Made In Brazil, CD de Eliane Elias, é indicado ao Grammy

Made In Brazil, CD de Eliane Elias, é indicado ao Grammy


rgb_eelias_mib_5x5300dpiÚnica artista brasileira indicada ao Grammy 2015, Eliane Elias construiu uma sólida carreira internacional explorando de forma muito particular – como poucos se propõem a fazer – as confluências e as possibilidades da bossa nova e do jazz, representadas no disco que marca o retorno da artista ao estilo que a consagrou

O novo álbum de Eliane Elias atingiu o primeiro lugar em audições no iTunes e no Amazon.com e estreou em terceiro lugar na Billboard Traditional Jazz Chart, nos Estados Unidos. Também atingiu o topo em paradas da França, da Espanha e de Portugal. Nada mal para a paulistana que há mais de 30 anos mudou-se para Nova York. E, também, nada surpreendente.

Desconhecida do grande público no Brasil, a pianista e cantora foi para os Estados Unidos, com 21 anos, para tocar  jazz. E fez isso tão bem que se tornou a primeira mulher instrumentista a ganhar uma capa da Downbeat, mais importante publicação do gênero no mundo. Com cinco indicações ao Grammy e quatro discos de ouro, ganhadora três vezes do prêmio de melhor disco vocal no Japão e primeiro lugar em vendas na França, com todas as gravações entre os top five na Billboard Jazz Charts, Eliane Elias conquistou definitivamente um lugar no rol dos gigantes da música.

Eliane Elias começou a estudar piano erudito aos 7 anos, influenciada pela mãe Lucy, também pianista. Aos 12,  transcrevia os solos de grandes mestres do jazz. Três anos mais tarde, era orientada por ninguém menos que Amilton Godoy, ícone da música brasileira que a influenciou de maneira indelével. A carreira profissional se iniciou aos 17,  trabalhando com Toquinho e Vinícius de Moraes e no circuito de jazz, apresentando composições próprias. Após uma turnê em 1981 com o baixista Eddie Gomez, foi encorajada a se mudar para Nova York, onde continuou seu aperfeiçoamento na Juilliard School of Music. Surgiu então o convite para se juntar à banda Steps Ahead, ao lado de Mike Mainieri, Michael Brecker, Peter Erskine e Eddie Gómez. Seu primeiro álbum foi uma colaboração intitulada Amanda, em 1984, com Randy Brecker, com quem se casou. Pouco tempo depois começou sua carreira-solo, assinando com a Blue Note Records e lançando o álbum Illusions, de 1987, com Steve Gadd e Stanley Clarke. No ano seguinte, foi eleita Melhor Novo Talento em Jazz pela revista Critics Poll.

Na sequência vieram Cross Currents, com Eddie Gomez e Peter Erskine, e So Far So Close, produzido por Eumir Deodato. Foi indicada pela primeira vez ao Grammy em 1995, pelo álbum Solos and Duets, gravado com Herbie Hancock. De lá para cá, Eliane, cada vez mais, adicionou canções brasileiras a seu repertório, notadamente da bossa nova além de suas próprias composições, criando o estilo que a consagrou e influenciou artistas do porte de Diana Krall.

ElianeElias_2015-9_PhotoByPhilippeSolomanO álbum Made In Brazil marca o retorno da pianista a esse estilo que a consagrou, que mistura as raízes brasileiras e sua voz sensual e atraente com o jazz instrumental consistente e suas habilidades de composição. O álbum tem repertório dividido por meia dúzia de composições autorais (criadas há dois anos, durante as férias em São Paulo) e outro tanto de clássicos da MPB, como “Aquarela do Brasil”. Gravado em São Paulo e com participações de artistas como Roberto Menescal, Ed Motta, Take 6, Amanda Brecker e a Orquestra Sinfônica de Londres, o álbum apresenta as várias facetas da pianista/cantora, que atuou também como arranjadora, compositora, letrista e produtora.

Conversamos com Eliane Elias, que nos contou um pouco mais sobre o disco e o mercado fonográfico atual.

Qual foi o conceito que norteou a produção desse álbum dedicado ao Brasil?
Esse álbum traz um pouco da história de nossa música, começando com Ary Barroso, passando por Tom Jobim e  Menescal, e com minhas composições, que são mais contemporâneas. A ideia foi gravar no Brasil. É a primeira vez que  gravo no Brasil desde que me mudei para Nova York, em 1981. Foi uma gravação especial para mim.

Você acumulou várias funções na produção desse álbum: pianista, cantora, arranjadora, produtora etc. Como é atuar em diferentes frentes? Quais as dificuldades e as vantagens nesse tipo de trabalho?
Em todos os meus álbuns trabalho em várias frentes. A dificuldade é que tenho que trabalhar demais, usar muitos chapéus (risos), tomar conta de muitas coisas, de muitos aspectos da gravação. A vantagem é que o resultado sonoro é o que eu imaginei. As músicas retratam exatamente o que pensei.

Made In Brazil é um álbum feito nos moldes de superprodução, prática não tão comum nos dias de hoje. Por que essa opção?
O que faço musicalmente e a opção que faço de produção são baseados no que imagino, no que eu espero escutar em cada uma das músicas e dos arranjos. Podendo, ou seja, estando em uma situação em que eu possa fazer o que fiz – ter orquestra, cordas adicionais etc -, é claro que vou atrás do som que quero.

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