A Verdade sobre Pianos Acústicos


“Ao contrário de outros instrumentos de corda, ou mesmo de bons vinhos, um piano não ganha em qualidade com o passar do tempo.”

Tive o privilégio de conhecer as principais fábricas de pianos do mundo, bem como boa parte de seus representantes.
Vou falar um pouco sobre pianos, então:

– Ah, o Piano!

É interessante descobrir e vasculhar a história e as peculiaridades deste magnífico instrumento.
O primeiro piano, com as características que conhecemos hoje, foi projetado por Bartolomeu Cristofori, no século XVI.
Haviam outros instrumentos de teclas na época como os “harpsichord” e “clavichord”.
Esses instrumentos “beliscavam” as cordas e produziam um som de igual intensidade, não importando a dinâmica da ação sobre as teclas.
Cristofori teve a ideia de produzir um instrumento onde as teclas fossem “marteladas”, permitindo ao instrumentista a ação sensível sobre as teclas: quanto maior a intensidade da ação sobre as teclas, maior o volume e o corpo do som.

É assim, até hoje, com os pianos.

O nome original do piano era “gravicembalo col piano e forte”; em resumo, pianoforte.
Na Itália ainda se utiliza este nome para designar os pianos.

Existem dois tipos de pianos: os Pianos de Cauda (Grand Pianos), que possuem a tábua harmônica na posição horizontal, paralela ao chão, e os Pianos Verticais (Uprights), com a tábua harmônica na posição vertical.
Ambos possuem uma grande variedade de modelos e tamanhos.

Duas são as principais partes do piano: a carcaça (Frame – estrutura metálica) e mecanismo de acionamento das teclas.
A qualidade, a tecnologia e o conhecimento empregado nestas duas partes é que distinguem um piano de outro.

O som do piano é produzido pelo acionamento da tecla, que faz funcionar um complexo de mecanismos que impulsionam um martelo a atingir a corda.
Entretanto, o corpo do som é produzido pela vibração da corda “martelada” sobre uma tábua de ressonância, denominada “Soudboard”.
A qualidade, a tecnologia e o conhecimento empregado, também, nesta madeira é que proporciona a excelência do som do piano.

Como curiosidade é interessante saber que o piano acústico possui três vezes mais componentes do que um automóvel.
Portanto, fazer com que esses componentes funcionem a contento é realmente uma arte.

Tomo a liberdade de apresentar algumas das principais marcas de pianos do mundo.

Esses, realmente, são os verdadeiros pianos acústicos.

KAWAI
Fundada em 1927 pelo genial Koichi Kawai, um dos mais respeitados fabricantes de pianos do mundo.
Desde a sua fundação, os pianos Kawai se diferenciaram dos demais pianos orientais pela timbragem aveludada, seguindo a linha dos fabricantes europeus.
No ano 2000 a Kawai lança os pianos customizados Shigeru Kawai, na intenção de competir com os pianos mais renomados do mundo, visando as grandes salas de concerto.

STEINWAY & SONS
Fundada em 1853 pelo imigrante alemão Henry Engelhard Steinway.
É o mais renomado piano do mundo
Os filhos (Sons) de Henry são: Henry Jr., Albert, C. F. Theodore e Charles.
Produz os pianos das marcas Essex e Boston

YAMAHA
Torakuso Yamaha fabrica o seu primeiro piano em 1900.

FAZIOLI
Empresa de Paulo Fazioli fundada em 1981.
Poucas peças são produzidas deste piano que é uma verdadeira obra de arte. Possui um Grand Piano com a designação F 308. Este modelo possui um quarto pedal, que aproxima o martelo das cordas fazendo com que produza um som mais baixo, porém com a mesma intensidade e qualidade sonora característica do piano.

SCHIMMEL:
Fundada em 1885 por Wilhelm Shimmel em Leipzig, atualmente Braunschweig
Marcas: Schimmel, Vogel, May

GROTRIAN
Fundada em 1830 por Friedrich Grotrian

MASON & HAMLIN
Fundada em 1854 por Henry Mason e Emmons Hamlin, inicialmente em Boston
Desenvolveu a tecnologia exclusiva denominada Tension Resonator e utiliza White Spruce para a produção da tábua de ressonância (como a massa desta madeira é menor, menos energia é utilizada para a vibração)

BLÜTHNER
Inicia as atividades em 1853 com Julius Blüthner na cidade de Leipzig
Único piano que utiliza quatro cordas nas notas agudas. O martelo não toca esta quarta corda. O objetivo dela é somente a ressonância.

BÖSENDORFER
Fundada por Ignaz Bösendorfer em 1828
Hoje é controlada pela Yamaha

BECHSTEIN
Foi fundada em 1° de Outubro de 1853 por Carl Bechstein, em Berlin

Você já ouviu falar destas marcas?

Agora, mudando de assunto: lembra da frase inicial desta matéria?

“Ao contrário de outros instrumentos de corda, ou mesmo de bons vinhos, um piano não ganha em qualidade com o passar do tempo.”

Por isso é necessária a manutenção constante deste maravilhoso instrumento.

É claro que estamos no Brasil e a tradição de manter e afinar pianos de forma constante e preventiva é uma exceção.

Então, falar de manutenção e afinadores é uma condição “sine qua non” para deixar o mercado de pianos aquecido.

