de propriedade do próprio Giorgio) nos Estados Unidos. Em 1975, o trio lançou Love to Love You Baby, outro grande sucesso, que trazia a faixa-título de mesmo nome com duração de mais de 16 minutos, ocupando todo o lado A do LP. Posteriormente, fizeram edições da canção com 7 minutos de duração. A faixa pulsante era marcada pelos suspiros e gemidos sensuais de Donna. Controversa, tornou-se hit mundial. “Love to Love You Baby” foi uma gravação inovadora, tecnologicamente à frente de seu tempo, que apontava diretamente para a próspera cena Disco.

Moroder continuou a produzir outros artistas e os álbuns posteriores de Donna. “I Feel Love” (do álbum I Remember Yesterday) continuou o sucesso de “Love To Love You Baby” e tornou-se uma obra-prima de produção eletrônica, especialmente considerando a tecnologia disponível na época. Seguiram-se então vários sucessos lançados pelo trio, como “Last Dance”, “No More Tears (Enough Is Enough)”, “Dim All the Lights”, “MacArthur Park”, “Hot Stuff” e “On the Radio”, que alçaram Donna Summer à categoria de prima dona da Disco Music.

Na segunda metade da década de 1970, Moroder dedicou-se, além da produção de vários artistas – como Roberta Kelly, outra diva disco – a seus trabalhos-solo, como a Munich Machine, círculo de cantores e músicos que ele usava para suas criações. Em 1977, lançou “From Here To Eternity”, uma mixagem contínua da pulsante Eurodisco com efeitos de vocoder, ritmos metálicos e efeitos futuristas, que provaram que o produtor estava à frente de seu tempo. Reafirmando seu estilo, as músicas produzidas na época possuíam ganchos incessantemente repetidos, ritmos firmes e hipnóticos e instrumentação inteligente, com sintetizadores dominando a mixagem.

20140421-moroder-x1800-1398082734Moroder passou a dedicar-se principalmente à composição de trilhas sonoras a partir de 1978, recrutado por Alan Parker para o filme Midnight Express. Durante a década seguinte, seguiram-se as trilhas de American Gigolo, Cat People, Flashdance, Scarface e The Never Ending Story. Também trabalhou sobre uma versão restaurada de Metrópolis, clássico mudo de Fritz Lang, de 1926, de onde foram extraídos singles de Bonnie Tyler (‘Here She Comes’) e Freddie Mercury (‘Love Kills’). Entre muitos outros sucessos, escreveu “Call Me”, da banda Blondie e, em 1986, as trilhas de Top Gun e da série de TV Battlestar Galactica.

Depois de alguns anos de exílio involuntário da mídia, apesar de trabalhos importantes como produtor, Moroder retornou ao mundo do sucesso em grande estilo, participando da produção, em 2013, do álbum Random Access Memories, da dupla de DJs Daft Punk, que rende homenagem à cultura musical da década de 1970 e traz entre as faixas “Giorgio by Moroder”, uma citação mais do que justa. Daí a virar DJ, foi um passo para o italiano. Requisitado para tocar nas melhores festas do mundo, o mito da Disco prova que continua entendendo de música e muito além de seu tempo.

 

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