O que você precisa saber sobre a manutenção de pianos:

1. O preço, em média, do trabalho de um afinador gira em torno de US$ 100,00 a hora. É claro que, no Brasil, este valor muitas vezes é cobrado pelo trabalho de “afinação”, independentemente do tempo da execução da tarefa. Normalmente esta “afinação” custa em torno de R$ 400,00.

2. A primeira providência é manter o piano afinado em 440 Hz, que é o padrão de afinação.

3. A limpeza do interior do piano ajuda na manutenção e longevidade do instrumento.

4. Também é importante observar o ajuste dos pedais e a sua lubrificação.

5. Outro item importante diz respeito ao acionamento das teclas. Cada tecla tem que respeitar um valor determinado de peso e é importante que haja equilíbrio no acionamento delas, respeitando as normas referentes a cada tipo de piano. Você sabia que o “peso” do acionamento das teclas graves é bem maior do que o das teclas agudas?

6. A questão do ajuste dos martelos é imprescindível. Martelos desregulados costumam “enterrar” pianos de ótima qualidade. Um complexo de peças gera a ação do martelo. Portanto, se uma dessas peças estiver desregulada, com certeza a vida útil do componente e das peças que dependem dela estarão comprometidas.
A ação do martelo é feita com peças de madeira, feltro, ferro e couro. Estes materiais sofrem as intempéries normais de temperatura, pressão e umidade, além de desgastarem com a ação contínua do instrumento. Manter este sistema “afinado” contribui para a vida longa do piano.

Outra questão interessante de se observar com relação ao piano acústico e sua sonoridade é a quantidade de “experts” que vislumbramos por aí:

– Baixei um “sample” de piano que é “matador”! Nunca ouvi coisa igual!

– Olha, desta vez consegui tocar num piano excepcional!

– O piano “daquela” marca não é bom!

– Acabei de reformar um Piano Bentley! Ficou “novinho em folha”!

A pergunta que eu faço é:

– Que referência de som de piano estas pessoas tem para comentar o que é bom, o que é ruim, o som de piano com qualidade, o som de piano fraquinho?

– Como, assim, reformei o piano e ele ficou “novinho em folha”?

Raramente, dificilmente, excepcionalmente é possível tocar num piano bom em nosso país.

Portanto, vamos ser um pouco mais exigentes com relação ao piano porque o universo que vislumbramos no Brasil, incluindo fabricantes, é fraco, muito fraco, fraquíssimo!

E, para não perder a sintonia sobre o assunto:

Amigos do piano, amantes do piano, professores de piano, pilotos de piano, pianistas e amadores.

Piano tem prazo de validade.

Não invista em piano com mais de 30 anos.

Não reforme piano velho.

Não pense que o piano da vovó é bom, só porque é de marca. Ele não é.

Pior: ele já morreu.

Tem muita gente se aproveitando dos incautos e “recuperando” sarcófagos e seus cadáveres.

Piano bom é piano novo.

O resto é história, balela!

Só recupere um piano “velho” se ele tiver valor sentimental ou se algum grande e nobre pianista tenha tocado nele.

Fora isso, troque por um novo.

Avante!
Luiz Carlos Rigo Uhlik

5 Comments

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  1. 2
    AC

    Excelente matéria. Sou pianista há mais de 40 anos e tive vários pianos, dentre eles um Steinway & Sons e um Grotrian, ambos de armário. Normalmente a gente compra pela marca, pelo som e pelo aparente estado de conservação. Todavia, um piano, como tudo na vida, envelhece e morre. Me divirto quando vejo pessoas anunciando pianos de mais de 100 anos de fabricação, como se tivessem um verdadeiro tesouro nas mãos. Ledo engano. Ele pode estar na família há muito tempo e ter um valor sentimental, entretanto, com certeza a tia ou bisavó que tocava, já morreu e o neto que não sabe nada de música, acha que vai resolver todos os problemas financeiros dele, vendendo a “raridade”. E o pior é que tem gente que compra. Pena. Piano bom é piano novo ou com poucos anos de fabricação. É fato. Não se engane por ser de uma marca famosa. Parabéns ao autor do artigo. Muito esclarecedor e verdadeiro.

  2. 3
    Eduardo

    Gostei muito da matéria, muitas informações para um post bem resumido, didático. Estou me ingressando nesse mundo musical e nada melhor que começar ao lado das virtuosidades que ainda sobrevivem ao mar revolto. Uma lástima o brasil não disseminar essa cultura, afinal, no quesito musical enterramos nossos talentos do passado e ainda por cima jogamos todo tipo de lixo tóxico com essas tais musiquinhas da atualidade que inebriam as mentes das massas falidas de nosso brasil empobrecido de intelecto que tanto amamos.

  3. 5
    Johann

    Pianos antigos com certeza podem ter mecanismos que foram feitos de uma forma menos performante que os modernos mas isso não retira o valor histórico que o tempo agrega sobre o instrumento, como agrega sobre qualquer objeto. Ou seja, um instrumentista deve preferir um piano moderno mas um colecionador prefere, é claro, um piano antigo que tenha sido preservado e existe um mercado para isso. Não podemos esquecer o valor histórico. Em Paris vendem-se pianos com 100 anos ou mais por mais de 30 mil euros e o preço não é alto porque o instrumento soa bem mas, sim, porque é um objeto histórico. Não vendam antiguidades a preço de banana, isso acontece muito no Brasil.

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